Prurido anal

O prurido anal é um problema de comichão, temporária ou persistente, na região do ânus. Pode ser mais intenso durante a noite ou depois da defecação e piorar em situações de calor e humidade, com o atrito provocado pelo vestuário, a pressão associada à posição sentada, as situações de stress e a ansiedade. O desconforto que provoca pode ser difícil de suportar, pode tornar a defecação difícil quando estão presentes escoriações devidas ao coçar, ou pode mesmo interferir com o sono.

O prurido anal é relativamente comum, tanto nos adultos como nas crianças. Atinge cerca de 5% das pessoas e é mais comum nos homens do que nas mulheres.

  • Causas

    As causas possíveis para o prurido anal são diversas. Muitas vezes o prurido anal ocorre como um sintoma isolado e não tem causas e consequências importantes em termos de saúde; no entanto, ocasionalmente, pode estar associado a doenças, locais ou sistémicas, de gravidade variável.

    Entre as causas de prurido anal incluem-se problemas associados à pele. A humidade da região anal devido a uma sudação excessiva, bem como a presença de resíduos de fezes por limpeza deficiente, episódios de diarreia frequentes ou incontinência fecal são causas importantes de processos inflamatórios da pele da região anal com prurido consequente. Também algumas doenças da pele, como por exemplo a psoríase e a dermatite seborreica, podem envolver a região do ânus provocando prurido.

    Algumas substâncias podem provocar por contacto uma irritação local com prurido anal. Com efeito, em pessoas alérgicas ou com uma pele sensível a irritação da pele junto ao ânus consequente ao contacto com compostos presentes em detergentes usados na lavagem da roupa, sabonetes, cremes, perfumes ou papel higiénico, pode conduzir a uma situação de prurido anal.

    O prurido anal pode também resultar da ingestão de alguns alimentos, ou porque estes não são completamente digeridos e provocam irritação da pele da região anal depois da defecação, ou porque são irritantes a nível digestivo e aumentam a frequência da defecação ou a quantidade de muco presente nas fezes. Entre estes alimentos incluem-se o álcool, os picantes da pimenta, os citrinos, as uvas, o tomate, o chocolate, as nozes e algumas especiarias. A ingestão excessiva de cerveja, leite, chá ou café pode ter um efeito semelhante.

    O prurido anal conta-se também entre os efeitos secundários de alguns medicamentos que aumentam a frequência das dejeções. Também a utilização incorreta de laxantes pode conduzir a uma situação de diarreia crónica, com risco de irritação e prurido anal.

    Alguns microrganismos (bactérias, fungos) encontram condições favoráveis de temperatura e humidade para o seu desenvolvimento na região anal, provocando infeções locais acompanhadas de prurido. Algumas infeções sistémicas, como a sarna, herpes, algumas doenças sexualmente transmissíveis e, especialmente nas crianças, algumas infeções parasitárias, podem provocar também prurido anal.

    Algumas doenças locais, entre as quais a fístula anal, a fissura anal e as hemorroidas podem estar associadas a prurido anal. Mais raramente, os tumores benignos ou malignos da região anal são causa de prurido anal. Existem também doenças sistémicas, como por exemplo a insuficiência renal e o hipertiroidismo, que provocam um prurido generalizado, por vezes mais acentuado na região anal.

    Uma limpeza deficiente pode ocasionar prurido anal pelo facto de deixar resíduos de fezes na região anal com uma inflamação local consequente. No entanto, os indivíduos com prurido anal tendem a exacerbar os seus cuidados de higiene, tanto em termos de frequência como de agressividade, o que agrava o problema, não só pelo traumatismo que provocam na pele como pelo facto de eliminarem as barreiras de proteção naturais.

    As peças de vestuário demasiado justas podem também contribuir para o desenvolvimento de prurido anal pelo atrito e irritação que podem provocar.

  • Sintomas e diagnóstico

    O diagnóstico é feito com base na história clínica, nos sintomas presentes e no exame do paciente. Além da existência de prurido, a pele da região perianal pode apresentar-se avermelhada, espessada e com escoriações devidas à ação de coçar, o que a torna sensível e eventualmente dolorosa. Quando a causa do prurido não é evidente poderão ser necessários outros exames (p. ex., uma pesquisa de parasitas nas fezes, uma avaliação de uma raspagem de pele, uma biopsia de lesões presentes, uma anuscopia, uma colonoscopia, entre outros) e/ou uma avaliação por um médico especialista no tratamento de doenças do cólon, reto e ânus, especialmente quando se suspeita de eventuais doenças subjacentes. Apesar de tudo, muitas vezes a causa do prurido anal mantém-se por identificar; neste caso o problema é designado prurido anal idiopático.

  • Tratamento e prevenção

    Quando não é identificada uma causa evidente para o prurido anal, o seu tratamento é direcionado para o alívio dos sintomas. Quando a causa é conhecida, além de aliviar os sintomas presentes o tratamento visa também combater essa causa. Em qualquer caso, o sucesso do tratamento prescrito pelo médico depende também, normalmente, do cumprimento de cuidados pessoais de diversa ordem e de evitar eventuais fatores predisponentes. Assim, devem ser tomadas diversas medidas, como evitar quaisquer traumatismos da área afetada, manter uma higiene adequada da área, impedir que a região anal se mantenha húmida, evitar a ingestão de alimentos ou bebidas potencialmente irritantes e evitar coçar a região (a aplicação de compressas frias e os banhos de assento podem ajudar a conseguir um alívio imediato). Em geral, as alterações da dieta com aumento do teor de fibra têm um efeito benéfico, diminuindo o esforço durante a defecação que pode induzir traumatismos da pele anal já irritada e sensível. Cumprindo o plano de tratamento proposto em cada caso, de uma forma geral os sintomas são aliviados em poucos dias; a sua resolução fica completa no prazo de três a quatro semanas. 

    Podem ser adotadas diversas medidas para evitar a ocorrência (ou recorrência) de prurido anal:

    • Medidas de higiene: Depois da defecação a limpeza da região anal deve idealmente ser feita com água; alternativamente poderão ser usados toalhetes humedecidos ou papel higiénico macio, branco e não perfumado. A região anal deve ser mantida bem lavada e seca, evitando para o efeito a utilização de sabonetes ou soluções de lavagem de odor forte e de toalhas ásperas. Para evitar a humidade na região anal pode ser aplicado um pedaço de algodão ou uma compressa no ânus, que deve ser substituído sempre que necessário; o pó de talco pode também ajudar a manter a região anal seca.
    • Alimentação: Evitar a ingestão de alimentos e bebidas potencialmente irritantes ou que já tenham estado na origem de prurido anal. Aumentar a incorporação de fibra na dieta e aumentar a ingestão de água.
    • Medicamentos: Utilizar apenas medicamentos prescritos pelo médico.
    • Vestuário: Utilizar preferencialmente roupa interior de algodão e pouco justa; mudá-la diariamente e sempre que esteja suja.