Procedimentos Restritivos

Nos procedimentos restritivos é reduzido o volume do estômago, o que implica uma diminuição da capacidade de ingestão de alimentos, sendo atingida consequentemente uma saciedade mais precoce.

Nos procedimentos restritivos é reduzido o volume do estômago, o que implica uma diminuição da capacidade de ingestão de alimentos, sendo atingida consequentemente uma saciedade mais precoce.

Nestes procedimentos não é induzida qualquer alteração do processo de digestão/absorção, pelo que além da sua simplicidade técnica, têm o benefício de evitar possíveis deficiências associadas a problemas de absorção de ácidos aminados essenciais, minerais e vitaminas e de não exigir a utilização de suplementos nutricionais.

Nestes procedimentos tornam-se imprescindíveis alterações importantes a nível dos hábitos alimentares, pois a ingestão de líquidos, de semilíquidos (deformáveis) ou de alimentos pastosos não é inibida. Apenas a ingestão de volumes sólidos (não deformáveis) é restringida, pelo que a taxa de insucesso pode ser elevada no caso de incumprimento por parte do paciente.

Embora os procedimentos restritivos permitam na maioria dos casos perder uma quantidade de peso corporal importante, o seu êxito a longo prazo é inferior ao dos procedimentos mistos e indutores de malabsorção. 

Atualmente destacam-se como mais importantes neste grupo a banda gástrica ajustável e a gastrectomia em sleeve, realizadas normalmente por via laparoscópica.

  • Gastrectomia em Sleeve

    SleeveA gastrectomia em sleeve é uma intervenção cirúrgica em que a região esquerda do estômago é removida, do que resulta um órgão com uma capacidade bastante inferior.

    A parte do estômago que é removida é aquela que possui maior capacidade de distensão, adaptando-se à entrada de novos alimentos. Atualmente pensa-se também que é responsável pela secreção de substâncias relacionadas com a estimulação do apetite e com a obesidade. 

    A gastrectomia em sleeve é um procedimento recente, considerado como uma alternativa importante à banda gástrica ajustável. Tem sobre esta a grande vantagem de, no caso de vir a ser necessária a conversão num procedimento misto ou indutor de malabsorção, esta ser tecnicamente muito mais simples e comportar muito menos risco após uma gastrectomia em sleeve do que após uma banda gástrica ajustável. Este aspeto é tanto mais importante quanto se sabe atualmente que as operações de conversão de procedimentos restritivos são cada vez mais frequentes, seja pelo seu insucesso (perda de peso insuficiente), como por complicações várias relacionadas com a presença do corpo estranho.

    Nos casos de obesidade muito grave, a gastrectomia em sleeve é usada com frequência com a intenção de reduzir o peso até um grau que permita mais facilmente, numa segunda intervenção, associar um procedimento indutor de malabsorção.

    A gastrectomia em sleeve pode também ser uma boa indicação nos indivíduos preocupados com a presença de um corpo estranho na cavidade abdominal (como a banda gástrica ajustável) ou com as necessidades de suplementação nutricional e os efeitos a longo prazo dos procedimentos indutores de malabsorção e dos procedimentos mistos. É ainda uma opção a considerar nos doentes com uma banda gástrica ajustável que necessita ser revista por qualquer problema mas que já perderam muito peso e não pretendem ser submetidos a procedimentos indutores de malabsorção ou mistos. 

    Sendo uma técnica bastante recente ainda não existem resultados de longo prazo da sua aplicação. No entanto, os que até agora estão disponíveis sugerem que a perda de peso pode ser ligeiramente mais acentuada e mais rápida do que a conseguida com a banda gástrica ajustável. 

    As vantagens deste procedimento incluem:

    • Possibilidade de realização por via laparoscópica 
    • Tecnicamente simples 
    • Período de recuperação curto. 
    • Não altera a anatomia e fisiologia intestinais 
    • Não exige a colocação de um corpo estranho na cavidade abdominal 
    • Conversão fácil num procedimento misto ou indutor de malabsorção

  • Banda Gástrica Ajustável

    BandagastricaNesta operação o estômago é dividido em duas partes (uma bolsa superior de capacidade reduzida e uma bolsa inferior de maior dimensão) através de uma banda ou anel ajustável, colocado pouco abaixo da união do esófago com o estômago. 

    O estômago fica assim com a forma de uma ampulheta assimétrica, na qual a parte de cima tem um volume muito reduzido (30-50 mL) em relação à parte de baixo. As duas bolsas comunicam entre si através de um canal, de maior ou menor calibre, regulado pelo ajustamento da banda. 


    A redução da quantidade de alimento ingerida obtém-se por dois mecanismos:

     

    • Um mecanismo de obstrução: o reduzido volume da bolsa superior cria uma obstrução direta à ingestão de volumes (sólidos) superiores;
    • Um mecanismo de indução da saciedade: o movimento de saída dos alimentos da bolsa superior é feito lentamente; isto obriga a uma ingestão lenta que permite que o tempo de instalação da sensação de saciedade – cerca de 20 a 30 minutos após o início da refeição – seja alcançado quando a quantidade de alimento ingerida é ainda pequena. 

    Infelizmente, tem vindo a verificar-se que o funcionamento deste segundo mecanismo é raro, e que predomina o mecanismo de obstrução.

    O dispositivo necessário para o ajustamento da banda é colocado sob a pele na parede abdominal. O ajustamento da banda realiza-se através da injeção de soro fisiológico neste dispositivo, uma vez que o calibre (diâmetro) da mesma varia em função da quantidade de soro fisiológico presente no seu interior.

    Cerca de 30% dos doentes com uma banda gástrica ajustável conseguem atingir o seu peso normal e cerca de 80% perdem algum peso. 

    Em média a perda de peso conseguida é da ordem de 40% a 50% do excesso de peso inicial. A perda de peso é mais rápida durante o primeiro ano, diminuindo posteriormente.

    As vantagens deste procedimento incluem:

    • Possibilidade de realização por via laparoscópica
    • Tecnicamente simples
    • Período de recuperação curto
    • Não altera a anatomia e fisiologia intestinais
    • Não implica qualquer ressecção gástrica, sendo assim reversível
    • Possibilidade de ajustar a banda em função das necessidades do paciente
    • Possibilidade de remoção da banda, também através de laparoscopia