Perguntas Frequentes

Encontre aqui as respostas a algumas das questões mais comuns sobre o tratamento da obesidade.

  • Quais são as opções de tratamento mais adequadas quando se pretende perder peso?

    As opções de tratamento mais adequadas quando se pretende perder peso dependem do nível de excesso de peso e das especificidades de cada doente e da sua doença. O tratamento da obesidade pressupõe uma alteração profunda dos hábitos de vida, que abrange, entre outros aspetos, o tipo de alimentos, a sua confeção, o padrão das refeições e a prática de atividade física; por essa razão se aconselha, com frequência, um acompanhamento psicológico simultâneo. Quando usados, os medicamentos disponíveis para tratamento da obesidade têm apenas um papel complementar das medidas referidas.
    A cirurgia da obesidade é reservada para casos graves ou para situações em que estão presentes complicações que colocam a vida em risco.

  • O que é um “tratamento cirúrgico da obesidade”?

    Isoladamente a expressão “tratamento cirúrgico da obesidade” é um conceito equívoco que não representa mais do que uma contradição de termos: a obesidade é uma doença sistémica, geral, que não se resolve com um tratamento exclusivamente cirúrgico. Existem, sim, operações (ou intervenções cirúrgicas) que, incluídas num programa completo de tratamento da obesidade, podem aumentar dramaticamente a sua eficácia, ou mesmo conferir-lhe a eficácia que, de outra forma, não teria. Estas operações são realizadas com a finalidade de reduzir a capacidade do estômago e/ou de limitar a absorção a nível intestinal dos nutrientes que representam as principais fontes energéticas para o organismo (lípidos e hidratos de carbono), aspetos que ajudarão a perder peso.

  • A cirurgia da obesidade tem alguns riscos ou complicações?

    Qualquer procedimento cirúrgico de tratamento da obesidade tem potenciais riscos e complicações. Os riscos e complicações associados ao tratamento cirúrgico da obesidade incluem os inerentes a qualquer intervenção cirúrgica ao nível da cavidade abdominal, os inerentes à cirurgia da obesidade (que diferem com o tipo de procedimento), os inerentes a qualquer intervenção cirúrgica em doentes com obesidade mórbida e os inerentes à anestesia geral.

  • Os riscos da cirurgia da obesidade são superiores aos riscos da obesidade?

    Os riscos e complicações da cirurgia da obesidade devem ser avaliados e ponderados num balanço entre a sua incidência e gravidade e as condições gerais de saúde em que se encontra o candidato a um tratamento cirúrgico da obesidade, sobretudo, quando este já apresenta fatores de risco de doenças graves. Assim, determina-se que um doente tem indicação cirúrgica para o tratamento da obesidade quando os riscos e complicações possíveis associados à operação são mínimos se comparados com o risco de morbilidade e mortalidade inerente à própria circunstância da obesidade e às doenças que lhe estão associadas.

  • Como deve ser escolhido o procedimento de tratamento cirúrgico da obesidade para cada pessoa?

    Entre as várias intervenções cirúrgicas disponíveis, a escolha baseia-se, em primeiro lugar, nas particularidades da doença de cada doente. Caso sejam possíveis várias opções, essa escolha deverá também ter em consideração as características e preferências do doente e as características de invasibilidade do procedimento. A escolha não pode, ou não deve, ser limitada pela experiência da equipa cirúrgica.

  • A banda gástrica ajustável é a melhor opção para o tratamento cirúrgico da obesidade?

    Não. O melhor procedimento cirúrgico de tratamento da obesidade para um doentes depende das características específicas da sua doença, das suas preferências e das características de invasibilidade do procedimento. A operação indicada só pode ser determinada depois de uma avaliação multidisciplinar detalhada que permita caracterizar a doença e as suas implicações.

  • Quem pode ser submetido a um tratamento cirúrgico da obesidade?

    Em regra podem ser submetidos a um tratamento cirúrgico da obesidade:

    • As pessoas com um índice de massa corporal superior a 40 kg/m2 
    • As pessoas que se mantêm gravemente obesas na sequência da adoção dos tratamentos convencionais (alterações alimentares e atividade física)
    • As pessoas cujo IMC é igual ou superior a 35 kg/m2 e em que estão presentes simultaneamente doenças graves relacionadas com a obesidade 

    Estes critérios são gerais. A indicação cirúrgica final depende da avaliação da circunstância específica de cada doente.

  • É possível voltar a atingir o peso normal depois de um tratamento cirúrgico da obesidade?

    Normalmente, mesmo depois de um tratamento cirúrgico da obesidade, não será atingido um peso considerado normal. Com efeito, o objetivo geral do tratamento da obesidade é reduzir o peso corporal o suficiente para que este deixe de representar um risco para a saúde. Com uma diminuição de 5% a 10%, relativamente ao peso inicial, diminui significativamente o risco de muitas das doenças associadas à obesidade. De uma forma geral, depois de uma operação para o tratamento da obesidade e cumprindo rigorosamente o programa proposto para diminuição e controlo do peso corporal, nomeadamente no que se refere aos hábitos alimentares e à prática de atividade física, a perda de peso poderá cifrar-se em 60 a 85% do excesso de peso inicial.

