Dor cervical com dor e dormência do membro superior

O tratamento da doença degenerativa discal deverá ser adequado ao estadio da doença, diagnosticado por imagem, e ao tipo de sintomatologia apresentado pelo doente. Na dor cervical com dor e dormência do membro pode estar indicado um tratamento médico ou um tratamento cirúrgico:

  • Tratamento médico

    Perante uma crise de dor cervical, acompanhada de dor e dormência do membro superior, o tratamento inicial deverá ser médico, incluindo:

    • Repouso
    • Medicação: anti-inflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos
    • Fisioterapia: programas de tratamento estipulados em função das características de cada caso, incluindo, por exemplo, a realização de massagens, ultrassons ou programas específicos de exercício

  • Tratamento cirúrgico

    Poderá ainda estar indicado um tratamento cirúrgico quando:

    • Está diagnosticada uma hérnia discal e há uma relação forte entre as imagens e as queixas do doente
    • Ocorreu falência do tratamento conservador, por um período de quatro a oito semanas, dependendo do grau de incapacidade existente
    • Está presente um quadro de dor muito intensa resistente ao tratamento analgésico mais potente
    • É diagnosticado um défice motor a nível do membro superior, devendo o tratamento cirúrgico ser realizado o mais rápido possível para maximizar as hipóteses de recuperação neurológica.

    A intervenção cirúrgica é feita sob anestesia geral e com uma abordagem anterior da coluna cervical. Após realização de uma pequena incisão na pele na região cervical anterior, é feita a dissecção dos planos pela face interna do músculo esternocleidomastoideo, entre a traqueia, o esófago e o feixe vasculo-nervoso (artéria carótida, veia jugular e nervo vago), de forma a atingir a face anterior dos corpos vertebrais.

    Depois de localizado o espaço a intervencionar, é removido o disco intervertebral na sua totalidade e os fragmentos discais que estão extrusados para dentro do canal raquidiano e que são responsáveis pelo compromisso neurológico. Sempre que necessário podem também ser removidas as saliências ósseas da parte posterior dos pratos vertebrais (osteófitos), que sejam considerados relevantes para a situação clínica. Para finalizar, no espaço discal pode ser colocado um espaçador, com enxerto ósseo, com o objetivo de manter a altura discal e o diâmetro foraminal e promover a fusão entre os corpos vertebrais.

    A outra alternativa será a colocação de uma prótese discal que permite a preservação do movimento entre as vértebras. As vantagens da prótese discal são a promoção de uma recuperação mais rápida e a redução da probabilidade do desgaste degenerativo dos espaços discais contíguos.

    No caso de hérnias discais muito lateralizadas ou foraminais a abordagem poderá ser posterior. Assim, a incisão cutânea será cervical posterior e após a dissecção dos planos musculares para atingir os elementos posteriores da coluna, remove-se uma parte do osso e ligamento amarelo que constituem a parede posterior do canal raquidiano. Depois de exposto o canal raquidiano e o buraco de conjugação, removem-se os fragmentos de disco intervertebral deslocados e assegura-se a descompressão da raiz nervosa em sofrimento.

    Esta intervenção pode ser efetuada com técnicas minimamente invasivas, através de pequenas incisões cutâneas e musculares, permitindo uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, e um regresso rápido à vida ativa.