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Hipertensão arterial

Hipertensão arterial

A hipertensão arterial é, provavelmente, a causa da maior parte das consultas médicas e da prescrição de medicamentos. E somente metade dos doentes sabem que sofrem desta doença.

A hipertensão arterial (HTA) é, nos países ocidentais, um sério problema de saúde pública que, associada a outros fatores de risco muito prevalentes na população, tais como a diabetes, dislipidemia e obesidade, constitui uma mistura ‘explosiva’ e que contribui para a maior fatia de morbilidade e mortalidade no nosso país.

Quem está a ler este texto pode ser um dos alvos deste flagelo, estando incluído nos 43% da população portuguesa portadores da doença.

A hipertensão arterial é, provavelmente, a causa da maior parte das consultas médicas e da prescrição de medicamentos. Preocupante é o facto de somente metade dos doentes com hipertensão saberem que sofrem da doença. Destes, só metade recebem medicação e desta metade, só metade está controlada de forma adequada!

Desfazer mitos

Existem muitos mitos à volta da hipertensão arterial. Ao contrário do que se pensa, a esmagadora maioria das pessoas não tem sintomas diretamente causados pela subida de tensão, e surge com frequência nos serviços de saúde com as suas consequências ou lesões terminais: angina de peito, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, obstrução de um grande vaso, insuficiência renal, lesões da retina, entre outros.

As cefaleias, hemorragias espontâneas, tonturas, zumbidos e demais sintomas inespecíficos, raramente estão relacionados com a tensão elevada e, quando tal acontece, os valores são muito altos ou a subida é brusca.

Não espanta, assim, que a hipertensão arterial seja, na maioria dos casos, um achado acidental numa consulta de rotina, na realização de um ‘check-up’ ou aquando de exames preparatórios de uma cirurgia ou da aceitação de um seguro.

Abaixo de 12-8: ótimo!!

As recomendações atuais para a classificação da hipertensão (guidelines ESH-ESC de 2007) contemplam valores mais exigentes e muito aquém daqueles que o senso comum admite. Os valores normais são de 140 mmHg para a sistólica (máxima) e de 120 mmHg para a diastólica (mínima).

A nova classificação é mais exigente, estabelecendo os seguintes valores:

  • ótima: abaixo de 120/80 mmHg;
  • normal: entre 120/80 mmHg e 129/84 mmHg;
  • normal alta (também chamada pré-hipertensão): entre 130/85 mmHg e 139/89 mmHg.

Acima destes valores estamos perante hipertensão arterial, que tem graus de gravidade crescente:

  • grau 1 (sistólica de 140 a 159 mmHg e diastólica de 90 a 99 mmHg);
  • grau 2 (sistólica de 160 a 179 mmHg e diastólica de 100 a 109 mmHg);
  • grau 3 (sistólica superior a 180 mmHg e diastólica superior a 110 mmHg).

Existe ainda a hipertensão arterial sistólica isolada, que afeta especialmente as pessoas mais idosas e que se define com valores de sistólica superiores a 140 mmHg e diastólica inferior a 90 mmHg.

Esta divisão pode ser um preciosismo mas o fato de alguém ter tensão normal alta aumenta o risco de doenças cardiovasculares para o dobro quando o comparamos com o doente com tensão ótima!

Causas variadas

Mais de 90% dos doentes têm hipertensão arterial primária, essencial ou não tem causa detetável e é, em regra, multifatorial.

Só cerca de 8% dos doentes têm causas identificáveis para a sua hipertensão arterial e potencialmente tratáveis, casos de doenças endócrino-metabólicas (hiperaldosteronismo, feocromocitoma, síndrome de Cushing,...), doenças renais e renovasculares, coartação da aorta, medicação (caso de anticonceptivos orais), síndrome de apneia do sono, etc.
Convém destacar que o coração, rim, sistema nervoso central, olhos e demais órgãos são mais vezes a vítima do que a causa da hipertensão arterial.

Como causas para a doença identificam-se fatores não modificáveis, como são o sexo, idade e raça. São aceites como fatores etiológicos o consumo excessivo de sal, dislipidemia, obesidade, tabagismo, sedentarismo e excesso de álcool.

O estado de ansiedade pode contribuir para a subida de tensão, mas por si só não poderá ser responsabilizado.

Tratar até ficar normalizada

A abordagem diagnóstica e terapêutica não deve ser intempestiva e precipitada mas assertiva, já que as urgências hipertensivas e a hipertensão maligna são pouco frequentes.

O doente em estudo deverá ser submetido a exames complementares, por etapas, que estratificarão a doença.

A hipertensão arterial é uma doença para se ir tratando até atingir a normalidade. Importa realçar que é uma doença para o resto da vida e que ao longo do tempo necessita de ajustamento da terapêutica, que compreende medidas farmacológicas e não-farmacológicas. E estas são tão ou mais importantes que os medicamentos.

A mudança dos hábitos e estilo de vida são indispensáveis. A medicação cabe aos médicos fazê-la, recorrendo a vários fármacos de diferentes grupos, os quais, na maioria dos casos têm de ser combinados.

Se é hipertenso procure o seu médico de família ou especialista de Medicina Interna. Só casos mais rebeldes, complexos ou especiais necessitam de recorrer a outros especialistas.

Texto:

Luís Grangeia

Medicina Interna, Hospital da Luz Arrábida

 

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