Disfunção erétil

A disfunção erétil é uma disfunção sexual masculina que se caracteriza pela incapacidade persistente (durante pelo menos três meses) em obter ou manter uma ereção peniana que permita um desempenho sexual satisfatório.

É mais comum nas idades mais avançadas, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Um estudo realizado em Portugal, mostrou que até 50% dos homens entre os 40 e os 70 anos apresentavam algum grau de disfunção erétil, podendo essa percentagem atingir os 85% acima dos 75 anos. Está reconhecido que a disfunção eréctil resulta numa diminuição importante da qualidade de vida.

Encarar a disfunção sexual como um tabu - para o próprio, dentro da relação ou para o médico de família - torna-a um problema subdiagnosticado e não tratado numa época que existem várias opções terapêuticas disponíveis e eficazes. Por outro lado, existe uma evidência cada vez mais importante de que a disfunção erétil pode ser uma manifestação inicial de doença coronária e doença vascular periférica, podendo ser um sinal precoce de doença cardiovascular.

  • Causas

    A ereção peniana é o resultado de um fenómeno neurovascular que ocorre num ambiente hormonal e psicológico favorável, sendo necessária a integridade anatómica de todos os sistemas intervenientes.

    O desenvolvimento e a manutenção de uma ereção normal requer a ativação de vias neurológicas. Estas vias relaxam os músculos lisos trabeculares, aumentam o fluxo sanguíneo no corpo cavernoso (musculatura esponjosa do pénis) e reduzem o retorno venoso permitindo assim a ereção. Estas vias neurológicas são ativadas pelo cérebro, através de diferentes estímulos táteis, visuais, entre outros, são modificadas por estímulos psicológicos, como o desejo sexual e pelo ambiente hormonal, como a testosterona.

    Assim, alterações de qualquer desses fatores que permitem a ereção podem levar a disfunção erétil. 

    As principais causas de disfunção erétil são:

    • Psicológicas, por exemplo ansiedade
    • Vasculares, por exemplo obstrução das artérias cavernosas
    • Neurológicas, por exemplo secção dos nervos cavernosos
    • Anatómicas, por exemplo curvatura grave do pénis
    • Hormonais, por exemplo baixo nível de testosterona
    • Induzida por fármacos, por exemplo hipotensores 

  • Fatores de risco

    São fatores de risco para a disfunção erétil:

    • Obesidade
    • Diabetes mellitus
    • Dislipidemia
    • Hipertensão arterial
    • Tabagismo  
    • Sedentarismo
    • Hiperplasia benigna da próstata
    • Sintoma urinários

  • Avaliação diagnóstica

    A avaliação diagnóstica inicia-se com a obtenção de uma história psicossexual o mais completa possível, incluindo a descrição dos hábitos sexuais, início e duração da disfunção, tratamentos prévios e resultados obtidos.

    Podem ser utilizados questionários de auto-resposta, de que é exemplo o Índice Internacional da Função Erétil (IIFE).

    É necessário distinguir se se trata de uma disfunção erétil circunstancial (por exemplo, apenas com um determinado tipo de estimulação) ou generalizada ou seja em todas as situações.

    Os procedimentos de diagnóstico incluem a avaliação a tolerância do doente ao exercício, de modo a obter uma orientação para uma eventual avaliação cardiológica e correcção de fatores de risco.

    Os exames laboratoriais mais utilizados são a determinação da testosterona total, glicemia e perfil lipídico. Outros exames de diagnóstico que podem ser realizados são a injeção peniana de vasodilatador e o doppler das artérias cavernosas.

  • Tratamento

    Na maioria dos casos, é possível tratar eficazmente a disfunção erétil, não ocorrendo no entanto a cura definitiva.

    Devem ser adotadas alterações do estilo de vida, promovendo a prática de exercício físico regular e a suspensão do tabagismo, e o controlo de doenças existentes que possam afetar os vasos sanguíneos e nervos que existem do pénis (por exemplo, diabetes mellitus e dislipidemia).

    Preferencialmente, deverá ser envolvida a parceira na abordagem terapêutica, de modo a aumentar a adesão, satisfação e cumplicidade do casal no tratamento.

    A terapêutica farmacológica de primeira linha é constituída por fármacos de administração oral, com elevada taxa de sucesso.

    As terapêuticas de segunda linha são constituídas por métodos mais invasivos e menos cómodos, como a aplicação de dispositivo de vácuo, injeção peniana de fármaco vasodilatador ou aplicação de comprimido uretral.

    A terapêutica de terceira linha é constituída pela prótese peniana, que resulta numa ereção artificial com rigidez que permite a penetração e o controlo da duração da relação sexual.