Fibrilhação leva a AVC

Fibrilhação leva a AVC

Quem sofre de fibrilhação auricular tem um risco cinco vezes superior à população de ter um AVC e um risco duas vezes superior de vir a morrer precocemente.

Se se pensar que um doente com fibrilhação auricular pode ser tratado num dia e ter alta no seguinte, estar a trabalhar uma semana depois e três meses mais tarde, deixa de ter uma arritmia cardíaca que lhe causava ansiedade e representava risco para a sua saúde, esse doente ganhou qualidade de vida.

“Quem sofre de fibrilhação auricular tem um risco cinco vezes superior à população normal de ter um AVC e um risco duas vezes superior de vir a morrer precocemente”, afirma o professor Pedro Adragão, cardiologista e coordenador do Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz, e diretor do simpósio “Robotics, the new frontier to treat arrhythmia”.

Com efeito, todos os seres humanos têm, em algum momento da sua vida, situações de alteração do ritmo cardíaco. Porém, com a idade, vão aparecendo arritmias, algumas das quais muito prevalentes na idade adulta, sobretudo a partir dos 40 anos de idade.

Nas sociedades desenvolvidas, a fibrilhação auricular tem vindo a aumentar progressivamente. Primeiro, porque se vive mais e depois porque as sociedades estão mais velhas, com mais sobrevida. Logo, esta doença torna-se mais prevalente.

Num estudo feito em Portugal, numa população aparentemente sem sintomas e submetida a electrocardiograma, verificou-se que, em cada 1.000 pessoas, 25 estavam em fibrilhação auricular, ou seja, 2,5% da população com mais de 40 anos. “Este estudo é muito importante porque determina, para essas pessoas, um risco agravado de AVC e de morte”, afirma Pedro Adragão.

Os fatores de risco da fibrilhação auricular podem incluir hipertensão arterial, sedentarismo e excessos alimentares, mas há também doentes sem qualquer destes fatores ou até ex-atletas de alta competição que podem vir a sofrer da doença.

Os sintomas das arritmias podem passar despercebidos ou ser muito exuberantes. Mas, uma pessoa que sente palpitações, taquicardia ou fica exageradamente cansada para a actividade que realizou, deve procurar o médico para investigar a causa dessa arritmia e, se necessário, tratar imediatamente.

Assim, quando há um diagnóstico de fibrilhação auricular, não se deve ficar parado, avisa Pedro Adragão: “hoje sabe-se que os dois fatores de tratamento mais importantes para evitar os riscos desta patologia e melhorar a sobrevida, são a manutenção do ritmo cardíaco normal e, por outro lado, prevenção dos fenómenos tromboembólicos que podem resultar em AVC muito graves”. Ainda de acordo com este médico, a idade é um marcador importante de risco e por isso devem rastrear-se os grupos de risco a partir dos 40-50 anos.

Tratamento e alta em 24 horas

O Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz é a unidade de arritmologia de intervenção mais inovadora do país, tendo introduzindo na Península Ibérica a navegação magnética robótica.

Segundo o seu responsável, no Centro do Ritmo Cardíaco são seguidas as recomendações internacionais para o tratamento da fibrilhação auricular, que defendem a indicação de perguntar ao doente se prefere fazer um procedimento de ablação por cateterismo, com uma eficácia mais elevada, ou terapêutica medicamentosa, de eficácia mais reduzida.

Para Pedro Adragão, os doentes que respondem positivamente devem ser tratados. “No Hospital da Luz, tratamos os doentes de forma segura, com grande redução de exposição aos raios-x, em poucas horas e com um internamento de 24horas. De notar que a nossa taxa de repetição destes tratamentos é, também muito reduzida e inferior às recomendações internacionais, que apontam para um 1/3 dos casos tratados”, diz.

Aliás, no Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz já foram tratados mais de 700 doentes com fibrilhação auricular, o que corresponde a uma percentagem muito elevada dos doentes tratados em Portugal.

 

Special Report publicado no âmbito do Leaping Forward - Lisbon International Clinical Congress, que decorre no Hospital da Luz de 13 a 19 de fevereiro.