Questões Frequentes

Encontre aqui as respostas a algumas das questões mais comuns sobre o tratamento da coluna vertebral.

  • O que é a dor ciática?

    A dor ciática é uma dor num membro inferior, habitualmente com origem na região da coluna lombar, que pode estender-se até ao pé. Habitualmente é acompanhada de dormência, formigueiro ou alterações da sensibilidade, sendo por vezes descrita como um choque elétrico. A dor pode ter intensidade variável, habitualmente agrava com a marcha, com a posição de pé e com a tosse ou os espirros.

    A dor ciática não é uma entidade patológica ou doença, mas sim, na grande maioria dos casos, uma manifestação clínica de uma patologia da coluna lombar. As situações clínicas que mais frequentemente causam dor ciática são a hérnia discal lombar, o canal lombar estenótico e a espondilolistese degenerativa. Menos frequentemente pode surgir associada a traumatismos, infeções e tumores da coluna vertebral.

    É frequente que as crises de dor ciática sejam ultrapassadas pelo repouso e tratamento conservador, mas sempre que surjam sintomas mais graves, como a dor incapacitante persistente, falta de força no membro ou alterações do controlo do esfíncter vesical ou anal, o doente deve recorrer à consulta de um especialista em coluna vertebral.

  • O que fazer numa crise aguda de dor na coluna vertebral lombar?

    A lombalgia aguda é provocada por um esforço em flexão e/ou rotação do tronco e resulta habitualmente da distensão muscular. É uma situação muito frequente e na maioria dos casos é benigna e cerca de 50% dos doentes apresenta um alívio total dos sintomas no prazo de duas semanas.

    Nestas situações o doente deve fazer repouso e deve ser aplicado gelo nas primeiras 24-48 horas e depois calor, sobretudo se houver uma contratura muscular significativa. O repouso deverá ser feito no leito, nas primeiras 48 horas, mas depois deverá ser iniciado exercício físico ligeiro e caminhada. A necessidade de medicação deve ser estabelecida pelo médico.

  • Quais são as causas das lombalgias crónicas?

    As dores lombares crónicas têm habitualmente várias causas, estando implicados fatores constitucionais, incorreções posturais e esforços físicos repetitivos. Quando a dor lombar persiste por mais de 3 meses ou surge em crises sucessivas, pode significar que existe uma lesão das estruturas que constituem a coluna vertebral. A lesão poderá ser a nível do osso, dos músculos e ligamentos, das articulações, dos discos ou das raízes nervosas e pode ser difícil perceber a origem da dor. Para efetuar o diagnóstico desta situação é fundamental a avaliação das características da dor, o exame objetivo, os exames de imagem e, por vezes, injeções ou bloqueios anestésicos, quando existem várias zonas suspeitas.

    Algumas queixas devem ser encaradas como sintomas de alerta, sendo aconselhável que os doentes consultem com brevidade o seu médico assistente, nomeadamente, a dor noturna, a febre, a dor incapacitante para as atividades da vida diária e resistente aos analgésicos, a perda de força nos membros e as alterações do controlo dos esfíncteres vesical ou anal.

  • O que são procedimentos vertebrais percutâneos?

    As queixas dolorosas ao nível da coluna vertebral podem ter origem na lesão ou inflamação das vértebras, das estruturas de ligação entre elas ou dos discos intervertebrais. Em muitos casos, através da história clínica, do exame objetivo e dos exames de imagem, é possível perceber qual a estrutura em sofrimento. No entanto, noutros casos a dúvida persiste. O propósito dos procedimentos vertebrais percutâneos é ajudar o clínico a perceber a origem das dores, através da infiltração de medicamentos analgésicos ao nível das várias estruturas vertebrais, procurando conseguir o seu alívio.

