Ataque de pânico

Ataque de pânico

Os ataques de pânico, períodos de ansiedade extrema que surgem de forma súbita, provocam grande receio nas pessoas. É preciso saber as suas causas para os tratar, com apoio médico.

O que são ataques de pânico?

Os ataques de pânico são períodos de ansiedade extrema, com uma dimensão sintomática a nível físico (palpitações, taquicardia, diaforese, dispneia, sensação de opressão torácica, tonturas, náuseas), acompanhada de vivências alteradas a nível psíquico (desrealização, despersonalização, medo de morrer, de perder o controlo, de não dispor de ajuda ou de enlouquecer) e que surgem de forma súbita, atingindo habitualmente uma intensidade máxima em 10 a 15 minutos.

Quando mais de um mês depois subsiste uma preocupação persistente com as consequências do ataque de pânico ou com a possibilidade de novo ataque, ou ainda se produzem alterações comportamentais relevantes (agorafobia), provavelmente estaremos perante uma perturbação de pânico.

Deve salientar-se que prevalência para ataques de pânico durante uma vida, é de 3-5,6%, sendo de 1,5-5% para a perturbação de pânico.

Existe uma comorbilidade frequente com as perturbações do humor, nomeadamente com a depressão major em 50-60% dos doentes que inicialmente apresentaram uma perturbação de pânico.

O diagnóstico de perturbação de pânico pode ainda ser efetuado no contexto de outras doenças médicas gerais (5 a 40% dos doentes com asma, 15-20% dos doentes com enxaqueca).

O que causa os ataques de pânico?

Várias teorias e modelos têm tentado explicar a génese, sendo as alterações melhor caracterizadas as presentes na perturbação de pânico acima descritas.

A nível do sistema nervoso central, parecem existir alterações em múltiplos sistemas de neurotransmissão, bem como em algumas redes neuronais entre a amígdala, o córtex cingulado anterior, o córtex órbito-frontal e o hipotálamo. Para alguns autores, poderia existir um estado de hiperventilação crónica, associada a uma hipersensibilidade dos recetores centrais para o dióxido de carbono, tal como sucede nos fumadores.

Como se manifestam?

De acordo com a teoria cognitiva, existem determinadas sensações corporais (sintomas fisiológicos) que podem estar envolvidas em respostas normais de ansiedade (aumento da frequência cardíaca) e que são interpretadas de forma catastrófica (perceção de palpitações como indício de enfarte agudo do miocárdio), o que leva a um aumento do medo (emoção que está presente) e, consequentemente, a um aumento da intensidade dos sintomas.

Vários tipos de estímulos podem desencadear ataques de pânico, desde os externos, como a situação em que o indivíduo vivenciou anteriormente um ataque (p. ex. elevador, centro comercial), aos internos (pensamentos, sensações corporais, imagens). Sempre que estes estímulos são percecionados como uma ameaça, o medo surge e a resposta traduz-se num estado de alerta relativamente a qualquer sintoma fisiológico que, num outro indivíduo com ansiedade normal e adaptativa passaria despercebido ou seria desvalorizado.

Como se tratam?

Mais de 80% dos doentes beneficiam de um prognóstico favorável quando se associa uma abordagem psicofarmacológica à psicoterapia cognitivo-comportamental. Entre os psicofármacos mais utilizados destacam-se as benzodiazepinas (alprazolam, clonazepam) apenas na fase aguda e em períodos reduzidos, bem como alguns antidepressivos (paroxetina, escitalopram), também na fase de manutenção.

As intervenções cognitivo-comportamentais focam-se na modificação do pensamento negativo/catastrófico acerca das sensações corporais, uma vez que o pensamento, para além de poder ser um fator desencadeante, vai fazer a manutenção dos sintomas.

A utilização de um pensamento racional/lógico quebra o ciclo vicioso, em que o principal objetivo será modificar as interpretações catastróficas dos sintomas fisiológicos.

 

Texto:

Rodolfo de Albuquerque

Psiquiatria, Hospital da Luz

Maria José Pestana

Psicologia Clínica, Hospital da Luz