Consequências e complicações da obesidade

Os riscos associados à obesidade são diversos, incluindo a ocorrência de outras doenças e de problemas psicológicos, sociais e económicos, além do risco acrescido de morte prematura. A relação entre a obesidade e a ocorrência de outras doenças é bem conhecida e tem sido demonstrada repetidamente; o risco é tanto maior quando mais grave é a obesidade.

Além da gordura total presente no organismo, a sua distribuição (ou localização preferencial) é também um factor a considerar. Com efeito, os riscos associados à deposição preferencial de gordura na região abdominal (obesidade de tipo andróide), mais comum nos homens, são diferentes dos da deposição preferencial de gordura ao nível da anca e das coxas (obesidade de tipo ginóide), mais comum nas mulheres. Assim, a relação entre o perímetro abdominal e o perímetro da anca é um parâmetro habitualmente usado na determinação do risco de saúde. Considera-se que existe uma situação de risco de saúde aumentado quando o valor desta relação é superior a 0.8 nas mulheres ou a 1.0 nos homens. A deposição de gordura na cavidade abdominal associa-se a um maior risco de doenças metabólicas e cardiovasculares; a deposição de gordura subcutânea ao nível da anca e das coxas está mais associada à ocorrência de varizes e artroses.

Entre as doenças graves para as quais a obesidade constitui um importante factor de risco incluem-se:

  • Doenças cardiovasculares

Por exemplo enfarte agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronária, hiperlipidemia, hipertensão arterial, angina de peito, hipertrofia ventricular esquerda, úlceras de estase venosa, tromboflebites, arritmias, e acidente vascular cerebral. Nos indivíduos obesos é comum uma pressão arterial aumentada, níveis séricos elevados de triglicéridos e colesterol LDL (o colesterol “mau”) e níveis baixos de colesterol HDL (o colesterol “bom”), considerados fatores de risco para as doenças cardíacas e acidentes vasculares.

  • Doenças metabólicas

Por exemplo, diabetes de tipo 2. Esta forma de diabetes, também designada diabetes de instalação no adulto, é uma doença em que os níveis de glucose no sangue são superiores ao normal, constituindo uma causa importante de morte precoce, doenças cardiovasculares, doenças renais e cegueira. A maioria das pessoas com este tipo de diabetes tem simultaneamente excesso de peso, embora ainda não esteja completamente esclarecida a razão pela qual a probabilidade de ocorrência de diabetes de tipo 2 é superior nos obesos.

  • Doenças músculo-esqueléticas

Por exemplo síndrome do túnel do carpo, doença articular degenerativa e gota. Os problemas articulares atingem com maior frequência as articulações do joelho, da anca, dos tornozelos e a coluna vertebral. A obesidade tem um efeito determinante no desenvolvimento de problemas articulares pela sobrecarga de peso que representa.

  • Doenças respiratórias

Por exemplo asma, apneia do sono obstrutiva, hipertensão pulmonar. Nos indivíduos obesos está presente uma maior quantidade de gordura na região do pescoço, comprimindo as vias aéreas e dificultando a respiração, podendo mesmo interrompê-la.

  • Cancro

Por exemplo, cancro da mama, do útero e dos ovários, nas mulheres e o cancro do cólon, do reto e da próstata, nos homens.

  • Doenças gastrointestinais e hepatobiliares

Por exemplo, cálculos da vesícula biliar e doença de refluxo gastroesofágico.

  • Fraqueza da parede abdominal

Com o desenvolvimento de hérnias da parede abdominal.

  • Doenças génito-urinárias

Por exemplo, incontinência urinária e infeções do trato urinário.

  • Doenças ginecológicas e obstétricas

Por exemplo, malformações fetais, diabetes de gestação, infertilidade e aborto.