    Os procedimentos vertebrais percutâneos podem também ser usados com fins terapêuticos, através da administração de medicação anti-inflamatória, procurando manter os efeitos por um período prolongado. No Centro da Coluna do Hospital da Luz estes procedimentos são feitos habitualmente sob anestesia local em regime ambulatório, pelos médicos de Neurorradiologia de Intervenção ou da Unidade da Dor.

  • Pelo facto de ir a uma consulta de cirurgia significa que vou ser operado?

    Não, o facto de ir a uma consulta de cirurgia não implica que vá ser operado. Na organização do Centro da Coluna do Hospital da Luz é cirurgião que define a orientação terapêutica da patologia da coluna vertebral. Depois de efetuado o diagnóstico, o doente será orientado para o tipo de tratamento mais indicado em cada caso específico. Na maioria das situações é dada a prioridade ao tratamento conservador que, em caso de insucesso, será substituído por alternativas terapêuticas de complexidade progressiva.

  • Uma intervenção cirúrgica à coluna vertebral deve ser feita por um neurocirurgião ou por um ortopedista?

    Pela sua complexidade, o tratamento cirúrgico da coluna vertebral deverá ser realizado por especialistas que adquiriram experiência nesta área durante a sua formação e que lhe dedicam uma parte importante da sua atividade diária.

    Como em qualquer especialidade, o cirurgião com melhores resultados é aquele que seleciona criteriosamente os candidatos cirúrgicos, realiza cirurgia da coluna vertebral habitualmente, que está familiarizado com as várias técnicas cirúrgicas alternativas e que é capaz de resolver as principais complicações.

    A atividade dos neurocirurgiões e dos ortopedistas no tratamento cirúrgico da coluna vertebral está cada vez mais uniformizada, seguindo também a prática realizada no resto do mundo. Explorando as especificidades de cada especialidade, preconiza-se a possibilidade de trabalharem em conjunto, de forma a partilhar experiências e a resolver os problemas de forma complementar.

  • Quando é considerada a possibilidade de um tratamento cirúrgico de patologia da coluna vertebral?

    A possibilidade de um tratamento cirúrgico de patologia da coluna vertebral é equacionada quando ocorrer uma persistência de sintomas incapacitantes, após 6 a 8 semanas de tratamento conservador, ou sempre que as dores sejam difíceis de controlar, os sintomas estejam a agravar, ocorra um défice motor de um membro ou alterações do controlo dos esfíncteres vesical ou anal. Ao cirurgião cabe verificar se os sintomas se correlacionam com as patologias diagnosticadas nos estudos imagiológicos e se está ao seu alcance aliviar os sintomas do doente com elevado grau de probabilidade.

    Não são admissíveis nesta especialidade cirurgias exploratórias, nem cirurgias com 50% de hipóteses de sucesso. Sabendo-se que não é possível substituir a coluna vertebral e que o tratamento cirúrgico não consegue resolver todos os problemas da coluna vertebral, o cirurgião deverá definir com clareza os objetivos da cirurgia e como pretende atingi-los.

  • Após a cirurgia da coluna quando é possível voltar a fazer uma vida normal?

    Uma das preocupações principais do cirurgião da coluna deve ser a promoção da recuperação rápida do doente operado, permitindo que seja reiniciada a sua vida ativa com a máxima brevidade. Habitualmente, após as intervenções cirúrgicas mais simples, o doente levanta-se às 12-24 horas e tem alta às 24 a 48 horas, com indicação para fazer repouso, mas para não permanecer permanentemente deitado, sendo incentivado a caminhar por períodos progressivamente maiores. Em média, depois da 2ª semana o doente terá indicação para começar a nadar em piscina aquecida e reiniciar as suas atividades habituais, desde que não se esforce.

    A partir dos 30 dias, se o doente tiver uma atividade profissional pouco exigente do ponto de vista físico, poderá retomar a atividade profissional. Caso contrário aconselha-se que realize treino de reabilitação muscular e inicie um período de readaptação à vida ativa que normalmente durará duas a quatro semanas. Nas cirurgias mais complicadas estes períodos serão alargados conforme cada situação específica.

