Cirurgia da Obesidade

Cirurgia da Obesidade

A obesidade clinicamente grave poderá ter indicação de tratamento cirúrgico

Mais de 60 por cento da população portuguesa tem excesso de peso ou sofre de obesidade. As causas estão, essencialmente, relacionadas com hábitos alimentares desequilibrados, sedentarismo e consumo de tabaco.

O que é a obesidade

A obesidade é uma doença crónica complexa que resulta da acumulação excessiva de tecido adiposo, provocando um aumento de peso superior em 25% ao peso normal estimado. A obesidade é normalmente medida com base no Índice de Massa Corporal (IMC).

Pessoas adultas, com um IMC igual ou superior a 30, podem ser consideradas obesas se o excesso de peso resultar de acumulação de gordura.

O IMC é o processo mais utilizado para determinar se o seu peso é o ideal, conjugado com a sua estabilidade durante um período prolongado e resultante de uma alimentação equilibrada.

 Calcule o seu IMC

Quais os principais riscos associados à obesidade

A obesidade aumenta o risco associado aos seguintes factores:

  • Agravamento de outras doenças: diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas, doenças vasculares, arteriosclerose, osteoartrose, etc.
  • Redução da esperança de vida
  • Problemas psicológicos relacionados com a imagem corporal e auto-estima

 

Como se trata

O tratamento da obesidade deve basear-se no grau de obesidade e no quadro clínico geral do paciente. O objectivo inicial deve ser a perda de 10% do peso inicial, a um ritmo de 0.45 Kg a 0.91 Kg por semana através de dieta específica e de actividade física; em alguns casos, poder-se-á recorrer à utilização de fármacos. Em casos extremos, após avaliação efectuada pela equipa médica, poder-se-á equacionar a cirurgia para redução do tamanho do estômago.

O tratamento prevê igualmente os componentes psicológicos e sociais da obesidade, podendo ser útil o aconselhamento nesta área por especialistas. O apoio da família e a integração em actividades sociais pode igualmente ajudar a lidar com estes aspectos associados à obesidade.

Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital da Arrábida

Se os métodos não-cirúrgicos se revelarem ineficazes, a obesidade clinicamente grave poderá ter indicação de tratamento cirúrgico.

No Hospital da Arrábida existe uma equipa multidisciplinar (Endocrinologia, Cirurgia Geral, Anestesiologia, Psiquiatria, Medicina Interna e Nutricionismo) que acompanha o doente desde a primeira consulta, durante os exames complementares e terapêutica, prevendo igualmente o seu acompanhamento pós tratamento e manutenção dos resultados alcançados.

O processo irá envolver uma primeira consulta de Endocrinologia, onde será efectuada uma pré-avaliação de todo adequado ao paciente. De acordo com a Sociedade Internacional para Cirurgia da Obesidade, os critérios para a selecção dos doentes compreendem qualquer um dos seguintes:

  • IMC > 40 Kg/m2 ou 45 Kg acima do peso ideal
  • IMC > 35 Kg/m2 se associado a co-morbilidade grave (hipertensão, diabetes Tipo 2, osteoartrite, apneia do sono) que imponha redução do peso com os riscos que se lhe associam
  • Obesidade estável há pelo menos 5 anos, com múltiplos tratamentos médicos efectuados devidamente orientados

Tipos de Cirurgia ou Técnicas Cirúrgicas

São várias as técnicas cirúrgicas disponíveis. A experiência da equipa do Hospital da Arrábida permite propôr a realização, em função do IMC, das seguintes alternativas:

  • Colocação da banda gástrica ajustável (BGA)
Dr. Mário Nora 
Dr. Marinho da Cunha 
Dr. João Lomba 
Dr. Óscar Santos 
Dr. Jaime Vilaça
  • "By-pass" gástrico com ansa em Y de Roux

Dr. Mário Nora

Banda Gástrica Ajustável

A colocação da Banda Gástrica Ajustável consiste na aplicação por via laparoscópica, de uma cinta de "silastic" em volta da parte alta do estômago de modo a criar-se uma pequena bolsa gástrica e, assim, regular a passagem dos alimentos. As vantagens deste método são: 

  • Sendo realizado por via laparoscópica, é um procedimento minimamente invasivo
  • A Banda é ajustável através de um processo praticamente indolor
  • Não implicando corte ou sutura do estômago, mantém a sua integridade
  • A Banda pode ser removida igualmente por via laparoscópica, sempre que as circunstâncias o exigirem

A maior parte dos doentes irão perder entre 60 a 70% do excesso de peso, consoante o cumprimento das indicações dietéticas e do grau de tolerância ao aperto da banda. A perda de peso é mais rápida no primeiro ano e lenta nos subsequentes. A dieta tem que ser vigiada de forma muito cuidadosa à medida que a banda for sendo ajustada, necessitando de vigilância a longo-prazo.

"By-Pass" Gástrico com ansa em Y de Roux

Esta intervenção consiste igualmente na redução do tamanho do estômago e na ultrapassagem de parte do intestino delgado que resulta quer na menor ingestão de alimentos, quer na redução de absorção de gorduras.

A escolha desta técnica cirúrgica resultará dos estudos prévios a realizar ao doente, os quais poderão apontar razões de ordem técnica, nomeadamente, relacionados com o peso, a forma do abdómen e a existência de intervenções cirúrgicas prévias.

A perda de peso após esta cirurgia situa-se normalmente acima do 70% do excesso de peso (40% do peso). A maior parte da perda de peso vai ocorrer nos primeiros 14 meses. Mesmo após a sua estabilização, será necessário continuar a vigiar com muito cuidado a dieta, sob pena de recuperação do peso perdido.