O papel da robótica na cirurgia ginecológica

O papel da robótica na cirurgia ginecológica

Pela primeira vez integrado no Leaping Forward – Lisbon International Clinical Congress, o 17.º Curso de Endoscópica Ginecológica, teve, durante dois dias intenso trabalho e viva discussão, como pano de fundo patologias como a endometriose, a oncologia ginecológica, mas também, pela primeira vez e pela mão da professora Leila Adamian, vice-diretora do Centro de Investigação para a Obstetrícia, Ginecologia e Perinatologia de Moscovo, o tratamento cirúrgico de malformações congénitas ginecológicas em mulheres e crianças.

Leila Adamian abordou a sua larga experiência em cirurgias de reconstrução vaginal e uterina, entre outras, incluíndo mudanças de sexo, principalmente do masculino para o feminino.

Os trabalhos iniciaram-se no dia 14, com duas cirurgias simultâneas, transmitidas ao vivo das salas OR0 (cirurgia robótica) e OR1 (cirurgia laparoscópica) do bloco operatório do Hospital da Luz, para os palestrantes que as acompanharam no auditório 2.

A cirurgia robótica foi levada a cabo pelo norte-americano Ceana Nezhat, professor clinico-adjunto de obstetricia e ginecologia da Stanford University School of Medicine e diretor no Atlanta Center for Endometriosis, Minimally Invasive Surgery & Reproductive Medicine, que operou uma paciente de 65 anos, executando uma sacrocolpopexia robótica.

Por sua vez, o cirurgião francês Arnaud Wattiez, professor da Universidade de Estrasburgo, onde exerce a sua actividade de cirurgia ginecológica no Hospital de Hautepierre, operou uma mulher jovem a um tumor retovaginal de endometriose, de resto, a patologia que dominou os trabalhos do simpósio.

Endometriose e cancro

Foi dito por vários palestrantes que a endometriose causa sofrimento a longo prazo através do seu impacto diário e, por isso, não pode ser classificada como uma doença benigna. “As mulheres com endometriose sofrem emocional, reprodutiva e socialmente”, afirmou Lone Hummelshoj, secretária-geral da World Endometriosis Society e diretora executiva da World Endometriosis Research Foundation.

Estima-se que, em todo o Mundo, 176 milhões de mulheres sofram de endometriose, um número estatisticamente relevante, e que muitas delas irão desenvolver algum tipo de cancro, independentemente da maior ou menor gravidade da sua endometriose.

O investimento em investigação para encontrar a base genética de sub-grupos de diferentes tipos de endometriose pode levar à identificação de uma predisposição para certos tipos de cancro, assim como de grupos específicos de alto risco. Hoje não existe nenhuma prova de que a endometriose seja uma doença neoplásica, e a maioria das mulheres com endometriose não irá desenvolver um cancro.

O simpósio terminou com uma breve, mas marcante nota final proferida por Ceana Nezhat. O cirurgião comparou as cirurgias laparoscópica e robótica, apontando as vantagens de uma e de outra, e mostrou, em simultâneo, dois vídeos, um de cirurgia laparoscópica e outro de uma cirurgia robótica. Em ambos sucedia a mesma situação (rotura acidental de uma artéria) e a resolução do problema, apesar da diferença tecnológica, teve o mesmo resultado. Não nos devemos desviar do essencial e o do mais importante, disse o cirurgião: “a experiência e as capacidades do cirurgião, e os seus conhecimentos de anatomia e dos instrumentos cirúrgicos”.