Presidente da República elogia a ‘comunidade’ criada pelo Hospital da Luz

Presidente da República elogia a ‘comunidade’ criada pelo Hospital da Luz

“Esta casa institucionalizou-se. Criou espírito de corpo e um amor à camisola que passa por médicos, auxiliares e enfermeiros e que se transmite aos pacientes. É fundamental a comunidade que se formou em torno desta instituição”, salientou hoje o Presidente da República no discurso de encerramento da cerimónia que assinalou o décimo aniversário do Hospital da Luz Lisboa, a maior unidade do Grupo Luz Saúde.

Na cerimónia, estiveram também presentes o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Matos Rosa, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, e os bastonários da Ordem dos Médicos e dos Engenheiros, Miguel Guimarães e Carlos Aires, respetivamente, entre outras individualidades.

Marcelo Rebelo de Sousa elogiou o trabalho de Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, e de José Roquette, diretor clínico do Hospital da Luz Lisboa. “Estes 10 anos demonstraram que Isabel Vaz era de facto a pessoa adequada para levar por diante este projeto”, cuja expansão continua “a conceber com horizonte ilimitado” e sempre aplicando uma “determinação e uma energia extenuante, por vezes cansativa”, brincou. Nessa missão, acrescentou, “foi muito bem apoiada por José Roquette”. “E, para sermos justos, temos de reconhecer que houve outros que contribuíram também para este sucesso, que estão presentes na nossa memória e continuarão presentes, independentemente das vicissitudes que aconteceram e que agora não interessam ao caso”, acrescentou, numa referência implícita a Ricardo Salgado, que impulsionou o projeto do Hospital no Grupo Espírito Santo.

O Presidente recordou ainda que “houve momentos em que se duvidou do futuro desta instituição” – numa alusão ao processo complexo vivido em 2014 pela empresa proprietária do Hospital, com mudança de nome (de Espírito Santo Saúde para Luz Saúde) e de acionista (a Fidelidade, do grupo chinês Fosun) –, mas concluiu que o futuro está assegurado. Prova disso é o projeto de ampliação e duplicação de capacidade que foi hoje anunciado, afirmou, salientando ainda o “papel importante da presença de investimento chinês no nosso país”.

“Os nossos interesses coincidem: Portugal foi grande sempre que se abriu à expansão para o exterior; para a China, é importante ter uma porta de entrada na Europa”, explicou o Presidente da República. “A internacionalização da nossa economia e a abertura a novos horizontes para além dos espaços geográficos de língua portuguesa e na Europa, que nos são naturais, são muito importantes no setor financeiro e comercial, mas também noutros, como a saúde”.

‘Pertenço afetivamente a esta comunidade’

“Enquanto cidadão, pertenço afetivamente um bocadinho a esta comunidade”, recordou Marcelo Rebelo de Sousa, descrevendo o trabalho de voluntariado que realizou nos últimos anos na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz Lisboa, “sempre mobilizado” pela diretora, Isabel Galriça Neto, e que lhe permitiu “compreender que é o toque humano que liga e dá sentido à experiência tecnológica, académica e científica”.

O Presidente da República fez questão de destacar, aliás, que o Hospital da Luz Lisboa “contribuiu para a revolução” operada nos cuidados paliativos em Portugal, nomeadamente na forma como são hoje encarados: “Não se destinam apenas à fase terminal da vida. Há cuidados paliativos que começam cada vez mais cedo, em termos de idade e de situações, e eles são igualmente Medicina. Isto, hoje, sabe-se. E a Luz ajudou a que se soubesse – foi pedagógica”.

“Agora, é preciso olhar para o futuro. Não estarei certamente cá como Presidente da República quando o Hospital celebrar a próxima década, mas estarei como cidadão. E estaremos todos aqui para testemunhar a fidelidade a um projeto que desde o início se queria renovador e a capacidade de integração nesta onda virada para o futuro, quer de Lisboa quer de Portugal, criando valor. E sempre com calor humano, que é, afinal, a essência dos afetos”, concluiu o Presidente.

Fernando Medina promete “cooperação empenhada” de Lisboa

Antes de Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Câmara de Lisboa fez questão de salientar que “a cidade não seria a mesma sem uma unidade de saúde de referência como o Hospital da Luz”. Por isso, Fernando Medina agradeceu, em nome dos munícipes, “o trabalho de excelência” de todos os colaboradores que ajudaram a nascer e a desenvolver o Hospital.

“Ficou aqui claro que os valores fundamentais da Luz Saúde, de excelência, rigor e inovação, vão continuar”, salientou, recordando que o Hospital é “fundamental” para o futuro de uma cidade “cada vez mais cosmopolita e que quer ser capaz de atrair mais pessoas e inserir-se na economia global”. “Espero que os próximo 10 anos sejam pelo menos tão exigentes e desafiantes como os que passaram e quero aqui deixar uma palavra de confiança e de colaboração empenhada por parte da Câmara Municipal de Lisboa. O sucesso do Hospital da Luz Lisboa será também o sucesso da nossa cidade”, concluiu.

 

 

Fotografia: Paulo Coelho