Cirurgia cardíaca: eis os robôs!

Cirurgia cardíaca: eis os robôs!

A cirurgia cardíaca robótica é já uma realidade e apresenta benefícios claros em segurança, fiabilidade, tempo de recuperação e a possibilidade de uma recuperação mais rápida dos doentes. Mas não faz melhores os cirurgiões.

O simpósio “Robotic Cardiac Surgery – The future now” procurou fazer jus ao nome do congresso – Leaping Forward – e mostrou que a cirurgia cardíaca robótica é já uma realidade firmada na prática clínica, mas geradora de discussão entre quem vê na mesma vantagens óbvias e quem continua céptico em relação às suas virtualidades. A sessão foi, por isso animada, com muitas perguntas e respostas entre palestrantes e audiência

Como pano de fundo, o simpósio teve uma cirurgia cardíaca robótica realizada ao vivo pelo diretor do simpósio, o cirurgião Ricardo Arruda Pereira, assistido pelo belga Jean Luc Janssens, cirurgião e professor associado de cirurgia cardíaca Hôpital Erasme, da Universidade Livre de Bruxelas.

O procedimento levado a cabo pela equipa cirúrigica foi uma revascularização coronária robótica a uma doente do sexo feminino, de 50 anos de idade, com doença coronária. A técnica, designada “TECABG” (“Totaly endoscopic coronary by-pass graff”), foi a primeira realizada no Hospital da Luz com o sistema cirúrgico robótico Da Vinci Si HD.

Louis Labrousse, professor do Hospital Universitário de Bordéus, afirmou que a sua instituição desenvolveu, antes de tudo, um protocolo de integração multidisciplinar entre as equipas de cirurgia cardíaca e eletrofisiologia cardíaca para a abordagem robótica dos procedimentos realizados naquele hospital.

“A robótica é usada na nossa prática quando há limites técnicos à abordagem convencional”, disse Louis Labrousse, pela sua simplicidade, fiabilidade, segurança, inclusive em doenças com insuficiência cardíaca.

O belga Jean Luc Jassens abordou o estado da arte revascularização coronária robótica, frisando que os cirurgiões cardíacos, como ele, tentam ser menos invasivos do que eram antes e acredita que a tecnologia robótica com dupla consola vai trazer mais vantagens na realização dos procedimentos.

A palestra do norte-americano Wiley Nifong, professor associado e diretor de cirurgia robótica na East Carolina Heart Institute, versou sobre a cirurgia robótica da válvula mitral e afirmou que a robótica é só uma ferramenta que vem ajudar o cirurgião a fazer os procedimentos de uma forma ligeiramente diferente: “mas não faz de nós melhores cirurgiões”, disse, acrescentando que, se do lado de fora, o sistema cirúrgico robótico permite menos invasividade, no interior do coração continua a ser uma intervenção pesada.

Finalmente e dada a sua grande experiência em cirurgia cardíaca robótica, não teve dúvidas em afirmar que a robótica trouxe algumas vantagens na resolução de casos mais complicados, mas reconheceu haver ainda necessidade de estudos mais aprofundados para apontar uma vantagem mais evidente.