Cefaleia em Salvas

A cefaleia em salvas é uma dor de cabeça, rara, unilateral, geralmente localizada de um lado da cabeça envolvendo a região da testa e têmpora. As crises são de curta duração (15 a 180 minutos), geralmente ocorrem sempre nos mesmos horários, e repetem-se uma ou mais vezes por dia, agrupadas em salvas, que duram semanas a meses, separados por períodos sem doença.

A cefaleia em salvas pode ser episódica ou crónica. No primeiro caso, as crises de dor de cabeça ocorrem diariamente por um período que dura em média seis a doze semanas, denominado surto. É frequente que estes os surtos de dor se repitam com uma determinada periodicidade, geralmente todos os anos e na mesma altura do ano, e entre estes episódios os doentes ficam completamente sem dor. A cefaleia em salvas crónica é bastante mais rara; as crises são diárias e não há períodos livres de dor ou, se existem, têm uma duração inferior a um mês.

Estima-se que três em cada mil pessoas tenham cefaleia em salvas. Esta cefaleia afeta os homens cinco vezes mais do que as mulheres, costuma manifestar-se entre os 20 e os 40 anos de idade e parece ser mais frequente entre os fumadores ou ex-fumadores.

  • Causas

    As causas da cefaleia em salvas não são conhecidas. Em alguns doentes, quando em surto, esta cefaleia pode ser desencadeada pelo consumo de álcool, pelo tabaco, por alguns medicamentos ou por alterações dos padrões de sono habituais. A cefaleia em salvas parece também ter alguma influência genética, pois é mais comum entre elementos da mesma família.

  • Sintomas

    Na cefaleia em salvas a dor é muito intensa, unilateral, com localização no olho, sobre este ou na região temporal e, geralmente, sempre do mesmo lado. O olho afetado pode ficar vermelho e a lacrimejar, bem como a narina do mesmo lado. Acompanha-se de inquietação.

    No mesmo doente, as crises tendem a ocorrer sempre à mesma hora. Muitas vezes acordam o doente de um sono profundo.

  • Diagnóstico

    O diagnóstico da cefaleia em salvas baseia-se na descrição dos sintomas, que são muito típicos, e na história do doente. O seu médico pode pedir-lhe alguns exames para confirmar que não há outra situação a provocar os mesmos sintomas.

  • Tratamento

    O tratamento da cefaleia em salvas é difícil e requer intervenção médica. Os analgésicos comuns não têm efeito neste tipo de cefaleia. Além disso, durante as salvas, é necessário tratar a crise de cefaleia e prevenir as cefaleias posteriores.

    Para o tratamento sintomático recorre-se habitualmente à administração de oxigénio e a fármacos analgésicos específicos. Alguns doentes beneficiam também de um tratamento profilático.

    Devem também ser evitados fatores desencadeadores (álcool, tabaco, medicamentos) e alterações dos hábitos de vida.