Obesidade nas Crianças e nos Jovens

A obesidade infantil é uma doença com uma incidência elevada e crescente, especialmente nos países mais industrializados e nos grandes centros urbanos.

Nestes escalões etários, o excesso de peso é particularmente preocupante, pois está relacionado com um maior risco de desenvolvimento de obesidade na idade adulta e de ocorrência de doenças mais características dos adultos (por exemplo, diabetes, pressão arterial elevada e níveis elevados de colesterol no sangue).

Por outro lado, numa fase importante da construção da sua personalidade as crianças e jovens com excesso de peso são com frequência objeto de discriminação e rejeição pelos seus pares, com problemas consequentes de comportamento e de adaptação social.

  • Como se quantifica a obesidade nas crianças e jovens

    Nas crianças e jovens, que ainda não atingiram o peso e o desenvolvimento corporal adulto e em que a variabilidade associada à corpulência e à velocidade de crescimento é elevada, a análise do IMC para efeitos de quantificação da obesidade não é feita como nos adultos. Tem sim em consideração os percentis da distribuição do IMC em função da idade e do sexo, usando, por exemplo, os gráficos abaixo.

    Considera-se:

    • Magreza: IMC para a idade e sexo inferior ao percentil 5
    • Peso normal: IMC para a idade e sexo situado entre o percentil 5 e o percentil 85
    • Excesso de peso: IMC para a idade e sexo situado entre o percentil 85 e o percentil 95
    • Obesidade: IMC para a idade e sexo superior ao percentil 95
    Raparigas Rapazes
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    Fonte: Saúde Infantil e Juvenil, Programa Tipo de Actuação, 2ª Edição. Direcção Geral de Saúde, Divisão de Saúde Materna, Infantil e dos Adolescentes. Lisboa, 2005. Fonte: Saúde Infantil e Juvenil, Programa Tipo de Actuação, 2ª Edição. Direcção Geral de Saúde, Divisão de Saúde Materna, Infantil e dos Adolescentes. Lisboa, 2005.

  • A que se deve a obesidade nas crianças e jovens

    Tal como nos adultos, o excesso de peso e a obesidade nas crianças e nos jovens deve-se a um excesso de energia ingerida relativamente à que é necessária para as funções orgânicas. Também como nos adultos, nas crianças e nos jovens as causas do excesso de peso e da obesidade são diversas, mas encontram-se entre as principais os excessos e/ou desequilíbrios alimentares e o sedentarismo.

    Durante o crescimento, o aumento de peso é distribuído pelos diversos tecidos corporais, de forma a suportar as alterações corporais que o caracterizam. Assim, nesta altura os desequilíbrios alimentares podem ter consequências diferentes das que se observam nos adultos, pois além da distribuição fisiológica do ganho de peso ser alterada, a favor da deposição de gordura, pode ser comprometido o desenvolvimento corporal normal. 

    Na realidade, na sociedade atual as crianças e os jovens vivem num contexto muito favorável a um aumento excessivo de peso corporal. Além da sua apetência comum para alimentos pouco saudáveis, também as guloseimas são abundantes, pouco dispendiosas e objeto de promoção repetida junto desta população particularmente seduzível.

    Por outro lado, a prática de atividade física deixou de ocupar uma parte importante do seu dia, não só pela atratividade e inovação que a tecnologia trouxe aos meios de entretenimento, como, especialmente nos grandes centros urbanos, pela falta de segurança e de espaços adequados, que os impedem de passar mais tempo em atividades ao ar livre.

    De referir que além dos benefícios que tem nos adultos, a prática de atividade física nestes escalões etários contribui significativamente para o desenvolvimento corporal e para a capacidade de coordenação dos movimentos.

  • Abordagem da Obesidade nas Crianças e Jovens

    Combater os fatores que favorecem a obesidade

    Na abordagem do problema da obesidade nas crianças e jovens a prevenção tem uma importância acrescida e inclui como principais medidas:

    • A adoção de hábitos alimentares saudáveis 
    • O combate ao sedentarismo 
    • A prática regular de atividade física

    Todas as ações implementadas precocemente e mantidas ao longo da vida com o objetivo de controlar o peso corporal, são as que contribuem de uma forma mais favorável e permanente para este efeito.

    Combater o excesso de peso e a obesidade

    Nos casos de excesso de peso e obesidade, as medidas a adotar dependem naturalmente das especificidades de cada caso.

    Regra geral, nos mais jovens (com menos de 7 anos) não devem ser seguidos programas de perda de peso, mas sim programas com o objetivo de o manter, de modo a que venha a ser atingida uma situação de equilíbrio à medida que a estatura aumenta. Em muitos casos esta tentativa de manutenção do peso pode ser tão difícil como é para os adultos perder peso. 

