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Dor

A dor é um processo adaptativo que nos protege dos estímulos perigosos. No entanto a sua presença persistente deixa de ter este propósito e transforma-se num grave problema para o doente.

A sensação dolorosa é iniciada em recetores de células nervosas localizadas na pele, tecidos profundos e órgãos. Quando existe doença, lesão ou outro tipo de problema estes recetores enviam mensagens ao longo das vias da dor para a medula espinal, que posteriormente envia esta mensagem para o cérebro. A medicina da dor trabalha de forma a reduzir ou bloquear estas mensagens antes de chegarem ao cérebro. 

A dor é uma sensação desagradável transmitida quando existe algo de errado. Pode ser um aperto, prurido, “choque elétrico”, picada, ardência ou ter ser descrita de muitas outras formas.

A sua intensidade é variável, desde pouco incomodativa, como numa cefaleia ligeira até algo grave e emergente, que requer tratamento imediato. 

A dor crónica é dos problemas de saúde com maior impacto nas pessoas em idade ativa, condicionando negativamente a sua qualidade de vida, os seus relacionamentos e a sua capacidade para o trabalho:

  • A lombalgia é um dos problemas de saúde com maior incidência. É uma causa muito frequente de limitação de atividade em adultos.
  • A dor oncológica afeta a maioria dos doentes em fases intermédias ou avançadas da neoplasia.
  • A dor de artrite afeta milhares de pessoas anualmente em Portugal.
  • A fibromialgia é uma síndrome dolorosa para a qual, apesar de não haver cura, existe tratamento para melhorar a qualidade de vida do doente.
  • Existem muitas outras situações dolorosas, como nevralgias e neuropatias que afetam vários nervos no organismo, dor por lesões do sistema nervoso central (medula espinal ou cerebral), síndromes algodistróficos.


Tendo em conta a duração, a dor pode ser classificada como aguda ou crónica.

A dor aguda é causada, mais frequentemente, por inflamação ou lesão tecidual, doença ou devida a cirurgia recente. É limitada no tempo, normalmente com duração inferior a uma ou duas semanas. Termina após tratamento ou resolução do problema que a origina, mas quando não tratada pode evoluir para um quadro de dor crónica.

A dor crónica pode persistir durante meses ou anos. É uma dor que persiste para além do tempo estimado para recuperação da lesão tecidular, ou está associada a uma doença crónica, por exemplo a artrite. Pode ser uma dor intermitente ou contínua e afetar as atividades diárias dos doentes ao ponto de perda de dias laborais, perda de apetite e incapacidade de realizar atividade física. A dor crónica pode levar a outros sintomas como náuseas, tonturas ou fadiga. Pode causar alterações emocionais, como depressão, irritabilidade ou instabilidade de estados de humor e levar alterações do estilo de vida, mudança no local de trabalho, alterações de relacionamento interpessoal e da independência. Existem muitas causas para a dor crónica, entre as quais uma doença ou lesão, da qual houve recuperação, mas em que a dor permaneceu, ou uma condição que se mantém, como a artrite ou uma doença oncológica. Muitas pessoas têm dor crónica, mesmo sem lesão ou doença evidentes. A dor crónica é considerada uma condição médica que pode e deve ser tratada.