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Doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer

Alzheimer: detetar é retardar!

Em Portugal, existem cerca de 150 mil doentes afetados por demências e destes, quase dois terços, ou seja 90 mil, terão demência de Alzheimer.

A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, de causa desconhecida, em que a acumulação no cérebro de substâncias tóxicas leva à morte progressiva das células neuronais.

Entre os fatores de risco mais relevantes para a doença de Alzheimer, o principal é a idade.

Esta doença é rara abaixo dos 60 anos de idade (menos de 2% dos doentes) e muito frequente depois dos 85 anos (perto de 50% dos indivíduos).

Existem formas genéticas raras e fatores genéticos que aumentam o risco mas sem obrigatoriamente implicar a possibilidade de vir a sofrer da doença.

Muitas vezes, quem nos procura, pergunta: “o meu pai tem Alzheimer, qual é o meu risco?”

Bom, se aquele ascendente direto tiver passado a sofrer de Alzheimer aos 50 anos de idade, o risco de também vir a ter a doença será elevado, podendo ser de 50%. Porém, se o progenitor tiver sofrido de Alzheimer após os 70 anos de idade, o risco, embora maior que a população em geral, será bastante menor.

Fatores de risco e sintomas

Os fatores de risco vascular tais como a hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, obesidade e a diabetes também aumentam o risco de vir a desenvolver doença de Alzheimer e devem ser tratados independentemente da idade do doente.

O primeiro sintoma é, geralmente, um défice de memória recente. O doente pode esquecer fatos do dia-a-dia e chegar a cometer erros importantes tais como deixar uma porta aberta, o lume do fogão aceso, uma torneira aberta, etc... 

Embora o doente possa ter consciência de que algo não está bem com a sua memória, não tem correta noção da gravidade do problema.

E como os esquecimentos não são por mera distração, geralmente não é capaz de reconstituir corretamente os erros cometidos.

Deve salientar-se que as memórias antigas estão habitualmente preservadas nas fases precoces da doença.

Outros sintomas precoces são a apatia e diminuição da iniciativa que podem dificultar o diagnóstico por se confundirem com doenças psiquiátricas, como a depressão.

A primeira manifestação pode surgir no contexto de uma doença médica ou mudança das rotinas do doente, traduzindo-se num síndrome ‘confusional’, com desorientação temporal e espacial, e agitação. Mais tarde surgem outros défices cognitivos tais como as alterações de linguagem, capacidade de planeamento e abstração, cálculo, orientação espacial, entre outros.

Diagnóstico e tratamento

Hoje é possível fazer o diagnóstico em fases muito precoces, quando o doente tem apenas queixas de memória.

Deve fazer-se sempre um diagnóstico o mais correto possível, independentemente da idade do doente, não só porque há demências potencialmente tratáveis, mas também para poder adequar o tratamento, prever a evolução e o risco familiar.

Nas consultas de memória e de neurologia há ainda a possibilidade de fazer exames que permitem excluir outras doenças que podem ser confundidas com a demência de Alzheimer e que podem ser tratáveis.

Por enquanto, não existe cura para a doença de Alzheimer, mas há vários tratamentos que melhoram parte dos sintomas e modificam efetivamente a expressão da doença, retardando o processo de deterioração e perda de autonomia.

Os estudos disponíveis têm demonstrado que os exercícios físico e mental ajudam a aumentar a reserva cognitiva, e que indivíduos ativos têm menos probabilidade de ter demência do que outros menos ativos da mesma idade.

Uma das áreas de investigação mais importantes nesta doença é o diagnóstico precoce. Os investigadores procuram os chamados ‘biomarcadores’, ou seja, dados que permitam fazer o diagnóstico antes de a doença estar completamente manifestada.

Quanto à prevenção, não está ainda disponível no mercado qualquer medicamento capaz de prevenir esta doença, embora a investigação nesta área seja muito promissora.

Saiba que:

  • A idade é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer
  • Esta forma de demência é rara abaixo dos 60 anos de idade
  • O primeiro sintoma da doença é, geralmente, um défice de memória recente
  • Ainda não há cura, mas existem tratamentos que retardam o avanço da doença
  • Os exercícios físico e mental ajudam a aumentar a reserva cognitiva
  • As pessoas mais ativas têm menos probabilidade de ter demência

 

Texto:

Sofia Nunes de Oliveira

Neurologia, Hospital da Luz

Artigo publicado na revista IESS