Técnicas endoscópicas realizadas ao vivo

Técnicas endoscópicas realizadas ao vivo

A endoscopia digestiva atravessa um momento de grande expansão e de inovação tecnológica, com avanços nas áreas da terapêutica e da cirurgia, que desafiam as habituais técnicas de endoscopia diagnóstica.

O simpósio de endoscopia gastrointestinal, incluído do congresso internacional Laping Forward, foi muito participado e teve nos 18 procedimentos transmitidos ao vivo, os pontos altos da sessão. Ecoendoscopia, mucosectomia endoscópica, colonoscopia e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) foram algumas das técnicas efetuadas e explicadas em tempo real pelos gastrenterologistas presentes no bloco operatório, para a audiência que seguiu com grande interesse os procedimentos.

Rastrear o cancro do pâncreas

Destaque ainda para a palestra sobre as possibilidade de rastreio no cancro do pâncreas, uma forma de doença oncológica extremanente agressiva, com sobrevidas de 5% aos cinco anos e onde cada caso é quase sinónimo de uma fatalidade.

As razões de tal facto, prendem-se, de acordo com Júlio Iglesias Garcia, médico do Departmento de Gastrenterologia do Hospital Universitário de Santiago de Compostela, com o diagnóstico tardio, quando 80-85% das lesões pancreáticas são inoperáveis.

Júlio Iglesias Garcia referiu que o prognóstico do doente melhora claramente quando as lesões são detetadas em fase pré-maligna, um pouco à imagem do que sucede com o cancro colorretal. “No cancro do pâncreas, sabemos que estamos a rastrear lesões pré-malignas ou cancros de pequenas dimensões, quando encontramos lesões com menos de 2 cm”.

Relativamente aos métodos de diagnóstico, este especialista considerou a ressonância magnética ou a endoscopia com ultrassons, isoladas ou em complementaridade, como as formas mais segura para detetar lesões de pequena dimensão.

Quanto aos grupos-alvo a rastrear, Júlio Iglesias Garcia apontou a faixa etária a partir dos 45 anos de idade, a hereditariedade e a existência de mutações genéticas específicas como fatores de risco a ter em linha de conta no diagnóstico precoce do cancro pancreático.

Este médico reforçou ainda que o rastreio deve ter como alvo a deteção de lesões precursoras, cujo acompanhamento é, porventura, o aspeto mais dificil na gestão do doente.