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Amamentação

A amamentação é um processo fisiológico natural, que constitui a melhor forma de alimentar, proteger e amar o bebé. O leite materno é o alimento mais completo para o recém-nascido. Assim, a amamentação favorece o desenvolvimento do bebé e reforça o vínculo afetivo entre a mãe e o filho. Poucos momentos são tão sublimes e íntimos quanto a amamentação de um filho. Quando a mãe amamenta o seu bebé, está a desenvolver com ele uma ligação profunda, oferecendo segurança, dando e recebendo amor. O bebé sente-se amado e em segurança. O calor, a voz, o odor, o contato com a pele e o seio materno dão ao bebé um prazer e uma tranquilidade importante para o seu desenvolvimento emocional. Normalmente as crianças que mamaram tendem a ser mais tranquilas e de socialização mais fácil durante a infância.

A amamentação do bebé tem também vantagens para mãe: ajuda a proteger a sua saúde, ajuda a contração e recuperação do útero reduzindo o risco de hemorragia depois do parto, reduz o risco de desenvolvimento de neoplasias da mama e ovários e contribui para o planeamento familiar.

As primeiras semanas de vida do bebé são um período de aprendizagem da amamentação, para a mãe e para o bebé. Assim, algumas orientações, a paciência e a prática podem contribuir para uma amamentação com sucesso.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde relativas à amamentação são as seguintes:

  • As crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até aos seis meses de idade. Ou seja, até essa idade, o bebé deve tomar apenas leite materno e não se lhe deve dar nenhum outro alimento complementar ou bebida.
  • A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno.
  • As crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os dois anos de idade.

 

A amamentação do recém-nascido normal pode começar pouco tempo depois do nascimento. Assim, normalmente o bebé é colocado ao colo da mãe ainda na sala de parto, de modo a estimular a procura do peito e a amamentação o mais precocemente possível.

A maioria dos bebés consegue mamar pela primeira vez entre os 30 e os 120 minutos após o nascimento. A importância desta primeira mamada está relacionada com o estado de alerta do bebé que é mais favorável e contribui para a aprendizagem do ato de mamar.

Nos primeiros dias de vida o bebé acorda ou dá sinal que pretende mamar com uma regularidade variável, até adotar o seu padrão de alimentação. A amamentação é mais fácil para a mãe e para o bebé quando este não tem ainda muita fome mas já está interessado em mamar. Assim, é preferível iniciar a amamentação antes do bebé começar a indicar com choro que pretende mamar. A mãe deve procurar identificar expressões do seu bebé que indiquem o interesse pela amamentação, nomeadamente expressões de olhar, a boca aberta, movimentos da língua e das mãos, entre outros.

A amamentação é um estímulo importante para a produção de leite pela mãe. Assim, quando os bebés são alimentados ao peito logo após o nascimento, o volume de leite produzido aumenta substancialmente ao 3º ou 4º dia e a mãe passa a sentir o peito cheio, pesado ou quente quando se aproxima a altura ideal para remover o leite.

Também a partir desta altura, cerca do 5º a 6º dia após o nascimento, o bebé começa a ganhar peso, recuperando o seu peso ao nascer próximo do final da 2ª semana de vida.

Quando ocorre a subida do leite é importante que este seja removido do peito, alimentado o bebé ou através de técnicas de extração. O ingurgitamento mamário causado pelo aumento do volume do leite pode provocar algum desconforto e pode tornar difícil para o bebé conseguir mamar quando o peito, a aréola e o mamilo parecem repuxados e planos devido à distensão provocada pelo leite. Nestas circunstâncias pode ser adotadas algumas medidas para ajudar o bebé a pegar no mamilo, nomeadamente:

  • Tornar o mamilo e a aréola menos tensos retirando algum leite por extração manual ou com o auxílio de uma bomba; em seguida deixar o bebé mamar.
  • Amamentar ou retirar o leite cada uma a duas horas até conseguir que o peito se torne mais mole.
  • Aplicar sacos frios no peito durante 20 a 30 m depois de amamentar ou de extrair o leite.

As refeições do bebé devem ter uma duração mínima e máxima de 10 e 30 minutos, respetivamente, distribuídas pelos dois peitos e não contabilizando intervalos que o bebé deseje fazer. O ritmo da mamada é dado pelo bebé. Há bebés que mamam sem interrupção durante 10 a 15 minutos; outros demoram 20 a 35 minutos no primeiro peito, porque fazem pausas durante a mamada. Normalmente o bebé mama no segundo peito durante um período de tempo mais curto. Sempre que na mesma refeição o bebé não queira mamar no segundo peito, na mamada seguinte este deve ser oferecido em primeiro lugar.

A duração da lactação e o volume de leite produzido sofrem influências hormonais importantes. No entanto, a presença do bebé, o ato de mamar, a quantidade de leite mamada e o bem-estar da mãe são também determinantes.