Disfunção erétil e diabetes mellitus

A prevalência da diabetes tem aumentado significativamente, tanto em Portugal (cerca de 12% da população adulta tem diabetes) como a nível mundial.

A diabetes pode ser definida como um grupo de doenças metabólicas caracterizado por hiperglicemia e que está associada a lesões e insuficiência de vários órgãos, nomeadamente dos vasos sanguíneos e dos nervos. Além disso, a diabetes mellitus está frequentemente associada a obesidade, hipertensão arterial e alterações do perfil lipídico, como o aumento do colesterol total e triglicerídeos. Assim, percebe-se que a diabetes esteja relacionada com a disfunção erétil, pois atinge quase todos os mecanismos necessários para uma ereção normal, como o músculo liso trabecular, vias nervosas e os vasos sanguíneos.

De facto, diversos estudos mostraram que nos doentes com diabetes mellitus a disfunção erétil é três a quatro vezes mais comum e ocorre em idades mais jovens (50% dos doentes disfunção erétil aos 50-59 anos). Além disso, a disfunção erétil está intimamente relacionada com a duração desta doença e com o grau de controlo da glicemia ao longo do tempo.

A disfunção erétil é mais frequente em doentes que apresentem outras complicações relacionadas com a diabetes, como a neuropatia autonómica ou retinopatia. Sabe-se também que doentes com diabetes mellitus que desenvolvem disfunção erétil experimentavam uma diminuição significativa da qualidade de vida, bem como um aumento dos sintomas depressivos. É de salientar que a maioria dos doentes envolvidos nos estudos que permitiram obter estes resultados nunca tinha sido inquirida pelos profissionais de saúde acerca sua vida sexual durante o seguimento da diabetes mellitus.

Outra associação importante é o facto de a disfunção erétil em doentes com diabetes mellitus estar relacionada com um maior risco de complicações cardiovasculares, como acidentes vasculares cerebrais e enfarte do miocárdio.

  • Avaliação da disfunção erétil no diabético

    A ocorrência de disfunção erétil é uma questão fundamentar a abordar no diabético.

    Quando existem queixas deve ser avaliado o controlo da diabetes, as complicações desta doença e também outros fatores que podem contruir para a disfunção erétil como a dislipidemia, hipertensão, tabagismo, consumo de álcool, depressão e disfunção hormonal.

    Deve ainda ser feita uma revisão da medicação, já que alguns fármacos podem interferir com a função erétil.

    Habitualmente, a avaliação incluir também a realização de exames laboratoriais específicos, além das análises gerais. 

  • Tratamento da disfunção erétil no diabético

    No doente com diabetes mellitus é fundamental um bom controlo da glicemia e de outros fatores de risco, como a hipertensão e a dislipidemia, com o objetivo de diminuir o risco de disfunção erétil e de aumentar a eficácia de outros tratamentos específicos para a disfunção erétil.

    Embora os doentes com diabetes mellitus tenham um ou mais fatores orgânicos que podem explicar a disfunção erétil, o fator psicogénico não deve ser descurado como adjuvante na terapêutica farmacológica.

    Atualmente existem diversos fármacos vasodilatadores que são bastante eficazes no tratamento da disfunção erétil em doentes com diabetes mellitus. Estes fármacos devem sempre ser usados sob orientação médica, de forma a que sejam seguros do ponto de vista cardiovascular.

    Existem também fármacos de aplicação por via intrauretral ou injetável no pénis, que normalmente são usados como tratamento de segunda linha.

    A cirurgia com colocação de próteses penianas pode também ser uma opção de tratamento.