Cirurgia minimamente invasiva - Lisboa

A partir da década de 80, o desenvolvimento da cirurgia minimamente invasiva alterou profundamente a forma como eram, até então, realizadas muitas operações.

Em termos gerais, a expressão "minimamente invasiva" significa que se trata de uma abordagem cirúrgica menos traumática do que a cirurgia aberta.

Na cirurgia por via aberta, também conhecida por cirurgia convencional ou por cirurgia tradicional, a via de acesso à região a operar é uma incisão cuja dimensão permite um acesso direto, tanto visual como tátil, à região operada. Esta forma de acesso simplifica, em regra, a execução técnica dos procedimentos; no entanto, a cirurgia aberta tem várias desvantagens quando comparada com abordagens menos invasivas.

Na cirurgia minimamente invasiva o acesso à região operada é feito com pequenas incisões. Através destas são introduzidos instrumentos cirúrgicos específicos e um videoendoscópio que transmite as imagens da região a operar para monitores presentes na sala operatória. Estas imagens guiam os ações do cirurgião para concretizar os procedimentos. A menor invasibilidade desta abordagem traduz-se, globalmente, em menos efeitos indesejáveis e numa recuperação mais rápida dos doentes.

Gradualmente têm sido desenvolvidas técnicas minimamente invasivas para muitos procedimentos cirúrgicos, sempre acompanhadas por desenvolvimento tecnológico que visa expandir a sua utilização, diminuindo as dificuldades impostas aos cirurgiões e melhorando os resultados para os doentes.

  • Particularidades da cirurgia minimamente invasiva

    A cirurgia minimamente invasiva tem as seguintes particularidades:

    • Realizam-se intervenções cirúrgicas através de vias de acesso de dimensões reduzidas

    São necessários, apenas, alguns orifícios (regra geral, entre 3 a 5), com dimensões que variam entre os 5 e os 10 mm, um dos quais permite a introdução de um vídeoendoscópio (de 5 ou 10 mm de diâmetro, conforme a intervenção) e os restantes a introdução de instrumentos cirúrgicos (pinça, tesoura e outros) desenhados especificamente para este tipo de cirurgia. Evita-se, assim, a realização de uma incisão, média ou grande (como na cirurgia por via aberta ou tradicional), com todas as vantagens inerentes: menos dor e mais conforto no pós-operatório, melhor resultado estético, menos infeções da ferida operatória no imediato e menos hérnias incisionais (hérnias através da cicatriz operatória, que têm uma incidência de cerca de 10 a 15%, em cirurgia tradicional), a curto ou médio prazo.

    • Reduz-se a manipulação cirúrgica das estruturas e órgãos sobre os quais a intervenção incide

    Em cirurgia minimamente invasiva, o cirurgião e os seus ajudantes não introduzem as mãos nas regiões, órgãos ou segmentos operados. Todo o procedimento é realizado com recurso a instrumentos cirúrgicos finos e delicados; evita-se, assim, a manipulação grosseira das estruturas anatómicas e reduz-se a agressividade e o traumatismo internos associados ao procedimento.

    • Otimiza-se a visibilidade, graças a uma ampliação da imagem até 10 vezes e à excelente qualidade com que esta é transmitida

    A qualidade da imagem dos aparelhos atuais, a sua capacidade de ampliação até 10 vezes e a dimensão reduzida dos endoscópios permitem dissecar e observar de forma clara estruturas anatómicas, como vasos sanguíneos ou nervos, de dimensões ou calibre tão reduzidos que em cirurgia tradicional (aberta) não são identificados. Permitem, também, visualizar cavidades ou recessos de abordagem difícil, que não seriam acessíveis em cirurgia tradicional. Isto traduz-se em menos lesões de estruturas anatómicas importantes, apesar de pequenas, e numa redução ao mínimo das perdas de sangue (graças ao controlo eficaz dos vasos sanguíneos mais pequenos que, em cirurgia tradicional, são com frequência seccionados inadvertidamente).

    • Evita-se, durante toda a intervenção, uma exposição indesejável do segmento do corpo operado ao ar e ao ambiente extracorporal

    Em cirurgia tradicional há uma exposição do segmento ou cavidade natural operados ao ar e ao ambiente extracorporal. Esta exposição prolonga-se durante toda a intervenção cirúrgica e está associada a um aumento exponencial do risco de infeções e de desequilíbrios hidroeletrolíticos importantes, que contribuem para enfraquecer a resposta imunitária. Evitando esta situação, a cirurgia minimamente invasiva reduz o risco de infeção, previne os desequilíbrios hidroeletrolíticos e reforça a resposta imunitária.

    Dependendo do local da intervenção, a cirurgia minimamente invasiva pode ter outras designações, como por exemplo:

    • Laparoscopia para a cavidade abdominal
    • Toracoscopia para a cavidade torácica
    • Artroscopia para as articulações

  • Vantagens gerais da cirurgia minimamente invasiva

    A cirurgia minimamente invasiva tem as seguintes vantagens gerais quando comparada com a cirurgia aberta:

    • Menos dor no pós-operatório 
    • Menor sobrecarga e melhor resposta do sistema imunitário
    • Recuperação geral mais rápida 
    • Regresso mais rápido à atividade profissional 
    • Menor incidência de infeções 
    • Menor incidência de hérnias incisionais 
    • Cicatrizes operatórias pouco visíveis

  • Campos de aplicação da cirurgia minimamente invasiva

    A cirurgia minimamente invasiva convencional tem vários campos de aplicação.

    Atualmente, no Hospital da Luz, destacam-se os seguintes:

    Em cirurgia geral:

    • Cirurgia da obesidade
    • Cirurgia metabólica ou cirurgia da diabetes
    • Cirurgia do esófago, estômago e duodeno
    • Cirurgia do colon, reto e ânus
    • Cirurgia do fígado, vesícula e vias biliares
    • Cirurgia da parede abdominal (hérnias)

    Em ginecologia:

    • Cirurgia da endometriose
    • Ginecologia oncológica
    • Patologia do pavimento pélvico (prolapsos)
    • Histerectomia
    • Miomectomia
    • Patologia dos anexos