Ejaculação prematura

A ejaculação prematura é uma disfunção sexual masculina que se caracteriza por
uma ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre, antes ou até dois minutos após a
penetração vaginal. É uma incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase
todas as penetrações vaginais e resulta em consequências pessoais negativas tais como
angústia, incómodo, frustração ou evicção de intimidade sexual.

A ejaculação prematura é a disfunção sexual mais frequente mas também menos
diagnosticada e tratada. Pode atingir 20 a 30% dos indivíduos do sexo masculino (1
em cada 5). Apenas cerca de 9% dos doentes com ejaculação prematura procuram ajuda.

A ejaculação prematura não está relacionada com a idade, estatuto social, estado civil ou orientação sexual.

  • Tipos de ejaculação prematura

    Há três tipos de ejaculação prematura:

    • Ejaculação prematura primária, ou seja, a disfunção ejaculatória que persiste desde a primeira experiência sexual
    • Ejaculação prematura adquirida, ou seja, a disfunção ejaculatória que se inicia gradual ou subitamente após um período de experiências ejaculatórias normais
    • Ejaculação prematura situacional, ou seja, uma variação do desempenho sexual normal e que pode estar relacionada com uma nova parceira, uma situação incomum ou uma baixa frequência de atividade sexual. A percepção subjetiva de ejaculação rápida, mas com tempo de latência intravaginal dentro ou até superior à normalidade, não é considerada
      patológica.

  • Fatores de risco

    O perfil psicológico ansioso ou vulnerável à ansiedade de desempenho, com instabilidade emocional e sentimentos de culpa, sujeito a pressão e stress diário, ou com experiências sexuais prévias negativas têm risco acrescido para ter ejaculação precoce.

    São também fatores de risco reconhecidos para a disfunção ejaculatória, a predisposição genética, a obesidade, o hipertiroidismo, a diabetes, a inflamação prostática (prostatite), a suspensão brusca de analgésicos opióides, o alcoolismo e o abuso de estupefacientes.

  • Sintomas e Diagnóstico

    Entre os sintomas relacionados com a ejaculação precoce estão a redução dos níveis de auto-confiança, ansiedade e sentimentos negativos, como vergonha e angústia, irritabilidade e depressão.

    Habitualmente há igualmente uma redução da satisfação global nas relações sexuais, dificuldade no relaxamento durante o coito, relações sexuais menos frequentes, insatisfação da companheira e deterioração do relacionamento conjugal.

    O diagnóstico baseia-se na realização de uma história clínica e exame físico detalhados, bem como na utilização de ferramentas diagnósticas específicas, de que são exemplo o TLIV (tempo de latência intravaginal) e questionários como o PEDT (premature ejaculation diagnostic tool).

  • Tratamento

    O tratamento da ejaculação prematura pode envolver medidas comportamentais, psicoterapia e terapêutica farmacológica.

    As medidas comportamentais iniciam-se na correção dos fatores de risco, nomeadamente perda de peso, realização de exercício físico, tratamento de hipertiroidismo e controlo da diabetes, tratamento de prostatite e abstinência de substâncias estupefacientes, sempre que aplicável.

    Podem ser usadas técnicas de relaxamento (como o ioga) e abstração com pensamentos não-sexuais, pouco estimulantes.

    Paragem e recomeço cíclico do contacto sexual (técnica stop & start) ou a compressão
    da glande (técnica de squeeze) quando o orgasmo está próximo podem também
    retardar a ejaculação.

    A masturbação pré-coital (uma a duas horas antes) pode corrigir a ejaculação prematura, especialmente se esta for adquirida.

    Existem no mercado preservativos dessensibilizantes de diversas marcas, que se destinam ao prolongamento do prazer.

    A psicoterapia, com acompanhamento por um médico urologista, psiquiatra ou um terapeuta sexual contribui também para reduzir os níveis de ansiedade e para otimizar a relação do casal.

    Entre os medicamentos disponíveis, existem opções de toma diária ou “on demand”, isto é, apenas quando necessário, uma a três horas antes das relações sexuais. Os fármacos usados no tratamento da disfunção eréctil parecem ter um efeito positivo nos doentes com ejaculação prematura e alterações da ereção concomitantes. Outros medicamentos tópicos (em forma de creme) reduzem a sensibilidade peniana e prolongam a relação sexual.