Carcinoma da tiroide

O carcinoma da tiroide (cancro da tiroide) é um tumor maligno relativamente raro, que afeta com maior frequência o sexo feminino.

Na tiroide existem dois tipos de células endócrinas (produtoras de hormonas):

  • as células foliculares, produtoras das hormonas T4 e T3
  • as células C, produtoras de calcitonina

O carcinoma papilar e o carcinoma folicular têm origem nas células foliculares e representam cerca de 85% dos tumores malignos da tiroide. São também designados carcinomas diferenciados de origem folicular.

Os carcinomas pouco diferenciados, medulares (com origem nas células C) e os carcinomas anaplásicos são muito menos frequentes.

  • Diagnóstico

    O diagnóstico de carcinoma da tiroide surge, quase sempre, na sequência da avaliação de um nódulo indolor da tiroide.

    Embora existam vários sinais e sintomas que podem levantar suspeitas quanto à malignidade de um nódulo (por exemplo, crescimento progressivo, rouquidão, dureza do nódulo, presença de gânglios aumentados), estes não são de forma alguma definitivos.

    O exame que permite uma maior aproximação ao diagnóstico final é a citologia aspirativa com agulha fina. No entanto, mesmo um diagnóstico de malignidade por este método requer confirmação através da análise da totalidade do nódulo ao microscópio (exame histológico), após a cirurgia.

  • Tratamento

    O tratamento dos carcinomas papilar e folicular da tiroide tem três vertentes fundamentais:

    • Cirurgia

    Sempre que exista um diagnóstico de carcinoma, a totalidade da tiroide deverá ser retirada cirurgicamente (tiroidectomia total). A cirurgia poderá também envolver os gânglios do pescoço, se estes estiverem afetados pela doença. Saiba mais sobre cirurgia nas doenças da tiroide aqui.

    • Iodo radioativo (Iodo-131)

    A administração de iodo radioativo é uma forma de radioterapia que atinge seletivamente os tumores malignos derivados das células foliculares (carcinomas papilar, folicular e pouco diferenciado), poupando a generalidade dos tecidos e órgãos não afetados pela doença. Saiba mais sobre tratamento com iodo radioativo nas doenças da tiroide no Hospital da Luz aqui.

    • Hormona da tiroide

    Em muitos casos, a tiroxina deverá ser administrada numa dosagem que permita a supressão da produção de TSH pela hipófise, pois esta hormona estimula a multiplicação das células malignas da tiroide que possam não ter sido eliminadas pela cirurgia.

    • Outras opções de tratamento

    Em situações pontuais pode ser necessário recorrer a outras opções terapêuticas, de que são exemplo a radioterapia externa, a radioterapia ou a termoablação tumoral.

  • Vigilância e Evolução do Carcinoma da Tiroide

    Após o tratamento inicial (cirurgia e eventualmente iodo radioativo), as pessoas com carcinoma diferenciado da tiroide de origem folicular devem ser vigiadas periodicamente num centro especializado no tratamento de doenças da tiroide. Este seguimento deverá ser prolongado já que, mesmo anos após o diagnóstico e tratamento inicial, é possível que a doença volte a surgir.

    No seguimento destes doentes revestem-se de especial importância:

    • A avaliação clínica, realizada em cada consulta. A palpação cervical é parte fundamental deste exame.
    • O doseamento da tireoglobulina. A tireoglobulina é uma molécula produzida apenas pela tiroide. Após a tiroidectomia e tratamento com iodo radioativo, se não existirem células malignas, o nível de tireoglobulina no sangue será, na maioria dos casos, indetetável. O seu reaparecimento ou aumento dos níveis, estão associados, muito provavelmente, a uma recidiva ou progressão da doença.
    • A ecografia do pescoço, exame indolor e inócuo, que permite suspeitar de lesões malignas com uma dimensão inferior a 0,5 cm.

    Os carcinomas papilar e folicular da tiroide, quando tratados de forma adequada, têm um prognóstico excelente, com taxas de sobrevivência da ordem dos 95% aos dez anos após o diagnóstico.