Doença diverticular do cólon

Os divertículos são pequenas dilatações saculares ou bolsas formadas pela exteriorização ou herniação da camada mucosa e da serosa do cólon através da camada muscular da parede deste órgão. Em regra, os divertículos são de pequena dimensão, desde alguns milímetros até poucos centímetros. Podem ser únicos ou estar presentes em número elevado (várias centenas).

Qualquer estado patológico causado pela presença de divertículos é designado doença diverticular. Em muitos casos, a presença de divertículos é conhecida acidentalmente, por não estar associada a qualquer sintoma, situação que é designada diverticulose. Os sintomas surgem quando a diverticulose complica. As complicações possíveis são hemorragia, perfuração ou infeção (esta última conhecida por diverticulite).

A diverticulose é um problema comum nos países ocidentais, afetando cerca de um terço a metade da população, embora em muitos casos não se manifestem sintomas. Atinge igualmente os homens e as mulheres e a sua prevalência aumenta com a idade. Entre os fatores de risco da doença diverticular encontram-se a obesidade, o sedentarismo, os tratamentos prolongados com corticosteróides e o consumo de álcool e tabaco.

  • Causas

    As principais causas da diverticulose incluem alterações da motilidade e da resistência da parede do cólon e a escassez de alimentos fibrosos na dieta. Esta escassez está associada a uma maior consistência das fezes presentes no cólon o que obriga a camada muscular da sua parede a um esforço acrescido para as movimentar. Com o passar do tempo, este esforço debilita os músculos e favorece a formação dos divertículos, especialmente nos locais em que os vasos penetram na parede do cólon, pois são já naturalmente mais fracos. Embora sejam mais frequentes no cólon descendente e no cólon sigmoide, os divertículos podem aparecer em qualquer ponto deste órgão.

  • Sintomas e diagnóstico

    A diverticulose não complicada, regra geral, é assintomática. 

    Os sintomas surgem no contexto da ocorrência de uma das três complicações conhecidas da diverticulose:

    • Hemorragia: perda de sangue com as fezes, que pode ser de cor vermelho vivo (mais frequente) ou vermelho escuro; tendem a ser hemorragias importantes.
    • Perfuração: dor abdominal muito intensa e insuportável; habitualmente, obriga ao recurso imediato a uma urgência hospitalar; causa frequentemente uma peritonite generalizada e é, na maioria das vezes, uma urgência cirúrgica. Por vezes, a perfuração é controlada pelas defesas do doente e, nesta circunstância, evolui para uma diverticulite.
    • Diverticulite (a complicação mais frequente): os sintomas mais frequentes são dor abdominal (habitualmente no quadrante inferior esquerdo) contínua ou de tipo cólica, alterações dos hábitos intestinais (diarreia ou obstipação) e sensação de distensão abdominal. Estes sintomas dependem da gravidade da doença e das complicações possíveis que estejam presentes (abcessos, fístulas, infeções, perfuração da parede do cólon, obstrução intestinal). Assim, a sintomatologia pode variar desde manifestações pouco importantes localizadas na zona afetada, até sintomas característicos de uma infeção intra-abdominal. Outras manifestações possíveis incluem febre, obstipação alternando com diarreia, anorexia (perda de apetite), náuseas e vómitos. A presença de dor em toda a região abdominal, febre elevada acompanhada de calafrio e paragem de emissão de gases e fezes traduz em regra um processo mais grave.

    O diagnóstico da doença diverticular é feito com base na história clínica, nos sintomas presentes, no exame do doente e em exames complementares de diagnóstico que se considerem necessários. Entre estes poderá ser aconselhada uma radiografia, ecografia ou TAC abdominal. Estará sempre indicada a realização de um clister opaco e/ou de uma colonoscopia; estes exames devem, contudo, ser evitados na fase aguda da diverticulite ou perante a suspeita de uma perfuração. Poderão ainda estar indicados outros exames para eliminar a possibilidade de doenças com sintomas semelhantes aos da doença diverticular.

  • Tratamento e prevenção

    O tratamento da doença diverticular depende da sua gravidade e das complicações presentes.

    Na diverticulite aguda sem complicações e com sintomas pouco importantes poderá bastar um tratamento com medicamentos (antibióticos) associado a alterações da dieta, não sendo necessário internamento. Já os doentes com dor mais intensa ou progressiva, febre ou intolerância alimentar têm em regra indicação para internamento hospitalar, para fazerem hidratação com soros e antibioterapia endovenosa. Alguns destes doentes virão a ter necessidade de um tratamento cirúrgico programado. Entre estes incluem-se:

    • Os doentes que não respondem ao tratamento médico;
    • Os doentes com crises recorrentes;
    • Os doentes com uma crise prévia, em que tenha havido suspeita de perfuração dum divertículo, de obstrução intestinal ou de envolvimento inflamatório dum órgão vizinho como a bexiga, com a presença duma fístula;
    • Os doentes em que não seja possível excluir com segurança a existência de cancro do cólon;
    • Os doentes com menos de 50 anos de idade que tenham tido um episódio prévio com necessidade de internamento hospitalar.

    Nestes doentes a operação a realizar consiste na remoção do segmento de cólon afetado, com reconstrução imediata do trânsito intestinal, ou seja sem necessidade de uma colostomia temporária.

    Na diverticulite aguda complicada pode ser necessária uma operação com caráter de urgência. O tipo de operação a realizar depende de vários fatores, nomeadamente do estado clínico do doente, das complicações presentes e da sua gravidade. A intervenção cirúrgica mais frequente consiste na remoção do segmento de cólon afetado e na construção duma colostomia temporária (operação tipo Hartmann), seguida de reconstrução do trânsito intestinal dois a três meses depois. Nalguns casos pode ser possível optar pela remoção do segmento de cólon afetado com reconstrução do trânsito intestinal no mesmo tempo operatório.

    Podem ser adotadas algumas medidas para ajudar a prevenir a ocorrência de divertículos e também, nas pessoas com doença diverticular, para tentar evitar episódios de diverticulite ou outras complicações.

    Estas medidas consistem, essencialmente, em alterações dos hábitos alimentares, com aumento da quantidade de fibras e de líquidos na dieta. As fibras constituem a estrutura dos cereais, das frutas e das verduras. Não são completamente digeridas nem absorvidas pelo que, permanecendo no intestino para o qual puxam líquido por osmose, conferem volume e forma às fezes. Isto estimula o movimento do intestino e resulta na formação de fezes moldadas/moles, fáceis de eliminar.

    Também a prática regular de exercício físico (por exemplo, andar a pé diariamente durante cerca de 30 minutos), favorece os movimentos intestinais normais.