Especialistas nacionais e estrangeiros debatem tratamentos inovadores no Hospital da Luz

Especialistas nacionais e estrangeiros debatem tratamentos inovadores no Hospital da Luz

No final do mês de janeiro, o "Simpósio de Medicina Molecular e Radioterapia Molecular" reuniu no Hospital da Luz vários especialistas nacionais e estrangeiros. Organizado no âmbito das jornadas científicas e de formação anuais do Departamento de Medicina Molecular deste hospital, o simpósio contou, desta vez, com a colaboração do Departamento de Endocrinologia, tendo os especialista presentes debatido as mais recentes metodologias de diagnóstico e terapêutica da área da medicina nuclear em tumores da tiroide, tumores neuroendócrinos e tumores da próstata.

Destacou-se a participação do especialista alemão Richard Baum, que possibilitou a análise de casos clínicos de tumores neuroendócrinos seguidos no Hospital da Luz com técnicas inovadoras, como o diagnóstico destes tumores com PET-CT com Dotanoc Gálio e o seu tratamento com Dotatate Lutécio. Outro assunto amplamente debatido foi o uso da uma nova molécula PSMA marcada com Gálio, que permite um diagnóstico ainda mais preciso dos tumores da próstata, técnica que em breve será realizada no Departamento de Medicina Molecular do Hospital da Luz. O simpósio foi também enriquecido pelas intervenções da especialista britânica Valerie Lewington, que dirige o Departamento de Medicina Nuclear do King's College, em Londres, e que tem uma larga experiência com os antigos radiofármacos que tratam as metástases ósseas do carcinoma da próstata e com o novíssimo radiofármaco, emissor alfa semelhante ao cálcio, incorporado nos  componentes intrínsecos do osso (hidroxiapatite), para o qual foi demonstrado um aumento de sobrevida. As diversas sessões realizadas incluíram a apresentação e discussão de casos seguidos no Hospital da Luz.

A medicina nuclear é uma área cada vez mais diferenciada. Usa radiofármacos como sondas biológicas que permitem estudar os mecanismos fisiopatológicos que marcam o desenvolvimento celular e os alvos diferenciados e específicos para cada tipo de doença oncológica. Em alguns casos, o mesmo fármaco especifico para um órgão, tecido ou célula permite obter uma imagem de diagnóstico e uma terapêutica, o que deu origem ao conceito de theragnostico.

A utilização de radiofármacos cuja emissão permite visualizar processos fisiopatológicos usando equipamentos adequados (câmara gama e câmara de PET), como os disponíveis no Hospital da Luz, permite obter imagens de diagnóstico de elevada qualidade.

A medicina nuclear realiza também terapêuticas específicas usando radionúclideos emissores beta ou alfa que atuam com elevada especificidade nas cadeias do DNA intracelular com o objetivo de provocar a morte celular. Trata-se de uma modalidade terapêutica eletiva e que não interfere com os tecidos saudáveis, tal como referiu Erlich na sua teoria da "bala mágica".

Habitualmente, os doentes têm uma boa tolerância às terapêuticas de medicina nuclear e radioterapia metabólica, que não apresentam praticamente efeitos secundários e são realizadas com grande comodidade para os doentes. São, por isso, uma alternativa realista a outras terapêuticas.

Saiba mais sobre o Departamento de Medicina Molecular do Hospital da Luz.