  • Quais são os benefícios previsíveis para a saúde depois de um tratamento cirúrgico da obesidade?

    Estão documentados diversos efeitos benéficos consequentes ao tratamento cirúrgico da obesidade, nomeadamente uma diminuição do risco de morte prematura e uma diminuição da incidência das diversas doenças graves cuja ocorrência está relacionada com a obesidade. Sublinha-se, pela sua importância, que na maior parte dos casos uma intervenção cirúrgica para o tratamento da obesidade cura a diabetes e a hipertensão arterial.

  • É possível voltar a ganhar peso depois de uma operação para tratamento da obesidade?

    A partir dos dois anos depois da intervenção ocorre, com alguma frequência, um aumento do peso corporal. Este possível aumento de peso acontece simplesmente porque os doentes deixam de seguir com rigor o programa que lhes foi estabelecido, nomeadamente porque, voluntária ou involuntariamente, passaram a ingerir quantidades excessivas e/ou alimentos que lhe estão interditos, ou ainda porque diminuíram de uma forma importante o nível de atividade física praticado habitualmente.

  • Qual é o período médio de internamento depois de uma operação para o tratamento da obesidade?

    Depois de uma operação para o tratamento da obesidade, a duração do internamento depende principalmente do tipo de intervenção, da sua realização por cirurgia aberta ou por cirurgia minimamente invasiva e da existência ou não de outras doenças simultâneas à obesidade. Em média poderá variar entre dois e cinco dias.

  • São necessários alguns cuidados alimentares depois de uma operação para o tratamento da obesidade?

    Depois de uma operação para o tratamento da obesidade, os cuidados alimentares são imprescindíveis. Nenhum tratamento cirúrgico da obesidade é, por si só, garantia de resultados duradouros. Torna-se fundamental a adoção de novos hábitos de vida, nomeadamente a nível alimentar, para tentar garantir que são atingidos e mantidos os objetivos do tratamento.

  • Quais são as principais alterações da dieta depois da cirurgia da obesidade?

    No primeiro ou no segundo dia depois da intervenção cirúrgica os doentes começam a beber quantidades pequenas de sumo ou de água, sendo aumentada progressivamente a frequência com que estes líquidos são fornecidos. Posteriormente, o regime alimentar é iniciado com uma dieta líquida, que passa sucessivamente para uma dieta pastosa (dieta de alimentos passados e/ou papas), para uma dieta mole (dieta de alimentos moles) e, finalmente para a dieta normal. A duração de cada uma destas fases será determinada pelo cirurgião e pela nutricionista.

  • Depois de uma operação para tratamento da obesidade o peso corporal terá que ser vigiado para sempre?

    Sim. Depois de uma operação para tratamento da obesidade são necessários cuidados vitalícios para que os resultados se mantenham. Nenhum tratamento da obesidade, cirúrgico ou outro, é por si só garantia de resultados definitivos. É imprescindível que sejam adotados novos hábitos de vida, no que se refere particularmente à alimentação e à prática de atividade física, para tentar garantir que são atingidos e mantidos os objetivos do tratamento.

  • É possível engravidar depois de uma intervenção cirúrgica de tratamento da obesidade?

    A gravidez deve ser evitada nos dois anos que se seguem à operação e que coincidem com o período em que a perda de peso é mais importante. Em caso de gravidez, essa perda de peso e as possíveis carências nutricionais poderão prejudicar gravemente o desenvolvimento fetal, pelo que se torna imprescindível uma contraceção eficaz. Depois do peso corporal estabilizar, a gestação torna-se possível e será sempre mais segura do que nas mulheres obesas.

  • Como se determina a taxa de sucesso de um tratamento cirúrgico da obesidade?

    Considera-se que um tratamento cirúrgico da obesidade teve êxito quando o doente consegue perder 50% ou mais do excesso de peso inicial.

  • Qual é a importância do comportamento e motivação do doente para o sucesso do tratamento cirúrgico da obesidade?

    É muito importante. Nenhum tratamento da obesidade, por si só, é garantia de perda de peso. Depois de realizada a intervenção cirúrgica, além das alterações imprescindíveis dos hábitos alimentares e da prática de atividade física, há ainda um caminho difícil e longo a percorrer. É necessário um investimento vitalício para que os objetivos do programa de perda de peso sejam atingidos.

  • Os subsistemas de saúde e os seguros de saúde pagam os tratamentos cirúrgicos da obesidade?

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a obesidade como uma doença grave. Os subsistemas e os sistemas complementares de saúde têm vindo, de acordo com os casos solicitados, a aceitar o tratamento da obesidade, tendo em consideração critérios médicos para tal classificação, entre outros critérios aceites internacionalmente. Quem possui um seguro de saúde e vive este problema, deve verificar junto da sua seguradora se esta abrange o tratamento da obesidade ou se no âmbito da cobertura de doenças graves (nas apólices em que essa cobertura existe) se o tratamento da obesidade está enquadrado.