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Infeções associadas aos cuidados de saúde

Infeções associadas aos cuidados de saúde

As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) têm sérios custos sociais e económicos, diminuem a qualidade de vida dos doentes, mas podem prevenir-se através de medidas básicas sendo a de maior impacto a lavagem adequada das mãos por parte dos profissionais, dos doentes e das visitas.

O que é são infeções associadas aos cuidados de saúde?

Entende-se por infeção associada aos cuidados de saúde (IACS), a adquirida em contexto da prestação desses cuidados e que dela resulta. Também designada por infeção nosocomial, não estava presente nem em incubação no momento da admissão do doente no hospital, manifestando-se os sintomas ao 3.º dia de internamento.

Considera-se ainda infeção hospitalar quando o doente é admitido com uma infeção depois de tido alta do hospital até 48 horas, quando é admitido com uma infeção de ferida cirúrgica ou ainda quando é admitido por infeção de Clostridium difficile tendo tido alta do hospital.

Como e porque surgem as infeções?

As IACS podem surgir de duas formas:

  • Por transmissão de microrganismos através do ambiente hospitalar ou pela própria flora corporal do doente. Estes microrganismos atravessam as barreiras de defesa do corpo por via respiratória, via cateteres ou outros acessos invasivos, provocando infeções;
  • Por pressão antibiótica através da seleção de microrganismos mais agressivos que acabam por causar infeção onde não existia.

Como se manifestam as infeções hospitalares?

As infeções nosocomiais podem atingir vários sistemas orgânicos, dependendo da porta de entrada dos microrganismos. Os sintomas, que não precisam de manifestar-se todos, são iguais aos das infeções adquiridas fora do hospital, ou seja, dor na área afetada, rubor, calor, mau estar e acima de tudo, febre.

Como se diagnosticam?

Através de um exame objetivo por parte do médico e através de meios complementares de diagnóstico como análises sanguíneas e raio-X, entre outros.

É importante memorizar a data de início e o tipo de sintomas para relatar ao médico durante a consulta.

Quais as consequências?

As infeções nosocomiais têm sérios custos sociais e económicos, mas acima de todos, a diminuição da qualidade de vida dos doentes, a morbilidade e a mortalidade.

Salientam-se ainda o aumento das despesas médicas, o acréscimo do número de dias de internamento, aumento do consumo de antibióticos, o maior consumo de dispositivos médicos e de meios complementares de diagnósticos. Já a diminuição da produtividade das pessoas doentes, ainda que represente um custo indireto, não deixa de ser notória.

Como se tratam?

Tratam-se com antibióticos ou anti-fúngicos adequados.

Mais importante, como se podem prevenir?

Os hospitais devem ser dotados de comissões de controlo de infeção hospitalar, cuja principal responsabilidade é a prevenção e controlo.

As infeções nosocomiais previnem-se através de medidas básicas sendo a de maior impacto a lavagem (higienização) adequada das mãos por parte dos profissionais, dos doentes e das visitas.

São também fatores indispensáveis, um plano de formação adequado para todos os profissionais, a existência de normas de prevenção e o controlo dos principais tipos de infeção, a responsabilidade dos profissionais no cumprimento dessas normas, um plano de vigilância dos microrganismos presentes no hospital e, acima de tudo, o envolvimento das chefias de topo no combate às infeções associadas aos cuidados de saúde.

 

Texto:

Carlos Palos e Joana Mapril, Medicina Interna

Soraia Pedroso, enfermeira