Terapêutica da diabetes

A terapêutica da diabetes tem de ser planeada individualmente, tendo em consideração as características de cada doente e a suas circunstâncias sociais.

Tal como não é possível padronizar a terapêutica, também os objetivos devem ser adaptados a cada situação. Devem ser ponderados os riscos e benefícios de cada ato terapêutico, bem como a capacidade que cada doente tem para implementar o que pretendido.

O conhecimento sobre as consequências da diabetes a médio e longo prazo tem origem em estudos realizados com grandes populações. Estes resultados permitiram estabelecer objetivos genéricos para a população. 

O principal é garantir um valor médio de glicemia suficientemente controlado, de forma a reduzir as complicações da doença. O valor médio da glicemia é determinado por um parâmetro laboratorial - a hemoglobina glicosilada ou A1c - cujo valor normal máximo é de cerca de 6,0% (na generalidade dos laboratórios).

Com base neste parâmetro as sociedades científicas definiram os seguintes objetivos de controlo, ou seja, valores médios de glicémia acima dos limites normais:

  • A Associação Europeia para o Estudo da Diabetes define um valor igual ou inferior a 6,5%, na ausência de hipoglicemias
  • A Associação Americana de Diabetes considera o valor de 7,0%, na ausência de hipoglicemias
  • Ambas as sociedades consideram que os objetivos não devem ser tão ambiciosos em pessoas com doença associada grave, idade avançada ou com diabetes de longa evolução e com dificuldade em atingir os objetivos atrás referidos. Nestes pessoas tenta-se obter o melhor controlo possível, mas sem objetivos perfeitamente definidos

Os objetivos atrás referidos traduzem a dificuldade de obter valores muito controlados e a necessidade de evitar valores muito baixos. De facto, ao tentar controlar os valores corre-se o risco de provocar hipoglicemias, que podem ter resultados muito prejudiciais.

É importante igualmente controlar outros fatores de risco cardiovascular associados, atraves de:

  • Cessação tabágica
  • Controlo da hipertensão 
  • Controlo dos níveis de colesterol
  • Utilização de anti-agregantes plaquetários em pessoas de grande risco cardiovascular
  • Que tipos de insulina existem?

    A descoberta da insulina é dos momentos chave na história da medicina. Podemos mesmo falar do período anterior à sua descoberta – em que as pessoas com diabetes mellitus tipo 1 invariavelmente morriam – e do período posterior.

    Durante muito tempo apenas existiu insulina derivada de insulina extraída de animais.

    A evolução da técnica permitiu mais tarde a síntese de insulina que é em tudo semelhante à que é produzida pelo homem: é a chamada insulina humana. Nesta, foram efetuadas modificações que permitiram distinguir a insulina humana em insulina de absorção rápida e de mais absorção mais lenta – a insulina de absorção intermédia.

    Insulinas humanas de absorção rápida – Insulina Actrapid, Insulina Regular

    A sua ação inicia-se cerca de 30 minutos após a sua administração, atinge o efeito máximo após 1,5 a três horas e a duração de ação é de aproximadamente sete a oito horas.

    Insulinas humanas de absorção intermédia – Insulina Insulatard, Insulina Humulin NPH, Insulina Basal

    A sua ação inicia-se cerca de duas horas após a administração, atinge o pico cerca de seis a oito horas depois e a duração total de acção é de 12 a 14 horas.

     

    Mais recentemente, o desenvolvimento da recombinação genética permitiu produzir insulinas artificiais, em que a modificação de aminoácidos modifica o padrão de absorção – são os análogos de insulina. Entre estes, destacam-se os análogos de absorção ultra-rápida e os análogos de absorção lenta.

    Análogos de insulina de absorção rápida – Insulina Humalog, Insulina NovoRapid, Insulina Apidra

    O perfil de ação dos análogos de absorção rápida difere ligeiramente entre eles. De uma forma genérica, iniciam a sua actividade cerca de 15 minutos após a administração, o pico de ação ocorre cerca de uma a duas horas depois e a duração total de ação é de seis horas.

    Análogos de insulina de absorção lenta – Insulina Lantus, Insulina Levemir

    O perfil destas duas insulinas difere, apesar de ambas terem uma duração de ação de cerca de 24 horas. Ambas iniciam a sua acção cerca de duas horas após a sua administração e não apresentam um pico de ação significativo.    

     

    Entre as insulinas disponíveis também se encontram insulinas de mistura, em que existe uma combinação entre insulinas de ação rápida e de acção intermédia. Estas combinações permitem conjugar as características destas insulinas:

    25% de insulina humana de ação rápida e 75% de insulina humana de ação intermédia - Insuman Comb 25

    25% de análogo de insulina Humalog e 75% de insulina humana de ação intermédia - Insulina Humalog Mix 25

    30% de insulina humana de ação rápida e 70% de insulina humana de ação intermédia - Insulina Mixtard 30 e Insulina Humulin M3

    30% de análogo de insulina NovoRapid e 70% de insulina humana de ação intermédia - Insulina NovoMix 30Ò.

    50% de análogo de insulina Humalog e 50% de insulina humana de ação intermédia - Insulina Humalog Mix 50Ò.