Doenças Frequentes nos Recém-Nascidos

  • Candidíase Oral

    A candidíase oral, ou sapinhos, é uma infeção provocada por um fungo comum no organismo adulto, designado por Candida albicans. Ocorre em 2 a 5% dos bebés, por transmissão a partir da mãe durante o parto.

    Manifesta-se pela presença de placas brancas na face interna das bochechas, na língua e nos lábios do bebé. Pode provocar dor e irritabilidade ou ser assintomática.

    A candidíase oral é tratada com a aplicação local de produtos antifúngicos no intervalo entre as refeições. Esta aplicação deve ser extensiva aos objetos que contactem com a boca do bebé (p. ex. tetinas, chupeta) e aos mamilos da mãe quando o recém-nascido é amamentado.

  • Conjuntivite

    A conjuntivite do recém-nascido caracteriza-se por um edema das pálpebras, especialmente da pálpebra superior e pela presença de uma secreção amarelada, mais frequente no canto interno dos olhos.

    Quando a conjuntivite surge nas primeiras 12 a 48 de vida e se mantém apenas até às 24 a 48 horas, resulta normalmente de uma irritação química e não requer qualquer tratamento.

    Se a conjuntivite se mantiver durante mais tempo, o bebé deve ser observado pelo pediatra pois pode tratar-se de uma infeção com necessidade de tratamento específico.

    Dado que as conjuntivites são muito comuns nos bebés, é importante que os olhos sejam mantidos bem limpos, usando para tal uma compressa embebida em soro fisiológico, passada num movimento de fora para dentro uma única vez.

  • Icterícia

    A icterícia é uma coloração amarelada da pele e olhos que traduz um nível elevado de bilirrubina no sangue.

    A bilirrubina é um pigmento que resulta da degradação dos glóbulos vermelhos (células do sangue que transportam oxigénio) e que é metabolizado no fígado. Durante a vida uterina o feto pode produzir mais glóbulos vermelhos do que necessitará depois de nascer. Assim, depois do nascimento, esses glóbulos vermelhos excedentários são destruídos pelo organismo do bebé e, uma vez que a bilirrubina se encontra entre os seus constituintes, é libertada na corrente sanguínea. Quando a concentração de bilirrubina ultrapassa a capacidade de metabolização pelo fígado, o seu nível no sangue aumenta e a partir de determinados níveis dá origem à coloração amarelada da pele e dos olhos do bebé.

    A icterícia do recém-nascido surge durante a primeira semana de vida, ocorre em cerca de 60% dos bebés de termo e é ainda mais frequente nos bebés prematuros. Se a icterícia persiste para além dos primeiros 10 dias vida ou reapareceu, existe normalmente uma razão específica que implica a realização de uma investigação complementar.

    Quando num recém-nascido com icterícia se suspeita que os valores de bilirrubina sejam muito elevados, pode justificar-se o seu doseamento no sangue, podendo existir indicação para tratamento com fototerapia em internamento. A luz fluorescente da fototerapia facilita a conversão da bilirrubina numa substância menos agressiva e mais fácil de eliminar pelo organismo. O período de tratamento é variável e depende também de outros fatores, como a alimentação e o padrão de dejeções do bebé.

    Depois da alta, poderá ainda haver necessidade de vigiar o bebé principalmente se os valores de bilirrubina foram muito altos.

  • Hipoglicemia

    A hipoglicemia é o nível de glucose (açúcar) no sangue inferior ao normal.

    A glucose é a principal fonte de energia para o organismo, nomeadamente para o sistema nervoso. Quando o seu teor é demasiado baixo podem ocorrer perturbações das funções cerebrais. Os sintomas de hipoglicemia podem não ser específicos e nem sempre são evidentes no recém-nascido, sendo os mais frequentes:

    • tremores
    • hipotonia (bebé “mole”)
    • dificuldade na alimentação
    • hipotermia
    • apneia (pausa respiratória superior a 20 segundos associada a cor azulada da pele)
    • letargia (bebé não reativo)
    • convulsões

    A hipoglicemia pode ser diagnosticada de diversas formas, sendo a mais comum um teste rápido realizado numa gota de sangue obtida através de uma pequena picada no calcanhar do bebé.

    O tratamento da hipoglicemia depende da sua causa e inclui a reposição rápida do valor da glucose no sangue através da alimentação. Nos casos mais graves é necessário administrar glucose por via intravenosa.

    Nos recém-nascidos, o risco de hipoglicemia é superior nas seguintes situações:

    • Filho de mãe diabética
    • Recém-nascido que tenha sofrido restrição do crescimento durante o período intrauterino e que tenha um peso inferior ao normal para a idade gestacional.
    • Recém-nascido prematuro, especialmente com restrição de crescimento intrauterino associado.

     

  • Taquipneia Transitória do Recém-Nascido

    A taquipneia transitória do recém-nascido caracteriza-se por dificuldade respiratória transitória que pode ocorrer em bebés pré-termo mas também de termo (1 – 2%). Os sintomas surgem nas primeiras duas a três horas após o parto e geralmente desaparecem até ao terceiro ou quarto dia de vida. Resulta de um atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal pelo sistema linfático pulmonar e/ou é consequente a algum grau de imaturidade pulmonar.

    A taquipneia transitória manifesta-se por gemido expiratório, aumento da frequência respiratória, adejo nasal, retração costal e até cianose. Normalmente não existem outros sinais de doença associados. O recém-nascido pode precisar de suplemento de oxigénio, ou mesmo, nas situações mais graves, de ventilação assistida.

    A taquipneia respiratória do recém-nascido é mais frequente nas seguintes situações:

    • Recém-nascido com alguma imaturidade (próximo das 35-36 semanas)
    • Recém-nascido nascido de cesariana sem trabalho de parto
    • Recém-nascido filho de mãe diabética
    • Recém-nascido grande para a sua idade gestacional

  • Convulsões

    As convulsões podem ser a primeira manifestação de disfunção neurológica no recém-nascido. Nesta idade as convulsões podem ter uma expressão muito diversa: olhar parado ou desvio ocular não alterável pela estimulação, apneia, tremor grosseiro das extremidades que não para com a contenção, pestanejo repetitivo, movimentos de mastigação persistentes e repetitivos, movimentos convulsivos tónico/clónicos.

    As convulsões podem ter diversas causas e destas depende o prognóstico. A encefalopatia hipóxico isquémica continua a ser a causa mais frequente das convulsões no recém-nascido; entre outras incluem-se a sepsis neonatal, hemorragia intra-craniana (hemorragia dentro e em redor dos ventrículos cerebrais) e enfarte cerebral (lesão ou amolecimento da substancia branca, a parte do cérebro que transmite informação entre as células nervosas e a medula).

    É fundamental a investigação diagnóstica para determinar a causa das convulsões. Para além da história (materna e obstétrica) e do exame físico é importante excluir alterações metabólicas e infeciosas. No recém-nascido com convulsões é realizado o exame neurológico, ecografia transfontanelar e geralmente um eletroencefalograma, além dos exames analíticos.