Cancro da próstata

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino. Tem cerca de 4 a 5 cm de diâmetro e localiza-se sob a bexiga e anteriormente ao reto, rodeando a uretra. A sua função é produzir um fluido que faz parte da composição do sémen.

apmasc_ladoO cancro da próstata é a neoplasia mais comum no homem. A sensibilização crescente para a importância desta doença e o seu diagnóstico precoce têm contribuído para uma diminuição da mortalidade que lhe está associada. Atualmente, cerca de 80% dos novos casos diagnosticados de cancro da próstata são passíveis de tratamento curativo.

A incidência de cancro da próstata aumenta com a idade, sendo raros os casos nos homens com menos de 50 anos.

O cancro da próstata parece ter alguma relação com fatores genéticos, ou seja, o risco de desenvolver a doença é mais elevado quando existem antecedentes familiares. Estão também identificados alguns genes ligados a esta doença. Os africanos e os asiáticos são os grupos étnicos com, respetivamente, maior e menor risco de desenvolver cancro da próstata.

É também referida uma relação entre a obesidade e o desenvolvimento e recorrência de cancro da próstata. Os hábitos de vida saudáveis, nomeadamente uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico, são apontados como medidas que ajudam prevenir o desenvolvimento de doenças oncológicas.

  • Sintomas

    A maioria dos sintomas associados ao cancro da próstata não é específica desta doença. Assim, o diagnóstico de cancro da próstata requer uma avaliação médica detalhada e a realização de exames complementares de diagnóstico.

    Os cancros da próstata em fase precoce podem não dar origem a quaisquer sintomas e ser detetados apenas por um aumento dos valores de PSA (antigénio específico da próstata) ou por alterações do órgão percetíveis num toque retal e que terão de ser alvo de investigação adicional.

    As dificuldades associadas à micção, as alterações do fluxo urinário, a presença de sangue na urina ou no sémen, a dor durante a micção e a ejaculação e a dor repetida na região lombar, na anca e nas coxas são sintomas que podem ocorrer nos doentes com cancro da próstata, mas também com outras doenças.

  • Tratamento

    O tratamento e o prognóstico do cancro da próstata dependem, principalmente, da dimensão do tumor, da sua agressividade, da invasão de outras estruturas além da próstata, da idade e do estado geral do doente, entre outras particularidades de cada caso.

    As opções de tratamento para o cancro da próstata, usadas isoladamente ou em combinação, são:

    • Cirurgia (prostatectomia)
    • Braquiterapia
    • Radioterapia externa 
    • Hormonoterapia
    • Quimioterapia
    • Atitude conservadora, com vigilância ativa e reavaliação periódica 

    No Hospital da Luz é possível realizar todos os tratamentos preconizados para o cancro da próstata. A decisão sobre o tratamento mais adequado para cada caso envolve, frequentemente, uma intervenção multidisciplinar, ou seja, a análise conjunta de todos os dados do caso por médicos das várias especialidades que podem ter intervenção nesta doença.

    Nesta área do site do Hospital da Luz, dedicada ao Centro de Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva, encontrará informação sobre a cirurgia do cancro da próstata.

  • Cirurgia do cancro da próstata

    Na maioria dos casos, a abordagem de eleição para o cancro da próstata localizado é o tratamento cirúrgico, mais especificamente a prostatectomia radical. Com efeito, a prostatectomia radical, independentemente da abordagem usada (aberta, laparoscópica ou robótica), tem revelado sistematicamente resultados mais favoráveis e permitido uma maior sobrevivência.

    Na prostatectomia radical aberta, através de uma incisão abdominal na linha média, é removida toda a próstata e as vesículas seminais, seguindo-se a sutura do colo vesical à uretra; quando necessário são também removidos os gânglios linfáticos pélvicos. Procura-se preservar o músculo do esfíncter externo para manter a continência e o feixe neurovascular para manter a função erétil, sempre que oncologicamente isso seja possível. No entanto, na prostatectomia radical há tem sempre um risco considerável de incontinência e de impotência pós-operatória.

    A cirurgia minimamente invasiva tradicional começou a ser usada na prostatectomia radical no final da década de 1990. Neste caso, o cirurgião usa incisões de dimensão muito reduzida e opera numa cavidade abdominal insuflada por dióxido de carbono, com uma visão a duas dimensões e usando instrumentos rígidos. Com esta abordagem laparoscópica, o controlo oncológico e os resultados funcionais melhoraram relativamente à cirurgia aberta, mas a curva de aprendizagem do cirurgião é muito longa. Assim, só em centros com grande volume de doentes é possível adquirir a experiência necessária para obter os melhores resultados.

    Mais recentemente, o desenvolvimento e a introdução do sistema de cirurgia robótica Da Vinci alteraram profundamente a abordagem do cancro da próstata em todo o mundo. Este equipamento permite que o cirurgião opere em excelentes condições ergonómicas, com uma visão do campo operatório de grande ampliação e em três dimensões, usando instrumentos articulados que simulam os movimentos do punho humano e com filtração do tremor. Assim, a prostatectomia laparoscópica assistida por robot (RALP) resulta em menores estadias hospitalares, menos perdas sanguíneas perioperatórias, menos dor pós-operatória e numa recuperação global mais rápida.

    A bibliografia científica atual aponta também para uma vantagem da cirurgia robótica em termos de continência e função erétil, relativamente à laparoscopia e à cirurgia aberta, além de permitir um controlo oncológico comparável.

  • Cirurgia robótica no cancro da próstata

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    A realização de uma prostatectomia radical por cirurgia robótica permite:

    • Uma melhor visualização das estruturas anatómicas, particularmente do apex prostático e uretra, e dos plexos neurovasculares látero-prostáticos
    • Uma tração e contra-tração eficazes da próstata, bexiga e estruturas anatómicas adjacentes, com um impacto muito favorável na precisão da dissecção da próstata e estruturas contíguas
    • Uma anastomose uretro-vesical precisa e estanque

     

    Na prostatectomia radical robótica tem-se verificado também um melhor resultado funcional, no que se refere a:

    • percentagem e grau de recuperação da função erétil
    • rapidez de retorno da continência urinária