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Cadeiras de criança no automóvel: o modelo certo para cada idade

O transporte de crianças em automóvel encontra-se regulado no artigo 55.º do Código da Estrada e só o cumprimento escrupuloso destas regras pode garantir a segurança de todas as suas viagens.

Siga este conselho e viaje em segurança. 

Boa viagem.

Recém nascido

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A partir do momento em que tem alta da maternidade, o recém-nascido deve viajar numa cadeira adequada para transporte em automóvel (até aos 13kg ou até aos 75 cm de altura) e aprovada pelos regulamentos de homologação R44/04 ou R129 i‐Size (ver informação sobre etiquetas de homologação).

Deve dar-se preferência a cadeiras (conhecidas como “ovo”) novas, pois as emprestadas e já utilizadas por outras crianças sofrem um desgaste natural dos seus componentes (plásticos, encaixe do arnês, etc.), que reduz a proteção conferida.

Depois de sentar a criança na cadeira, aperte sempre o arnês (cinto interno da cadeira) para que fique apenas com um dedo de folga, medido à altura do ombro da criança. Não coloque agasalho ou mantas por baixo do corpo do bebé ou entre este e o arnês, pois dão azo a folgas muito perigosas, em caso de acidente.

A primeira cadeira do bebé a utilizar no automóvel é sempre fixa em posição voltada para trás, com o cinto de segurança (ou nos encaixes do sistema Isofix, se este fizer parte do equipamento do veículo).

O encaixe da cadeira no sistema Isofix não é obrigatório, mas tem a vantagem de facilitar a fixação da cadeira, além de reduzir as folgas e os erros que podem ser mais frequentes quando se utiliza o cinto de segurança. Aumenta-se, dessa forma, a proteção da criança.

Deve utilizar-se a primeira cadeira (“ovo”) enquanto o bebé não atingir o peso máximo permitido para transporte nesta cadeira - e desde que a cabeça do bebé esteja bem apoiada, com o arnês regulado à altura do ombro ou ligeiramente abaixo.

Em alguns modelos de cadeiras é possível subir o encosto de cabeça e o arnês. Não se preocupe se os pés do bebé batem nas costas do banco do automóvel, nem se a criança tem de viajar com as pernas cruzadas, encolhidas ou dobradas. O mais importante é proteger o pescoço e a coluna do bebé.

 

Entre os 12 meses e os 4 anos

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As organizações europeias aconselham o transporte das crianças no automóvel até aos 3 ou 4 anos em cadeiras próprias voltadas para trás.

Existem no mercado cadeiras homologadas (regulamentos R44-04 até 18kg ou 25kg e R129 até aos 105cm), que permitem transportar as crianças voltadas de costas até essa idade, garantido maior proteção da cabeça e pescoço.

Normalmente, estas cadeiras são maiores, têm mais espaço para as pernas da criança e têm um pé apoiado no chão do automóvel ou um cinto (‘top tether’), que permite fixar a cadeira atrás, existindo modelos com e sem sistema Isofix.

Antes de adquirir a cadeira, é fundamental experimentá-la nos automóveis onde será utilizada, para ter a certeza de que é possível instalar a cadeira respeitando corretamente as instruções do fabricante.

 

Mais de 4 anos de idade

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Quando a criança atinge os 15 kg, e se tiver mais de 3 ou 4 anos, pode passar a viajar numa cadeira do grupo 2/3, homologada pelo regulamento R44-04 para crianças com peso entre 15 e 36 kg.

Estas cadeiras, compostas por um banco elevatório com costas, são geralmente reguláveis em altura, utilizam o cinto de segurança de três pontos de fixação para prender a criança e a cadeira como um todo. O cinto tem de passar pelas guias marcadas a vermelho e deve ficar bem justo sobre o corpo da criança, distribuindo a força de impacto pelas zonas ósseas do corpo, como acontece nos adultos, em caso de travagem ou acidente.

Devem preferir-se os modelos que têm uma guia, geralmente inserida no encosto de cabeça, que permite regular o cinto de segurança à altura do ombro da criança.

O encosto de cabeça deve ser ajustado em altura, evitando que o cinto fique baixo sobre o braço ou alto junto ao pescoço. Neste último caso, pode suceder que, para evitar que o cinto a incomode durante a viagem, coloque a faixa diagonal por baixo do braço, o que pode causar lesões muito graves em caso de travagem brusca ou acidente.

Antes dos 8 ou 9 anos não é aconselhável utilizar apenas um banco elevatório. Além do cinto de segurança, que pode ficar alto junto ao pescoço, o banco não confere proteção lateral para o tronco e cabeça, quando a criança adormece. A sua utilização também deve ser evitada em automóveis sem encostos de cabeça nos bancos de trás.

O cinto de segurança deve ficar sempre bem justo sobre o corpo das crianças e nunca torcido. Lembre-se: só um cinto bem colocado protegerá a criança em caso de acidente

 

 

Crianças com necessidades especiais

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Transportar de forma adequada e segura as crianças com necessidades especiais não é, em alguns casos, uma tarefa fácil. A legislação portuguesa permite a utilização de sistemas de retenção não homologados por crianças portadoras de deficiência que apresentem condições graves de origem neuromotora, metabólica, degenerativa, congénita ou outra, desde que os respetivos assentos, cadeiras ou outros sistemas de retenção tenham em conta as suas necessidades específicas e sejam prescritos por médico da especialidade. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes tem competência para aprovar este tipo de sistemas de retenção.

Apesar da oferta existente no mercado ser ainda muito reduzida, já existem marcas de cadeiras de transporte que possuem sistemas de retenção homologados para crianças com necessidades especiais.

Um dos exemplos de transporte de crianças com necessidades especiais é a das crianças que sofrem de displasia de desenvolvimento da anca (antes designada por luxação congénita da anca). As crianças com esta patologia necessitam de manter as pernas totalmente afastadas enquanto dura o seu processo terapêutico.

Em Portugal, está já disponível uma cadeira adaptada e especialmente concebida para bebés com esta patologia.

 

 Porque é mais seguro viajar de costas para a estrada

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O transporte na posição de costas para a estrada reduz o impacto no pescoço e na cabeça, mais vulneráveis no bebé, em caso de acidente. Por isso, é mais seguro manter a posição de costas até o mais tarde possível, mesmo quando a criança transita para a cadeira seguinte. A cabeça do bebé é proporcionalmente maior e mais pesada que o resto do corpo. Os ossos e músculos do pescoço não estão ainda suficientemente desenvolvidos para suportar o peso da cabeça no caso de uma colisão frontal.

Se o bebé viajar na posição de frente para a estrada e se houver uma colisão frontal, a sua cabeça relativamente pesada será lançada para diante com violência, causando sérias lesões no pescoço e cabeça. A posição de costas para a estrada protege a cabeça e pescoço do bebé, distribuindo o impacto sobre uma área maior do corpo.

A legislação não faz referência à posição de instalação da cadeira no automóvel, com exceção da situação em que a criança com menos de 3 anos é transportada no banco da frente. Neste caso, a criança tem de ser transportadas de costas e o ‘airbag’ frontal do lugar do passageiro não pode estar ativado.

No caso das cadeiras homologadas pela norma R129 i‐Size, o transporte de costas para o sentido da marcha do veículo é obrigatório para crianças até aos 15 meses de idade.

De uma maneira geral, considera-se, de qualquer modo, que é sempre mais seguro continuar a transportar as crianças de costas até aos 4 anos de idade.

 

*com colaboração da Dorel