Ecoendoscopia digestiva

O que é e como é realizada uma ecoendoscopia digestiva?

A ecoendoscopia digestiva é um exame que associa endoscopia e ecografia e que permite visualizar a parede do esófago, estômago, duodeno, cólon sigmoide, reto e algumas estruturas vizinhas do tubo digestivo (pâncreas, vias biliares, mediastino e cavidade pélvica). A ecoendoscopia digestiva é realizada com o doente deitado. É introduzido através da boca (ecoendoscopia digestiva alta) ou através do ânus (ecoendoscopia digestiva baixa) um tubo longo e flexível, designado ecoendoscópio, que tem a particularidade de associar uma sonda de ecografia a uma câmara de vídeo que irá transmitir imagens endoscópicas e ecográficas ampliadas e de elevada definição, para um monitor presente na sala onde o exame é realizado. Assim torna-se possível avaliar através de imagens de ecografia realizada a partir do interior do tubo digestivo toda a espessura da parede dos segmentos digestivos percorridos pelo ecoendoscópio e ainda algumas estruturas vizinhas.

ecoendoscaltaecoendoscbaixa

A ecoendoscopia tem também a vantagem de detetar alterações que não são percetíveis através de outras técnicas. O ecoendoscópio possui ainda componentes que permitem colher, de forma indolor, fragmentos de tecido (biópsia) e introduzir ou retirar ar, fluidos e instrumentos necessários para os procedimentos que possam ter que ser realizados. A progressão do ecoendoscópio ao longo dos segmentos digestivos pode causar algum incómodo. Assim, a ecoendoscopia digestiva alta é realizada habitualmente com apoio anestésico. A ecoendoscopia digestiva baixa habitualmente não é realizada com apoio anestésico ou sedação podendo no entanto, de forma individualizada, ser necessário realizar o procedimento com esse recurso. Em casos específicos poderão ser administrados antibióticos com objetivos profiláticos.

A sedação ou anestesia não implica o internamento do doente. Normalmente a recuperação requer um um período de repouso deitado de cerca de 30 minutos, podendo posteriormente o doente ter alta. Será de toda a conveniência que o doente seja acompanhado por alguém que lhe possa prestar o auxílio eventualmente necessário. Nalguns casos específicos, a ecoendoscopia poderá ter que ser realizada em internamento.

Em que situações é realizada?

A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico, em função das características individuais de cada doente e das suas queixas ou doença.

A ecoendoscopia pode ter finalidades de diagnóstico e/ou tratamento e, em regra, é realizada na sequência de exames anteriores, para esclarecimento de achados desses exames ou para realizar intervenções de tratamento específicas. As indicações da ecoendoscopia incluem o diagnóstico, estadiamento e avaliação da extensão de neoplasias, a deteção precoce de recidivas de tumores, o diagnóstico de outras lesões ou doenças da parede digestiva e estruturas vizinhas e ainda a realização de biopsias sob controlo ecográfico.

A ecoendoscopia é considerada atualmente uma técnica particularmente valiosa no diagnóstico e em algumas intervenções terapêuticas a nível biliopancreático.

Que limitações tem?

A ecoendoscopia digestiva é uma técnica que pode falhar lesões e diagnósticos, mesmo com um exame tecnicamente adequado.

Existem vários exames de imagem que podem igualmente contribuir para obter informação relevante (p. ex. TAC); no entanto, habitualmente, estes exames permitem obter informação complementar e não substituem em pleno a ecoendoscopia. As questões sobre este assunto devem ser colocadas ao médico assistente e caso persistam algumas dúvidas, devem ser colocadas igualmente ao médico que vai realizar o exame.

Quando tempo demora?

A realização de uma ecoendoscopia é muito variável, dependendo do objetivo da sua realização; pode considerar-se uma duração mínima e máxima de cerca de 15 minutos e de uma hora, respetivamente. Depois de terminado o exame torna-se necessário aguardar algum tempo até que a recuperação esteja completa, período que deve ser passado em repouso, num local específico para o efeito. Posteriormente, o doente poderá abandonar o hospital. Embora a ecoendoscopia não seja um exame demorado, o facto de ser realizada sob sedação ou anestesia, ou o desconforto que pode causar quando não o é, aconselham a que a manhã ou a tarde da sua realização sejam reservadas apenas para o exame.

Existem efeitos secundários, riscos ou complicações associados à realização de uma ecoendoscopia digestiva?

Os efeitos associados à anestesia desaparecem geralmente no prazo de poucas horas. A possível introdução de ar pode resultar numa sensação de pressão abdominal e em flatulência durante algumas horas. Os riscos associados à realização de uma ecoendoscopia são raros, mas existem, tal como acontece com qualquer outro exame em que sejam usados aparelhos ou medicamentos. A incidência destes riscos varia com os indivíduos, está relacionada com a utilização eventual de medicamentos e com procedimentos adicionais que seja necessário realizar. Para reduzir o risco de ocorrência de complicações é fundamental que o médico esteja informado sobre alergias, outras doenças presentes ou tratamentos em curso.

Entre os riscos ou complicações possíveis, incluem-se:

  • Equimose na veia usada para a administração de medicamentos
  • Reações alérgicas a medicamentos
  • Dificuldade em respirar, alteração da pressão arterial ou do ritmo cardíaco, devido aos medicamentos administrados
  • Pneumonia por aspiração do conteúdo gástrico
  • Perfuração (implica geralmente internamento e uma eventual cirurgia). Estima-se que ocorra 1 caso em cada 3000 procedimentos. No caso de ser necessário realizar uma dilatação do tubo digestivo estima-se que ocorra 1 caso em cada 50 procedimentos

Existem ainda complicações possíveis associadas a procedimentos que sejam realizados no decurso deste exame:

Complicações associadas a biópsias eco-guiadas:

  • Infeção: <1%
  • Pancreatite (inflamação do pâncreas): 0-2%
  • Hemorragia: 1%
  • Peritonite (inflamação grave do abdómen): <1%

Complicações associadas a neurólise do plexo celíaco:

  • Diarreia transitória: 4-15%
  • Diminuição da pressão arterial: 1%
  • Aumento transitório da dor: 9%
  • Infeção / abcesso: <1%

Complicações associadas a drenagem de pseudoquistos: 11-37%

  • Hemorragia                            
  • Perfuração
  • Infeção
  • Migração de prótese