Dia mundial da luta contra o cancro assinalado no Hospital da Luz Lisboa

Dia mundial da luta contra o cancro assinalado no Hospital da Luz Lisboa

O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro (4 de fevereiro) foi, uma vez mais, assinalado no Hospital da Luz Lisboa com um simpósio aberto ao público, evento que contou com a presença de mais de 150 participantes, na maioria, doentes e ex-doentes seguidos no Centro de Oncologia do hospital e que, na companhia de familiares e amigos, encheram por completo o auditório do hospital.

O período inicial do simpósio foi dedicado à prevenção e diagnóstico precoce da doença oncológica tendo o Professor José Luís Passos Coelho, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital da Luz Lisboa começado por afirmar que dado o aumento da expectativa de vida da população e sendo o cancro, tipicamente, uma doença do envelhecimento, só esse facto é suficiente para aumentar o número de novos casos.

Apesar disso José Luís Passos Coelho afirmou que hoje se sabe mais sobre os mecanismos da doença, traduzindo um grande avanço no seu combate e que os resultados terapêuticos são também melhores, conseguindo-se, muitas vezes e quando não é possível a cura, transformar o cancro numa doença crónica.

Tamara Milagre, presidente da direção da Evita, associação de apoio a portadores de alterações nos genes relacionados com o cancro hereditário, falou a necessidade de consciencializar a sociedade para o risco do cancro hereditário e sobre o papel desta associação no apoio à melhoria da qualidade de vida das pessoas e das famílias afetadas por cancro hereditário.

Ainda dentro da sessão dedicada à prevenção e diagnóstico, nomeadamente sobre o que fazer e quando atuar na doença oncológica, coube a vários médicos do Hospital da Luz Lisboa falar sobre incidência, fatores de risco e prevenção nos cancros da mama, cólon, útero, pulmão e pele.

Assim, Paulina Viana Lopes, cirurgiã-geral, falou sobre cancro da mama, o que mais atinge as mulheres, com 5.000-6.000 novos casos em cada ano. A prevenção primária, para esta médica, passa por uma atividade física regular, pelo controlo do peso e pela vigilância corporal (palpação da mama e mamografia), principalmente a partir dos 40 anos de idade.

Por sua vez, Luísa Caldas Lopes, dermatologista responsável pelo Centro de Cancro da Pele e Melanoma do Hospital da Luz Lisboa, além de referir os diversos tipos de cancros cutâneos, alertou os participantes para os sinais cujas alterações de cor, aspeto, tamanho ou forma devem ser vigiados por um médico dermatologista experiente, de forma a despistar mais cedo possível a existência de doença oncológica. O tratamento precoce, afirmou Luísa Caldas Lopes, permite a cura na grande maioria dos casos de melanoma.

Os tumores ginecológicos e em particular o cancro do colo do útero foram o objeto da palestra de Fernando Igreja, ginecologista-obstetra do Hospital da Luz Lisboa, que alertou para o facto deste tipo de cancro, causado pelo vírus do papiloma humano (HPV) ser transmitido sexualmente. A vacinação é, por isso, decisiva, bem como e após o início da vida sexual ativa, a realização de citologia cervical (teste de Papanicolau) uma vez por ano.

Margarida Felizardo, coordenadora do Centro de Cancro do Pulmão do Hospital da Luz Lisboa disse ser o este tipo de cancro o mais mortífero a nível mundial. A relação entre tabaco e cancro do pulmão é incontornável, quer se trate de tabagismo ativo ou passivo. O tabagismo é o fator de risco mais importante do tumor pulmonar, sendo responsável por cerca de 80 por cento dos casos nos homens e 50 por cento em mulheres.

A deteção precoce, valorizando sintomas que podem ser associados ao tabagismo (como tosse, por exemplo) e despistagem através de uma TAC de baixa dose são formas que podem contribuir diminuir a mortalidade, ainda que a melhor prevenção passe por não fumar ou por deixar de fumar. Para ajudar nesse processo, existe no Hospital da Luz Lisboa uma consulta de desabituação tabágica, referiu a mesma médica.

Miguel Bispo, gastrenterologista do Centro de Gastrenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital da Luz Lisboa, falou sobre a colonoscopia como método mais eficaz de deteção precoce do cancro do cólon e do reto e que deve ser uma forma de rastreio da generalidade da população a partir dos 50 anos de idade, se não existir história familiar deste tipo de doença oncológica ou de pólipos intestinais. Aliás, este tipo de lesões, que podem ser precursoras de cancro do cólon, podem ser extraídas no momento da colonoscopia. Mas a prevenção começa, segundo este médico, numa alimentação correta, que deve incluir o consumo de fibra (frutos e legumes) e exercício físico regular.

O papel da alimentação no cancro foi o tema da palestra de Cristina Gonçalves, nutricionista do Hospital da Luz Lisboa, que falou sobre os benefícios da nutrição na luta contra o cancro, destacando a importância de uma dieta equilibrada como uma das bases de um estilo de vida saudável e modo de prevenção de muitas formas de cancro.
Evitar o consumo de alimentos com açúcares refinados, sal, carnes processadas e alimentos transformados ou bebidas alcoólicas, privilegiando a alimentação fresca (frutas, legumes, peixe, frutos secos) e combater a obesidade e o sedentarismo são formas de prevenir o aparecimento de cancro. No caso dos doentes oncológicos, a nutricionista reforçou a importância destes seguirem um bom plano alimentar como reforço do sistema imunitário e de garantir nutrientes que permitam enfrentar as fases de tratamento, melhorando o prognóstico.

Depois dos temas mais clínicos, o simpósio contou com o testemunho do ator Gonçalo Diniz, que relatou a sua experiência enquanto doente oncológico – sofreu um cancro no testículo metastizado, agora em fase de remissão – e as estratégias que utilizou para enfrentar a doença e superar o tratamento, que incluiu cirurgia e quimioterapia.
O ator destacou todo o apoio que teve, tanto do hospital onde foi tratado e onde continua a ser acompanhado como da família – que considerou fundamental –, do circulo de amigos e da própria vontade pessoal em vencer a doença.
Inspiradora foi também a palestra do padre Vasco Pinto de Magalhães, religioso da Companhia de Jesus. O sacerdote começou por dizer que considerava o título da sua palestra (Espiritualidade, contributos perante as adversidades na doença) bastante redutor, pois a espiritualidade não é só religiosa ou psicológica: “a espiritualidade não serve só para os momentos difíceis, é para a vida toda. É uma forma de orientação, uma forma de vida”.

Vasco Pinto de Magalhães falou ainda do individualismo e da tentação da autossuficiência, que perpassam a sociedade contemporânea e que remetem a espiritualidade para a dimensão da doença, quando a espiritualidade é antes saber viver positivamente com a doença.

O simpósio incluiu ainda as palestras da psicóloga Catarina Rivero, que falou sobre famílias e os laços de resiliência e Mark Mekelburg, coordenador de formação externa da Operação Nariz Vermelho, que falou da importância do humor e animou a audiência com uma apresentação movimentada e que contou com a colaboração de todos os participantes.