Prolapso retal

Um prolapso retal é uma situação em que a parede do reto (região do tubo digestivo entre o cólon e o ânus) se invagina e tende a exteriorizar através do ânus. O prolapso pode ser externo ou interno, ou seja, pode ou não estar exteriorizado através do ânus. Quando esta exteriorização acontece, pode envolver apenas uma parte da parede do reto, ou toda a circunferência retal; neste caso o prolapso retal é completo. Nas fases mais precoces, a exteriorização pode não ser permanente; no entanto, com o passar do tempo tende a manter-se.

O prolapso retal ocorre nos dois sexos mas, nos adultos, afeta especialmente as mulheres com mais de 60 anos de idade; não está relacionado com o número de partos anteriores. Nas crianças, é frequente um prolapso retal temporário consequente ao esforço associado à defecação.

  • Causas

    Diversos fatores podem estar na origem ou contribuir para o prolapso retal, sendo muitas vezes difícil distinguir uma causa isolada. Entre estas, incluem-se o esforço continuado durante a defecação, algum grau de predisposição genética, traumatismos pélvicos e certos problemas neurológicos. O problema parece também estar relacionado com o processo de envelhecimento normal, associado ao enfraquecimento dos músculos e ligamentos que suportam o reto e à perda da capacidade de contração dos músculos esfíncteres anais, tendo como resultado possível uma incontinência fecal. 


    Nas crianças, o prolapso retal está normalmente associado a infeções de origem parasitária, carências alimentares ou défices da absorção de nutrientes, obstipação ou traumatismos da região anal ou pélvica.

  • Sintomas e diagnóstico

    O sintoma mais evidente é a exteriorização da parede retal que é visível como uma extensão de tecido vermelho e húmido (mucosa retal). Nalguns casos pode ocorrer uma hemorragia retal. A incontinência fecal é frequente. Apesar de incomodativo, o prolapso retal normalmente não é doloroso.

    O diagnóstico é feito com base na história clínica, nos sintomas presentes e no exame do doente. Este exame, realizado com o doente em várias posições e mediante contração dos músculos da parede abdominal ou dos esfíncteres anais simulando o ato de defecar, permite determinar a extensão do prolapso. Um toque retal ou uma manometria poderão ajudar a determinar a funcionalidade muscular dos esfíncteres anais.

    Quando o prolapso retal não é visível exteriormente pode estar indicada a realização de um exame por raio-X designado defecografia, que ajudará não só a confirmar a existência do prolapso como também a determinar a necessidade de uma intervenção cirúrgica e a abordagem mais adequada a adotar nesse caso.

    Em algumas circunstâncias, especialmente quando se pretende identificar uma doença subjacente, poderão estar indicados outros exames, como uma sigmoidoscopia flexível ou um enema de bário.

  • Tratamento e prevenção

    Nas crianças e jovens, mediante a identificação e a eliminação das causas de esforço durante a defecação, opta-se normalmente um tratamento conservador. A contenção das nádegas entre as dejeções, bem como alguns exercícios de fisioterapia podem ajudar a solucionar o problema.

    Em regra, nos adultos, a correção dos problemas de obstipação e esforço durante a defecação não permite, por si só, a resolução do prolapso, sendo necessário recorrer a um tratamento cirúrgico. Existem várias formas de corrigir o prolapso retal por via cirúrgica. Normalmente, a operação envolve o reposicionamento e fixação do reto no local correto e/ou a remoção de uma porção do órgão. A operação pode realizar-se por via perineal ou por via abdominal. A intervenção por via abdominal, embora mais invasiva, é a mais eficaz, associando-se a um menor índice de recidiva. O problema da invasividade da via abdominal é, hoje, solucionado pelo recurso à cirurgia laparoscópica, já que esta intervenção pode (e, sempre que possível, deve) ser realizada por via laparoscópica. A escolha da abordagem mais correta depende diversos fatores, entre os quais a idade, a extensão do prolapso, o estado geral do paciente e os resultados dos diversos exames pré-operatórios realizados. O êxito da intervenção depende também de vários fatores, entre os quais se incluem o estado geral do paciente, a funcionalidade dos esfíncteres anais, a extensão do prolapso e a técnica cirúrgica adotada. No entanto, em regra, depois da resolução cirúrgica do prolapso retal, regista-se na maioria dos doentes uma cura completa ou uma melhoria significativa.

    Depois da operação, para ajudar a evitar a recorrência do problema, devem ser adotadas medidas que visem facilitar a defecação, nomeadamente aumentar a ingestão de alimentos fibrosos e de líquidos não alcoólicos, especialmente água.