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Gripe nas crianças

Gripe nas crianças

A gripe é uma doença infecciosa do aparelho respiratório, altamente contagiosa, manifestando-se em Portugal de outubro até março, sendo provocada pelo vírus ‘influenza’.
Existem três tipos conhecidos de vírus da gripe, (A, B e C), sendo o tipo A o mais prevalente e o que surge associado às epidemias mais graves. O tipo A tem subtipos classificados de acordo com as características dos antigénios de superfície hemaglutinina H e neuraminidase N (por exemplo H1N1).

Como se manifesta e quais são as características particulares da gripe nas crianças?

Manifesta-se por febre, dores de cabeça, do corpo e da garganta, corrimento e ou obstrução nasal, cansaço, mal-estar geral e tosse seca, podendo ocorrer arrepios e olhos inflamados.

As queixas digestivas como náuseas, vómitos e diarreia acontecem mais frequentemente em crianças. As crianças com idade inferior a dois anos, mesmo as previamente saudáveis, têm uma maior probabilidade de necessitar de tratamento hospitalar devido a complicações graves de gripe, como pneumonia, desidratação, sinusite ou otite.

Como é que uma criança fica com gripe?

Se uma criança não se encontrar vacinada e não tiver tido previamente gripe com o tipo específico de vírus, adquire a gripe ao respirar ou tomar contacto com gotículas infetadas que foram veiculadas de um indivíduo doente, quando este tossiu ou espirrou.

Após o contágio, o período de incubação varia entre 48 a 72 horas.

Durante quanto tempo uma criança com gripe se mantém contagiosa para outras pessoas?

Em geral, os doentes podem contagiar outros desde um dia antes de apresentarem sintomas até cinco dias depois, mas as crianças mais pequenas podem manter-se contagiosas mais de uma semana. É muito importante que os pais estejam atentos e não levem a criança para o infantário ou escola nos primeiros dias de doença, precisamente quando é mais contagiosa.

O que é possível fazer para evitar a gripe?

As crianças devem aprender a lavar as mãos com frequência e de forma correta, usando água e sabão ou, então, utilizando toalhetes, de preferência com álcool.

Os lenços de papel e toalhetes devem ser de utilização única e colocados em recipientes de lixo com sacos.

As pessoas que cuidam de crianças devem lavar as mãos sempre e muito bem antes de preparar os alimentos, antes e depois de mudar as fraldas e praticar outros cuidados às crianças, como limpar o nariz, etc.

Os brinquedos e outros objetos partilhados pelas crianças, assim como mesas e objetos de mobiliário deverão ser adequadamente lavados, pelo menos diariamente.

Os espaços onde estão as crianças, quer em casa, quer nas escolas e infantários devem ser cuidadosamente arejados.

Em época de gripe evite ambientes muito povoados e serviços de urgência, aos quais só deve recorrer quando absolutamente necessário.

Ao espirrar ou tossir proteja a boca com um lenço de papel ou com o antebraço: não utilizar as mãos.

As pessoas com sintomas de gripe que contactam com bebés devem usar uma máscara.

Já a vacina da gripe está indicada para crianças a partir dos seis meses de idade, sendo necessário proceder a vacinação anual, de preferência em outubro.

Como se deve tratar uma criança com gripe?

A criança deve ser mantida em casa, recebendo medicação para a febre (paracetamol) em dose adequada à sua idade.

Deve beber líquidos com frequência e colocar soro fisiológico em gotas nasais.

Pode ser necessário recorrer a outros tipos de tratamento como aerossóis, gotas nasais ou xaropes antihistamínicos, sempre por orientação médica. Em alguns casos específicos poderá ser útil a utilização de um medicamento antiviral. A administração de antibióticos deverá ser criteriosamente indicada e só em casos de infeção bacteriana. 

A utilização indiscriminada de antibióticos, ineficaz no controlo da gripe, conduz ao desenvolvimento de resistências bacterianas, um problema de saúde pública com expressão importante em Portugal.

A importância das medidas de higiene

A gripe é uma doença muito contagiosa e pode trazer complicações graves. As crianças até aos três anos de idade, os indivíduos com mais de 65 anos e os portadores de doenças ou incapacidades crónicas são os grupos de risco mais elevado. As medidas de higiene são muito importantes para diminuir a transmissão do vírus. O tratamento é constituído principalmente por antipirético (paracetamol), ingestão abundante de líquidos e repouso.
Devem ser evitados os antibióticos a não ser quando fica provada a existência de infeção bacteriana. A vacinação deve ser orientada para os grupos de risco e gerida cuidadosamente, pois o número de vacinas disponíveis em cada ano é limitado, devendo ser administrada em outubro ou nos meses seguintes.

Texto:

Jorge Marcelino
Pediatria, Hospital da Luz

 

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