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Biópsia hepática percutânea

O que é e como é realizada uma biopsia hepática?

Uma biopsia hepática é um procedimento de diagnóstico em que é colhida com uma agulha apropriada para o efeito (uma agulha de biópsia com cerca de 1,5 mm de calibre) uma pequena amostra de fígado, que se destina a avaliação posterior através de microscopia. A biópsia hepática pode ser realizada por via laparoscópica, transvenosa ou percutânea, que diferem entre si na abordagem usada para a agulha de biópsia atingir o fígado. Mais frequentemente, a biópsia hepática é realizada por via percutânea. Neste caso, o doente é colocado em decúbito dorsal com o braço direito virado para cima e colocado junto à cabeça. A agulha de biopsia é inserida na parede abdominal direita, entre as duas últimas costelas. Antes inserir a agulha, o médico determina o local exato para o fazer, por palpação e percussão, e marca-o. Depois da anestesia desse local é realizada uma pequena incisão, inserida a agulha de biópsia e obtida rapidamente uma ou mais amostras de tecido hepático.

Em que situações é realizada?

A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico, em função das características individuais de cada doente e das suas queixas ou doença. A realização de uma biópsia hepática pode ser aconselhada para diagnóstico de diversas lesões e doenças que afetam o fígado e/ou as vias biliares, normalmente na sequência de outros exames complementares, não conclusivos ou que requeiram algum esclarecimento adicional. A biópsia hepática é também usada no estadiamento de doenças hepáticas, ou seja, na determinação do grau de evolução de lesões hepáticas, para orientação de terapêutica. Além de objetivos de diagnóstico, a biópsia hepática pode também ser usada para monitorização da eficácia de uma terapêutica hepática, de efeitos secundários ou tóxicos conhecidos a nível do fígado de uma terapêutica, ou ainda da eficácia de um transplante.

Que limitações tem?

A biópsia hepática é um procedimento que pode falhar lesões e diagnósticos, mesmo com um exame tecnicamente correto. A biópsia hepática pode também ter algumas contraindicações, nomeadamente alterações da coagulação do sangue, suspeita de hemangioma e equinococose, entre outras. No caso de acumulação de líquido na cavidade abdominal a biópsia hepática não deve ser realizada por via percutânea.

Quanto tempo demora?

A realização de uma biópsia hepática percutânea demora em média cerca de 30 minutos. É feita em regime de internamento; normalmente o doente tem alta hospitalar passadas 24 horas.

É necessário alguma preparação?

O médico deve ser informado antecipadamente sobre alergias, outras doenças presentes ou medicações em curso. Em muitos casos será necessário suspender ou alterar medicações cerca de uma semana antes de realizar uma biópsia hepática. Estas instruções devem ser seguidas escrupulosamente, sob pena de não ser possível realizar a biopsia hepática ou de aumentar os seus riscos.

Existem efeitos secundários, riscos ou complicações associados à realização de uma biopsia hepática percutânea?

Em média, a recuperação de uma biópsia hepática percutânea está completa passados 1 a 2 dias, podendo persistir durante algum tempo uma sensibilidade acrescida no local da biópsia. O efeito secundário mais comum da biópsia hepática percutânea é dor no local da biópsia, que desaparece passadas algumas horas. Embora raros, entre os riscos e complicações possíveis incluem-se hemorragia, (1 em 500/1.000), perfuração de órgãos internos, infeção, pneumotórax, disseminação de células cancerosas e morte (1 em 10.000/20.000). A maioria das complicações da biópsia hepática percutânea ocorre nas 24 horas seguintes ao procedimento. Caso nos dias seguintes à realização de uma biópsia hepática percutânea tenha febre, dor persistente, vermelhidão ou corrimento no local da biópsia, dor no peito, dificuldade respiratória, tonturas, náuseas, ou dor abdominal forte, deve contactar o seu médico. Para reduzir o risco de ocorrência de complicações é fundamental que o médico esteja informado sobre alergias, outras doenças presentes ou tratamentos em curso. Durante os dias seguintes ao procedimento devem ser evitadas atividades físicas ou esforços intensos.