Ablação da fibrilhação auricular nº 1000 no Hospital da Luz

Ablação da fibrilhação auricular nº 1000 no Hospital da Luz

O Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz realizou, no passado dia 8 de junho, a ablação da fibrilhação auricular nº 1000, uma das intervenções mais eficazes no tratamento desta doença. A intervenção foi realizada pela equipa dirigida pelo cardiologista Pedro Adragão, coordenador do Centro do Ritmo Cardíaco. Neste centro, que foi criado em 2007 no Hospital da Luz, já foram realizados mais de 2300 procedimentos, sendo os mais importantes, depois da ablação da fibrilhação auricular, a implantação de cardioversores desfibrilhadores, ressincronizadores cardíacos e pacemakers.

A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais comum. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo de cerca de 2% após os 50 anos e de 10% acima dos 80 anos. A longo prazo, esta arritmia aumenta o risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca congestiva e morte. Está também associada a várias comorbilidades, como a hipertensão arterial, diabetes, obesidade e apneia do sono, entre outras.

O Centro do Ritmo Cardíaco é uma das áreas inovadoras e diferenciadoras do Hospital da Luz, sendo a mais moderna e melhor apetrechada unidade de arritmologia de intervenção do país, onde se conciliam as novas tecnologias com a medicina convencional, para oferecer um tratamento completo aos doentes com perturbações do ritmo cardíaco.

Foi no Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz que foi instalado, pela primeira vez em Portugal, o sistema de navegação magnética cardíaca Stereotaxis, cujos cateteres de elevada flexibilidade permitem uma cateterização muito mais segura e com menor exposição a radiação. A navegação magnética possibilita a robotização e a cateterização computorizada, com mapeamentos programáveis, capacidade de retornar automaticamente a zonas predefinidas, evitando os riscos associados à movimentação dos cateteres e facilitanto o contorno de barreiras anatómicas, que dificultam o acesso a alvos terapêuticos no interior das cavidades cardíacas. Por esta razão, a navegação magnética é aceite como a tecnologia preferencial nas terapêuticas por ablação, assumindo um lugar de destaque no tratamento da fibrilhação auricular.

O cardiologista Pedro Adragão coordena, desde 2007, o Centro do Ritmo Cardíaco do Hospital da Luz. A sua carreira tem sido dedicada à arritmologia cardíaca. Introduziu a eletrofisiologia de intervenção em Portugal - a ablação por cateter em 1990, a implantação de cardioversores desfibrilhadores em 1992 e a navegação magnética em 2007 no Hospital da Luz. Doutorou-se em 2005 na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, versando a sua dissertação a ablação da fibrilhação auricular. É coordenador da Unidade de Cardiologia de Intervenção do Hospital de Santa Cruz e autor ou coautor de um vasto número de publicações e comunicações científicas nesta área.