Nódulo da Tiróide

Nódulos da tiroide são estruturas de morfologia mais ou menos esférica que podem surgir no interior da glândula.

Uma tiroide com nódulos designa-se tecnicamente bócio nodular.

Os nódulos da tiroide são mais frequentes no sexo feminino e a sua prevalência aumenta com a idade. Com recurso a ecografia é possível identificar nódulos na tiroide em mais de 50% das mulheres acima dos 50 anos.

  • Tipos de Nódulos da Tiroide

    Na tiroide podem desenvolver-se diversos tipos de nódulos, que podem ser classificados em:

    • Benignos, 
    • Malignos, também designados cancro ou carcinoma da tiroide. 

    Os nódulos benignos podem ser:

    • Quistos
    • Nódulos hiperplásicos (colóides)
    • Adenomas

    Um nódulo é maligno quando tem capacidade para invadir outras estruturas fora dos limites físicos da glândula. Estes nódulos são pouco frequentes, sendo identificados em apenas 5% das pessoas com bócio nodular. O carcinoma da tiroide também pode ter de vários tipos, sendo o carcinoma papilar o mais comum e, na generalidade dos casos, o menos agressivo.

  • Causas e Sintomas

    Não existe uma causa única para o aparecimento de nódulos na tiroide.

    Entre os fatores que podem contribuir para o seu aparecimento incluem-se:

    • a carência de iodo
    • alterações genéticas (que podem ser transmitidas entre gerações)
    • a inflamação da tiroide
    • a exposição a radiações na infância

    A maioria dos nódulos da tiroide não provoca sintomas. Assim, muitas vezes, os nódulos são identificados numa visita médica ou exame de imagem de rotina, frequentemente uma ecografia.

    Os sintomas, quando presentes, podem ser consequência tanto do mau funcionamento da tiroide como do seu volume excessivo:

    • Alguns nódulos produzem quantidades excessivas de hormonas, estando assim associados a palpitações, perda de peso, tremores, ansiedade e intolerância ao calor. Estes nódulos designam-se tóxicos ou hiperfuncionantes e só muito raramente são malignos.
    • Os nódulos muito volumosos podem comprimir as estruturas vizinhas do pescoço, causando, por exemplo, rouquidão ou dificuldade em respirar e deglutir.

  • Diagnóstico

    A acuidade do processo de diagnóstico depende, de forma importante, da experiência e da articulação entre os profissionais nele envolvido.

    A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelos médicos, em função das características e especificidades da situação de cada doente. Quando são detetados, os nódulos da tiroide devem ser objeto de avaliação médica. Pretende-se, sobretudo, investigar se a tiroide funciona de uma forma normal e excluir a existência de um tumor maligno. Na generalidade dos casos são realizados com este objetivo três tipos de exames:

    • Análises de sangue

    São determinados no sangue os níveis das hormonas da tiróide (T4 e T3) e da hormona da hipófise que regula o funcionamento da tiróide (TSH). Quando um ou mais nódulos funcionam em excesso pode surgir um hipertiroidismo, que se traduz por níveis de TSH inferiores ao normal e, eventualmente, níveis de T3 e/ou T4 aumentados. A realização destas análises não necessita de jejum.

    • Ecografia do pescoço

    A ecografia do pescoço permite avaliar a dimensão dos nódulos, identificar se são únicos ou múltiplos, elucidar sobre risco de malignidade (embora não permita um diagnóstico definitivo) e, ainda, avaliar os gânglios do pescoço. Trata-se de um exame de elevada precisão, relativamente económico, indolor e inócuo, já que não implica exposição a radiação.

    • Citologia aspirativa com agulha fina (CAAF)

    A citologia aspirativa com agulha fina (CAAF) consiste na recolha de células do nódulo para análise ao microscópio. Essa colheita é efetuada através da punção do nódulo com uma agulha de calibre muito fino. É um procedimento geralmente pouco doloroso, muito rápido, semelhante a uma injeção, através da qual se aspiram as células necessárias ao diagnóstico. Tem como objetivo principal identificar os nódulos malignos. Por vezes, o número de células recolhido é insuficiente ara fazer um diagnóstico, o que torna necessário equacionar a necessidade de repetição do exame. É também possível que o diagnóstico não seja conclusivo, ou seja, que a citologia não permita afirmar com segurança se o nódulo é benigno ou maligno. Em algumas destas situações é mais seguro recorrer diretamente à cirurgia. Tal como acontece com a generalidade dos exames médicos, a fiabilidade da citologia não é total. Por esse motivo, mesmo os nódulos cuja citologia é benigna devem ser objeto de vigilância.

    Nem todos os nódulos devem ser sujeitos a citologia. Considera-se que este exame não deve ser realizado em nódulos com menos de 1/1.5 cm, sobretudo se o risco de malignidade for baixo, de acordo com as suas características clínicas e ecográficas. Quando a tiroide tem múltiplos nódulos, a citologia deverá ser realizada nos considerados mais suspeitos.

    A citologia deve ser orientada por ecografia quando o nódulo se palpa com dificuldade ou quando existem vários nódulos e, no exame clínico, nenhum é particularmente suspeito. Por isso, é muito importante que o médico que realiza este exame esteja bem identificado com a patologia da tiroide.

    • Outros exames

    Outros exames, como uma cintigrafia da tiroide ou uma tomografia computorizada (TAC) só devem ser efetuados em situações pontuais.

  • Tratamento

    • Tratamento médico

    Na generalidade dos casos, o tratamento com medicamentos é pouco eficaz na redução do volume dos nódulos da tiroide.

    • Tratamento cirúrgico

    Em regra, a cirurgia está indicada quando o nódulo é maligno ou há suspeita de malignidade ou ainda quando, pelo seu volume, os nódulos condicionam alterações respiratórias.

    • Tratamento com Iodo-131

    O tratamento com Iodo-131 (iodo radioativo) deve ser equacionado quando o nódulo produz hormonas em excesso. As atividades de Iodo-131 administradas nestes casos são muito inferiores às utilizadas no carcinoma da tiroide, o que torna o internamento desnecessário.