Cancro da bexiga

A bexiga é um órgão oco e distensível que faz parte do sistema urinário. Está ligada aos rins pelos ureteres e a sua função é armazenar a urina produzida, até que esta seja eliminada para o exterior através da uretra.

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O cancro da bexiga é mais frequente nos homens do que nas mulheres, com uma relação de cerca de 3 casos para 1. Considerando a frequência de todas as formas de cancro, nos homens ocupa o sétimo lugar e nas mulheres ocupa o 15º.

Mais de 90% dos cancros da bexiga têm origem no revestimento interno deste orgão, que se designa urotélio.

O consumo de tabaco é o principal fator de risco para o desenvolvimento do cancro da bexiga. Outros fatores de risco são, por exemplo, a exposição a alguns compostos químicos e a existência de história pessoal ou familiar de cancro da bexiga.

  • Sintomas

    O cancro da bexiga pode ter sintomas similares aos de outras doenças como, por exemplo, uma infeção. Assim, o diagnóstico de cancro da bexiga requer uma avaliação médica detalhada e a realização de exames complementares de diagnóstico.

    A presença de sangue na urina, a urgência urinária, a necessidade de urinar mais vezes do que o habitual, a perceção de necessidade de esvaziar a bexiga sem qualquer resultado, a necessidade de fazer força para conseguir esvaziar a bexiga e a dor durante a micção encontram-se entre os sintomas que podem estar associados ao cancro da bexiga e também a muitas outras doenças.

  • Tratamento

    A escolha do tratamento a realizar para o cancro da bexiga depende do tipo e localização do tumor, do nível de invasão da parede da bexiga e dos tecidos envolventes, da disseminação para outros tecidos ou orgãos, da idade e do estado geral do doente e de particularidades de cada caso.

    O carcinoma do urotélio é o tipo de tumor da bexiga mais comum, representando cerca de 90% dos casos tanto na Europa como nos Estados Unidos:

    O tratamento do cancro da bexiga pode envolver:

    • Cirurgia 
    • Quimioterapia
    • Radioterapia
    • Terapêutica biológica

  • Cirurgia do cancro da bexiga

    O tratamento de eleição, tanto na doença superficial de risco elevado como no cancro com invasão da camada muscular da bexiga não metastizado, é a cistectomia radical (remoção cirúrgica da bexiga). A extensão da cirurgia aos órgãos vizinhos está relacionada com a dimensão do tumor, a invasão dessas estruturas e o sexo do doente. Normalmente, é realizada também a remoção dos gânglios linfáticos pélvicos (linfadenectomia pélvica).

    Nos homens, a cistectomia radical inclui a remoção cirúrgica da bexiga, próstata e vesículas seminais; nas mulheres, inclui a remoção cirúrgica da bexiga, útero e zona superior da vagina.

    Uma vez que a bexiga é removida, torna-se necessário criar um novo local para armazenamento da urina. Este procedimento é designado derivação urinária e envolve a utilização de um segmento de intestino delgado ou intestino grosso. Dependendo, também, da extensão do tumor, da idade do doente e das suas preferências, pode ser realizada uma derivação urinária por conduto ileal ou uma reconstrução da ileal da bexiga (bolsa). Assim:

    • A urina pode ser direcionada através de um canal formado com o segmento de intestino para uma abertura criada na superfície da pele, que se designa estoma. É depois aplicado ao estoma um saco destinado a armazenar a urina, que o doente esvazia sempre que necessário. 
    • É criado um reservatório sob a pele construído a partir do segmento de intestino. A urina formada é armazenada neste reservatório e este é esvaziado com um cateter (tubo fino). Neste caso, não é necessário o doente usar um saco exterior para armazenar a urina.
    • É criada uma nova bexiga, a partir do segmento de intestino, que é ligada à uretra e permite que o doente urine normalmente.

  • Cirurgia robótica no cancro da bexiga

    cancro_bexigaHabitualmente, a cirurgia do cancro da bexiga é realizada por via aberta. No entanto, em muitos casos, já se usa também a laparoscopia assistida por robot. Atualmente, muitos centros em toda a Europa realizam já todo o procedimento sem necessidade de uma grande incisão.

    Na cistectomia radical minimamente invasiva (assistida ou não por cirurgia robótica), o objetivo é obter resultados oncológicos semelhantes aos da via aberta, diminuindo, simultaneamente, as complicações pós-operatórias potenciais e o período de recuperação.

    O interesse dos urologistas com experiência em cirurgia robótica pela cistectomia laparoscópica assistida por robot tem aumentado nos últimos anos. Com efeito, a visão tridimensional e os instrumentos com articulação intracorporal diminuem significativamente a complexidade do procedimento totalmente laparoscópico, com vantagens para os doentes.