Novas técnicas em Oncologia disponíveis no Hospital da Luz Aveiro

Novas técnicas em Oncologia disponíveis no Hospital da Luz Aveiro

São realizadas no Hospital da Luz Aveiro terapêuticas endovasculares e biliares no cancro do fígado e metástases

No decorrer da sua adaptação às mais recentes necessidades do doente oncológico, o Hospital da Luz Aveiro dispõe de uma das valências mais importantes na área da oncologia. Fruto da aquisição da mais recente tecnologia de imagem médica, a radiologia de intervenção conta agora com a possibilidade da realização de terapêuticas endovasculares e biliares de forma muito pouco invasiva. A área da oncologia, nomeadamente nas neoplasias que atingem o fígado, contam com a possibilidade da intervenção vascular mais recente e inovadora, no que respeita ao tratamento das metástases hepáticas, do carcinoma hepatocelular e do carcinoma das vias biliares. Passam a ser possíveis tratamentos dirigidos em articulação com a quimioterapia, imunoterapias (já disponíveis há anos nesta unidade de saúde) e a cirurgia.

Nestas técnicas de radiologia de intervenção, com apenas uma pequena punção num vaso sanguíneo ou mesmo diretamente na pele, podemos ter acesso a um tumor (cateterismo) e efetuar o tratamento com quimioterapia dirigida e precisa no tumor e/ou reduzir a sua vascularização. Isto é feito com recurso a dispositivos médicos com dimensões abaixo do milímetro e que ocluem os vasos sanguíneos (embolização). Estes mesmos podem associadamente carregar um fármaco quimioterápico e atuar localmente no tumor de uma forma muito mais potente. Estes dispositivos podem ser micropartículas, microesferas ou redes metálicas (endopróteses ou stents). Esta técnica de embolização, no que respeita aos tumores benignos, é também usada frequentemente no tratamento dos miomas uterinos e no tratamento da hipertrofia benigna da próstata.

Neste contexto o Hospital da Luz – Aveiro, passa finalmente a oferecer as várias armas actuais e as mais inovadoras no tratamento do cancro, mas que devem sempre resultar dum estreito trabalho de equipa.

Mas, para se perceber e se integrar este novo conceito à disposição dos nossos doentes, devemos conhecer alguma epidemiologia destes tumores e os tratamentos padronizados mais actuais.

Os tumores do fígado

As metástases são o tumor que mais frequentemente atinge o fígado. Nas fases avançadas da doença, 30-70% dos doentes com cancro têm metástases no fígado.

O cancro colorretal é de longe o que mais origina metástases no fígado. Na data do diagnóstico já 25% dos doentes têm metástases no fígado. Mais 25-30% destes doentes têm a probabilidade de desenvolver metástases nos anos seguintes, apesar de já terem operado ou retirado o tumor colorretal.

No que respeita ao cancro primário do fígado, os números situam-se em cerca de 782 mil novos casos a nível mundial em termos de incidência e 745 mil casos a nível de mortalidade. É o sexto tumor digestivo mais comum. Em Portugal, a incidência anual, situa-se em cerca de 1000 novos casos e cerca de 900 casos de mortalidade. É predominante nos indivíduos com hepatite C ou B crónicas ou simplesmente associado à cirrose.

Os tratamentos disponíveis

Num estadio inicial o objetivo é a cura e os métodos mais utilizados são:

  • Remoção cirúrgica do tumor ou das metástases
  • Transplante do fígado (no caso tumor primitivo do fígado)
  • Ablação local (destruição pelo calor - técnica por punção guiada por tomografia computorizada ou ecografia)

Num estadio intermédio ou avançado, o objetivo pode ser meramente paliativo (reduzir o tumor e evitar a progressão do tumor no fígado) ou permitir que este se torne curável (fazer a redução tumoral e torná-lo operável ou transplantável. Aqui a embolização (libertação de esferas microscópicas nos vasos sanguíneos do fígado, para ocluir a circulação de sangue para os tumores ou para fazer quimioterapia localizada) pode ter um papel fundamental, pois pode ser adjuvante (ajuda localmente outros tratamentos) e tornar um tumor inicialmente não tratável em tratável.

A embolização se associada à quimioterapia, designa-se assim de quimioembolização. Se associada à radioterapia/braquiterapia designa-se de radioembolização. Ainda neste estadio de doença e se houver obstrução do fluxo biliar (icterícia – tom amarelo da pele e mucosas) por progressão destes tumores ou por um tumor primitivo das vias biliares, estas técnicas guiadas por imagem (colangiografia percutânea transhepática, colocação de stent na via biliar, entre outras) permitem restabelecer o fluxo biliar, anteriormente comprometido e que impedia a quimioterapia ou a cirurgia do tumor.

 

Na foto: Dr. Belarmino Gonçalves (radiologia de intervenção) e Enfº João Paulo Belo