  • Após a cirurgia é possível realizar exercício físico?

    Depois de estar concluída a fase de cicatrização, o doente é aconselhado a iniciar a prática de algum exercício físico. Inicialmente caminhada, algumas modalidades de natação e exercícios específicos, com o objetivo de promover a reabilitação da musculatura paravertebral. Numa fase posterior o doente deverá iniciar exercício físico regular, adaptado à sua idade e à condição clínica da sua coluna vertebral.

    Os exercícios mais aconselháveis são a natação, a hidroginástica, o pilates, o cardiofitness e o ciclismo. Todos os desportos que impliquem correr, saltar, movimentos de rotação do tronco e de aceleração-desaceleração são menos aconselháveis, embora possam ser realizados desde que o doente esteja em boa condição física e que estas atividades não desencadeiem sintomas. O exercício físico é um elemento fundamental para uma vida saudável, permitindo aliviar o stress, controlar o peso, tonificar a musculatura, corrigir a postura e manter uma função cardiorrespiratória adequada.

  • É necessário realizar fisioterapia depois da cirurgia da coluna vertebral?

    Nas primeiras horas após a intervenção cirúrgica o doente deverá receber instruções sobre a forma de se mobilizar no leito, de se levantar e de iniciar a marcha. Antes da alta hospitalar, a avaliação pelo especialista em Medicina Física e Reabilitação permitirá estabelecer um plano de recuperação funcional que poderá passar por exercícios físicos simples realizados no domicílio ou, se necessário, a realização de tratamentos em locais especializadas.

    Na maioria dos casos é incentivado o regresso progressivo à vida ativa, habitualmente, em 3 a 4 semanas, e são dispensados os tratamentos de fisioterapia. Em sua substituição o doente deverá realizar exercício físico ligeiro, natação, hidroginástica, ginástica cardiorrespiratória ou pilates.

    No caso de cirurgias mais complicadas com períodos de imobilização prolongados, antes ou após a intervenção, é em geral aconselhada a realização de tratamentos de fisioterapia e terapia ocupacional. Conforme a avaliação do doente será estabelecido um programa com os objetivos de fortalecimento muscular, flexibilidade, resistência e controlo da dor.

  • É possível fazer uma ressonância magnética depois de uma cirurgia da coluna?

    A ressonância magnética é um exame complementar fundamental para o diagnóstico e orientação terapêutica de diversas patologias do foro neurológico, visceral ou músculo-esquelético. A realização de ressonância magnética está interdita a doentes que sejam portadores de implantes médicos ferro-magnéticos.

    Na atualidade a grande maioria dos implantes colocados na coluna vertebral são fabricados com materiais metálicos ou plásticos compatíveis com a ressonância magnética, permitindo reavaliar no futuro a patologia tratada ou estudar e tratar outras doenças. Assim, se estiver a ser planeada uma intervenção cirúrgica com a colocação de implantes na coluna vertebral, o doente deverá certificar-se da sua compatibilidade com a ressonância magnética.

  • É possível ter de repetir uma cirurgia à coluna?

    O processo degenerativo vertebral atinge habitualmente vários segmentos e, portanto, o facto de ser operado a uma hérnia discal a um nível não exclui a hipótese de formar uma hérnia discal num nível adjacente.
    No caso específico da hérnia discal lombar operada existe uma probabilidade de cerca 10 a 15% de recidiva, sobretudo nas primeiras 6 semanas após a intervenção cirúrgica.

    Outras justificações para uma reintervenção são a persistência de compressão radicular, a instabilidade intervertebral e a deformidade.

    Raramente a reintervenção é impossível e, apesar de algum acréscimo de risco, poderá ser fundamental para a melhoria da qualidade de vida. Atualmente existem várias técnicas cirúrgicas que permitem resolver problemas dos doentes operados e esta solução deverá ser equacionada em tempo útil, antes que ocorram lesões neurológicas ou atrofia muscular irreversíveis.