    Os programas de perda de peso, sempre sob aconselhamento médico, devem ser reservados para os maiores de 7 anos, ou para aqueles que apesar de não terem atingido essa idade se encontram numa situação de risco acrescido de outros problemas de saúde graves.

    As metodologias a adotar nestes programas de perda de peso passam também, naturalmente, pela adoção de hábitos alimentares saudáveis, pelo combate ao sedentarismo e pela prática de atividade física. Os medicamentos e a cirurgia não são usados com frequência nos jovens para tratamento destes problemas. Os riscos a longo prazo da utilização de medicamentos para tratamento da obesidade não estão completamente identificados e o papel destes medicamentos na manutenção do peso a longo prazo em indivíduos não adultos é ainda objeto de discussão.

    No que se refere à cirurgia, as características de irreversibilidade de alguns procedimentos e as potenciais deficiências nutricionais associadas, naturalmente com consequências importantes para o crescimento, levam a que na maioria dos casos não seja uma opção a considerar.

    No entanto, nem todas as crianças e jovens que pesam muito têm um peso excessivo ou são obesas; algumas são mais corpulentas do que outras e durante o crescimento a deposição de gordura corporal pode variar.

    De qualquer forma, sempre que ocorra um acréscimo de peso rápido e elevado numa criança ou num jovem, e que o problema não pareça solucionar-se facilmente, deve ser procurado um aconselhamento médico adequado. Só assim será possível realizar uma avaliação integrada do problema, tendo em conta a história individual, a história familiar, os antecedentes e hábitos de vida, a existência de doenças e os fatores de risco envolvidos, e determinar a necessidade de implementar um programa de controlo/perda de peso e de um acompanhamento especializado.

    Todas as ações necessárias em termos de hábitos alimentares, combate ao sedentarismo e prática de atividade física não podem ser apenas da responsabilidade das crianças ou jovens com problemas de excesso de peso; é necessário o apoio e o incentivo da família e dos amigos, que desempenham assim um papel fundamental na resolução deste tipo de problemas.

  • Adotar Hábitos Alimentares Saudáveis

    No que se refere aos hábitos alimentares a adotar nos programas de perda de peso, incluem principalmente a utilização de alimentos saudáveis, integrados na dieta em quantidades equilibradas, submetidos a um processamento culinário saudável, ingeridos em refeições realizadas em horários regulares e em locais adequados e com um comportamento alimentar correto (mastigação completa e suficientemente demorada para saborear os alimentos).

    Na tentativa que as crianças e jovens adquiram hábitos alimentares saudáveis podem ser adotadas diversas medidas auxiliares, entre as quais se incluem:

    • Adotar hábitos alimentares saudáveis para todos os membros da família 
    • Fazer as refeições em família, em local próprio e com horários adequados e regulares 
    • Tornar as refeições um momento de convívio familiar
    • Servir as quantidades adequadas nos pratos e não ter mais alimentos disponíveis na mesa 
    • Incentivar a ingestão de um bom pequeno-almoço 
    • Combater a sede com água e não com outras bebidas, especialmente refrigerantes 
    • Caso seja necessário ingerir alimentos entre as refeições, optar pelos menos calóricos 
    • Evitar beber leite gordo, bem como adicionar açúcar ou chocolate ao leite 
    • Evitar a ingestão de aperitivos, bolachas e guloseimas, procurando que não existam em casa 
    • Não utilizar os alimentos como castigo ou recompensa 
    • Não eliminar completamente da dieta os alimentos que as crianças mais apreciam, mas, sempre que possível, optar pelos métodos culinários mais saudáveis 
    • Evitar a ingestão de gelados e sobremesas doces 
    • Envolver as crianças na preparação das refeições, ensinando-os a planeá-las de acordo com os princípios de uma alimentação saudável 
    • Evitar idas a restaurantes, especialmente aos que servem refeições rápidas

  • Estimular a Prática de Atividade Física

    Relativamente à atividade física e ao combate ao sedentarismo, são também várias as medidas que podem ajudar a sua implementação, entre as quais se incluem:

    • Ensinar que a atividade física não é sinónimo de prática de modalidades desportivas cansativas e que inclui ações como andar a pé, nadar, dançar, correr, andar de bicicleta, subir ou descer escadas, etc 
    • Chamar a atenção para a prática de atividade física pelas suas características lúdicas e pela sua contribuição para o desenvolvimento, e não pelo seu efeito na perda de peso 
    • Explicar que a atividade física é necessária para melhorar a coordenação dos movimentos, para dormir bem durante a noite e para melhorar o desempenho durante o dia 
    • Tentar realizar atividades que envolvam toda a família 
    • Identificar atividades que as crianças gostem e estimular a sua prática 
    • Limitar o tempo despendido a ver televisão ou com jogos de vídeo 
    • Interessar as crianças pelas atividades domésticas, incentivando-as a ajudar