Biomarcadores e ultra-alto campo magnético para deteção precoce das demências

Biomarcadores e ultra-alto campo magnético para deteção precoce das demências

 

Quanto mais cedo for o diagnóstico, melhor o prognóstico das neurodemências. Para que tal aconteça, são necessárias novas modalidades para a gestão de doenças como a de Alzheimer.

 

Philips Scheltens, professor de Neurologia do Centro Médico Universitário de Amsterdão resumiu, numa frase, a ideia generalizada hoje existente em relação às neurodemências quando disse que, há uns anos, as pessoas procuravam a consulta de memória e perguntavam se estavam dementes. “Hoje, perguntam se podem vir a sofrer de demência...”

Com 36 milhões de pessoas que sofrem de demências em todo o Mundo, e com 7,7 milhões de novos casos todos os anos, parece claro que estes números vão aumentar, dado o envelhecimento da população. Daí a relevância do diagnóstico precoce da doença de Alzheimer e o papel que os biomarcadores – tema em destaque na apresentação de Philip Scheltens – jogam nessa deteção atempada, por estarem a mudar o panorama estrutural da doença de Alzheimer.

A palestra do holandês foi proferida no âmbito do simpósio “Mind, Cognition and Neurodegeneration”, onde foram abordadas um conjunto de temáticas relacionadas com as doenças neurodegenerativas, entre as quais os já referidos biomarcadores, mas também a imagiologia funcional.

Antes, Stefano Cappa, professor e diretor da Classe de Biomédica do Instituto Universitario di Studi Superiori de Pavia, falara sobre a disfunção progressiva dos processos cognitivos como marca da neurodegenerescência, a qual, em combinação com a evidência que vem da investigação de doentes com AVC e da neuroimagem funcional em indivíduos normais, tem contribuído para o conhecimento atual do substrato neural dos processos mentais.

Segundo o especialista italiano, o estudo das fases iniciais da doença de Alzheimer fornece novas perspectivas sobre os mecanismos da memória episódica, enquanto os doentes com demência fronto-temporal têm desempenhado um papel crucial na investigação das redes de grande porte envolvidas na linguagem e cognição social. Estes avanços teóricos têm implicações claras na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças neurodegenerativas.

Roland Beisteiner, médico do Departamento de Neurologia e responsável do Centro de Ressonância Magnética de Alto Campo da Universidade de Viena, destacou os benefícios da ressonância magnética de ultra-alto campo magnético (7Tesla) na imagem funcional das demências, enquanto Pedro Vilela, neurorradiologista do Hospital da Luz, apresentou resultados de um trabalho sobre neuroimagem nas demências, concluindo que o diagnóstico necessita dos biomarcadores e que a neuroimagem funcional caminha para uma tecnologia de análise molecular.