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Osteoporose

A osteoporose é uma doença caracterizada por um aumento da porosidade do esqueleto, que provoca fragilidade óssea (diminuição da massa óssea) e aumenta o risco de fraturas. Cerca de 30% das mulheres pós-menopáusicas na Europa têm osteoporose, e, destas, pelo menos 40% irão desenvolver fraturas osteoporóticas. O esqueleto é um tecido vivo, com células bastante ativas (osteoblastos, osteoclastos e osteócitos), constantemente renovado ao longo da vida – calcula-se que o esqueleto do adulto é inteiramente renovado a cada 10 anos.

Os 206 ossos que compõem o esqueleto humano estão totalmente desenvolvidos aos 20 anos de idade e é entre os 16 e os 25 anos que se atinge o pico da massa óssea – 60 a 80 % deste pico é determinado por fatores genéticos e entre 20 e 40% é de origem ambiental.

A perda de massa óssea é uma consequência do envelhecimento, começa por volta dos 40–45 anos, acelera na altura da menopausa e continua ao longo da vida do indivíduo. Vários estudos demonstram que maximizando o pico da massa óssea é uma estratégia importante na prevenção da osteoporose – se se conseguir aumentar o pico da massa óssea em 10%, atrasa-se o aparecimento da osteoporose 13 anos e reduz-se em 50% o risco de fraturas depois da menopausa. Os homens atingem picos de massa óssea superiores às mulheres e têm perdas menores ao longo da vida pelo que só uma pequena percentagem de homens (muito) idosos terão osteoporose.

Sedentarismo prejudica

Para aumentar o pico da massa óssea, o feto ainda “in útero” deve receber uma adequada porção de cálcio pelo que se as grávidas não consumirem leite ou derivados e alimentos ricos em cálcio deve ser-lhes prescrito um suplemento de cálcio. Depois, as crianças e os adolescentes devem, além de consumirem diariamente alimentos ricos em cálcio e um aporte proteico adequado, devem ter uma atividade física regular para estimular os osteoblastos (formadores de osso). Com efeito, os fatores ambientais são responsáveis por 20-40% do pico de massa óssea. Cerca de 30 % da massa óssea da mulher pode ser perdida nos 10 anos a seguir à menopausa porque o deficit de estrogénios que caracteriza esta fase da vida leva a uma maior atividade dos osteoclastos (que reabsorvem osso) relativamente aos osteoblastos. A perda de massa óssea, consequência do envelhecimento, é explicada pela menor absorção de cálcio pelo intestino, por alterações do metabolismo da vitamina D, por algum grau de insuficiência renal e pela vida mais sedentária. A osteoporose não dá sintomas, ou melhor, quando dá já é bastante tarde pois houve uma fratura, muitas vezes, sem qualquer traumatismo pelo que é importante verificar se há risco de osteoporose e para isso é necessário realizar exames de diagnóstico. A partir dos 50 anos ou antes se houver fatores de risco maior para osteoporose, o exame a solicitar é a densitometria óssea da coluna lombar e fémur que classifica o doente em:

  • Normal – se a densidade mineral óssea (DMO) está idêntica ao valor médio para um adulto jovem;
  • Osteopenia – se houver entre 1 e 2,5 desvios padrão relativamente ao valor médio para um adulto jovem;
  • Osteoporose se o desvio padrão for superior a 2,5.

O doente com osteopenia deve ser aconselhado a modificar o seu estilo de vida, optando por uma alimentação rica em cálcio e vitamina D ou uso de suplementos – cálcio 1200 mg/dia, vitamina D 800 UI/dia; atividade física regular – caminhadas e musculação; deixar de fumar e moderar o consumo de álcool pois estas substâncias são tóxicas para os osteoblastos.
A mulher pós-menopáusica deve efetuar tratamento hormonal para combater o deficit de estrogénios (se não houver contraindicações), e como a osteoporose aumenta muito o risco de fraturas da anca, da coluna vertebral e do punho, é necessário efetuar terapêutica medicamentos a individualizar em consulta adequada – que pode ser durante a de ginecologia.

Em conclusão, as fraturas osteoporóticas têm uma incidência anual superior aos enfartes de miocárdio, aos acidentes vasculares cerebrais e ao cancro da mama e além de reduzirem significativamente a qualidade de vida de quem as sofre, aumenta o risco de mortalidade – 20% das mulheres que fraturam a anca morrem um ano após a fratura.

Com o aumento da longevidade estima-se que haverá um aumento significativo destas fraturas nos próximos anos.

Texto:

Luis Sá

Ginecologia, Hospital da Luz Aveiro