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Cancro da mama e ovário e risco familiar

Cancro da mama e ovário e risco familiar

O cancro da mama é uma doença frequente, que atinge aproximadamente uma em cada dez mulheres. A maioria dos cancros da mama diagnosticados precocemente pode ser tratada com sucesso, como demonstram os resultados de programas de rastreio.

Em cerca de 80% dos casos, o cancro da mama é diagnosticado depois dos 50 anos.

Atendendo à elevada frequência do cancro da mama, não é de estranhar que na maioria das famílias ocorram um ou mais casos. Esses cancros são quase sempre esporádicos e multifatoriais, ou seja, o seu aparecimento e evolução dependem de uma combinação de fatores hormonais, reprodutivos, genéticos, ambientais, relacionados com o estilo de vida, e outros ainda desconhecidos.

O peso dos fatores genéticos é tanto mais elevado quanto:

  • maior for o número de familiares afetados no mesmo ramo da família (materno ou paterno);
  • menor for a idade em que é feito o diagnóstico;
  • mais próximo for o grau de parentesco;
  • existirem casos de cancro da mama bilateral, cancro da mama em homens, ou cancro da mama e cancro do ovário na mesma família.

Em casos raros, que correspondem a menos de 5% do total, o cancro da mama resulta da existência de um erro num gene predisponente. Esse erro pode ser transmitido de geração em geração, conferindo às mulheres que o herdam um risco muito aumentado de vir a ter um cancro da mama. Além do cancro da mama, a presença de um erro num gene predisponente aumenta também muito a probabilidade de cancro do ovário. Estes erros podem ser detetados através de um teste genético. No entanto, tais testes só se justificam num número reduzido de casos, em que a história familiar é muito carregada.

Na maioria das situações, os cancros da mama em famílias com vários casos não são hereditários, embora possam traduzir uma suscetibilidade genética aumentada. A probabilidade de uma mulher que tem vários familiares com cancro da mama vir a desenvolver a doença pode ser calculada com base em dados estatísticos. Quando este risco calculado é elevado, justifica-se a adoção de medidas especiais de vigilância e/ou prevenção.