Cirurgia de Guerra: a experiência de Carlos Ferreira no Congo apresentada no Hospital da Luz

Cirurgia de Guerra: a experiência de Carlos Ferreira no Congo apresentada no Hospital da Luz

O cirurgião do Hospital da Luz Carlos Ferreira apresentou, este fim-de-semana, aos profissionais do Hospital os resultados da sua última missão de cirurgia de guerra, integrando uma equipa da Cruz Vermelha Internacional (CVI) na República Democrática do Congo.

Carlos Ferreira esteve quatro semanas na cidade de Goma, considerada uma das mais violentas do Mundo, onde liderou a única equipa de cirurgia de guerra a operar no hospital local. Com ele, estiveram um anestesista francês e uma enfermeira de bloco de nacionalidade canadiana. «Operámos mais de 120 doentes, a uma média de seis e sete por dia. Foi um trabalho intenso, duro, sempre sem pausas. Nunca parámos!», recorda Carlos Ferreira.

A equipa cirúrgica liderada por Carlos Ferreira esteve sempre dedicada aos feridos de guerra. «Operávamos apenas baleados. Adultos, crianças, ferimentos muito graves…». Ainda assim, diz, «conseguimos salvar praticamente todos. Morreu-nos apenas um doente durante todo aquele período». As situações mais graves, descreve, tinham a ver com os ferimentos de bala na face, «feitos mesmo para desfazer a cara das pessoas. Situações muito más, muito violentas!», comenta.

Apesar de Goma ser uma cidade em guerra, «onde a violência tribal urbana é muito agressiva também», Carlos Ferreira conta que teve menos medo que na sua anterior missão com a Cruz Vermelha Internacional, no Sudão do Sul. «A experiência conta!», justifica.

No sábado, 16 de janeiro, o cirurgião fez uma apresentação no Hospital da Luz destinada aos enfermeiros do Hospital, tendo mostrado mais de 500 fotografias dos casos em que teve de intervir e relatando a sua experiência como cirurgião de guerra.