Rastreio Auditivo Neonatal

Qual o objetivo e porque deve ser feito o rastreio auditivo neonatal?

O rastreio auditivo neonatal tem como objetivo a deteção precoce de défices auditivos, de modo a permitir um diagnóstico e intervenção atempados que possibilitem reduzir ou eliminar as consequências possíveis desses défices. A incidência de perda auditiva bilateral (estimada em 0,1 a 0,3% e em 2 a 4% dos recém-nascidos saudáveis e de risco, respetivamente), o impacto da audição no desenvolvimento da criança, nomeadamente na aquisição da linguagem e no desenvolvimento cognitivo e emocional, e ainda o facto de uma intervenção precoce ter um papel determinante no prognóstico, justificam a realização do rastreio auditivo neonatal.

Quando deve ser feito o rastreio auditivo neonatal?

O rastreio auditivo neonatal deve ser feito em todos os recém-nascidos antes da saída da maternidade ou, no máximo, até aos 30 dias de vida. Desta forma será possível completar o diagnóstico antes dos 3 meses de idade e iniciar a intervenção necessária até aos 6 meses de idade.

Como é feito o rastreio auditivo neonatal?

O rastreio auditivo neonatal pode ser feito através do método das otoemissões acústicas (OEA). As otoemissões acústicas são sons produzidos por células do ouvido interno que na maioria das patologias associadas à surdez infantil têm a sua funcionalidade comprometida. O método das otoemissões acústicas é simples de realizar, rápido e não doloroso. É colocado um tampão nos ouvidos do bebé através do qual são enviados sons e que possui um microfone que regista as respostas (otoemissões acústicas) aos sons emitidos. No bebé com défice auditivo não se obtêm otoemissões acústicas. Quando o teste de rastreio identifica um défice auditivo, torna-se necessária uma avaliação mais detalhada, sendo o bebé referenciado para uma consulta de otorrinolaringologia.

O que fazer aos bebés de risco com rastreio auditivo neonatal normal?

Mesmo quando o resultado do rastreio auditivo neonatal é normal, as crianças de risco devem ser seguidas até à idade de aquisição de linguagem (cerca dos dois anos de idade). Consideram-se como grupos de risco os recém-nascidos com história familiar de deficiência auditiva, infeções congénitas (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus, herpes), anomalias crânio-faciais, peso corporal baixo (inferior a 1.5 kg), icterícia com valores de bilirrubina elevados, meningite bacteriana, asfixia ao nascimento e necessidade de ventilação mecânica durante 5 dias ou mais.