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Hérnia discal lombar

A coluna lombar é composta por cinco vértebras separadas por discos cartilagíneos. Estes discos são formados por um anel fibroso periférico e um centro gelatinoso, o núcleo pulposo, que à medida que a coluna flete, torce ou estende, sofrem alterações da sua forma. Estes “amortecedores” de cartilagem permitem que a coluna vertebral suporte e dissipe a carga através dos seus múltiplos níveis, mantendo a estabilidade e flexibilidade necessária à execução das tarefas diárias.

Dependendo do envelhecimento e da carga exercida sobre os discos intervertebrais, estes sofrem um processo de degenerescência que consiste na perda do seu elevado índice de água, com consequente perda da elasticidade e da capacidade para amortecer as cargas. Estudos por ressonância magnética mostram que aos 35 anos, cerca de 30% da população apresentará degenerescência discal a um ou mais níveis e, aos 60 anos, esta percentagem rondará os 90%. Na maioria dos casos, este processo degenerativo é assintomático, mas, em muitas situações, dá origem a quadros de dor lombar incapacitante.

Em certos casos, durante o processo degenerativo discal ocorre rotura do anel fibroso e deslocação de um fragmento do núcleo pulposo para dentro do canal raquidiano, onde se localizam as raízes nervosas, constituindo a hérnia discal. Quando este fragmento pressiona uma raiz nervosa surge um quadro de dor lombar, com irradiação à perna e ao pé. Estas situações podem surgir insidiosamente ou ser desencadeadas por movimentos bruscos ou sobrecarga de esforço sobre a coluna lombar.

As queixas de dor lombar com irradiação ao membro inferior surgem habitualmente após a realização de um esforço físico, como carregar pesos, ou flexão ou rotação do tronco. O trajeto da dor está relacionado com a raiz nervosa pressionada dentro do canal raquidiano. Os sintomas mais frequentes na doença discal lombar são os seguintes:

  • Dor lombar contínua ou intermitente, que agrava com o movimento, com tosse, espirros e pela posição de pé parado
  • Espasmo dos músculos lombares
  • Ciática - dor irradiada ao membro inferior, atingindo a perna e pé
  • Falta de força nos movimentos do pé
  • Dormência da perna e pé
  • Diminuição dos reflexos do joelho e calcanhar
  • Alterações do controlo do esfíncter urinário ou anal

Em casos raros, se a hérnia discal for muito volumosa, podem ocorrer queixas de dificuldade na marcha, desequilíbrio e descontrolo dos esfíncteres vesical e anal.

No diagnóstico da hérnia discal lombar podem ser usados diversos meios complementares:

  • Radiografia simples: É o método de imagem mais utilizado em traumatismos lombares no diagnóstico de fraturas ou luxações. Na doença degenerativa a sua informação é limitada podendo mostrar a diminuição do espaço discal e a formação de osteófitos nas margens dos corpos vertebrais.
  • Tomografia computorizada (TAC): É o melhor exame para diagnosticar alterações das estruturas ósseas; também permite observar as alterações do disco intervertebral, as dimensões do canal raquidiano e avaliar o grau de saliência discal para dentro do canal.
  • Ressonância magnética (RM): É o melhor exame para avaliar as estruturas neurológicas, medula e raízes da cauda equina, e a sua relação com as procidências ou extrusão de fragmentos discais.
  • Mielografia: É o exame realizado quando não é possível efetuar RM e que consiste na injeção de contraste no saco dural, seguida da obtenção de imagens por TAC; permitir avaliar as dimensões do canal raquidiano e eventuais situações de compressão medular ou radicular.
  • Eletromiografia: Estuda a função dos nervos periféricos em situações de alteração motora ou sensitiva dos membros, permitindo fazer o diagnóstico diferencial entre uma neuropatia periférica e um sofrimento de uma raiz nervosa, por compressão a nível da coluna vertebral.

 

As hérnias da coluna vertebral são uma das áreas de intervenção da neurocirurgia e da ortopedia. Conheça os médicos especialistas em neurocirurgia e em ortopedia desta unidade da rede Hospital da Luz.