Voltar

Doença das membranas hialinas

O pulmão é constituído por numerosos ramos (brônquios, bronquíolos), os mais pequenos dos quais são microscópicos e terminam em pequenos sacos chamados alvéolos. Em cada inspiração os alvéolos expandem-se com ar, sendo o oxigénio e o dióxido de carbono trocados através do sangue que circula nuns vasos muito finos, os capilares, que envolvem os alvéolos. Os alvéolos são forrados com uma substancia chamada surfatante, que evita que eles colapsem entre as respirações.

A doença das membranas hialinas é um processo inflamatório consequente a um défice de surfatante nos alvéolos. A imaturidade pulmonar dos bebés está associada, entre outros aspetos, a falta de surfatante. Assim, nos pulmões imaturos, além da dificuldade em realizar as trocas gasosas, o défice de surfatante provoca colapso dos alvéolos no final da expiração. Um alvéolo colapsado é difícil de expandir na próxima inspiração, o que pode provocar inflamação e edema das paredes dos alvéolos, e tornar a respiração ainda mais difícil.

A doença das membranas hialinas pode ter vários graus de gravidade. Se for muito ligeira pode ser tratada apenas com oxigénio suplementar. Quando é ligeira a moderada pode ser tratada com Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP), técnica em que se colocam pequenos tubos no nariz para administrar ar e oxigénio a uma determinada pressão.

Quando é grave requer que o bebé seja ligado a um ventilador que o ajudará a respirar, evitando o colapso dos alvéolos pulmonares e permitindo as trocas gasosas. Nesta situação é administrado surfatante através do tubo endotraqueal, o que permite uma melhoria da função pulmonar e uma melhoria clínica.

Nas grávidas com menos de 34 semanas de gestação em que existe risco de parto pré-termo podem também ser instituídos tratamentos que aceleram a maturidade pulmonar e aumentam a produção de surfatante, o que reduz significativamente a incidência e a gravidade da doença de membranas hialinas.