Cancro da próstata: Vantagem para a cirurgia

Cancro da próstata: Vantagem para a cirurgia

Com uma escolha terapêutica tão vasta e que depende do risco da doença, ficou claro que a decisão é sempre multidisciplinar e debatida com o doente. Mas estudos recentes apontam a cirurgia radical como primeira opção.

Cancro da próstata: Vantagem para a cirurgia

O simpósio “Treatment options in localized prostate cancer” procurou trazer mais ideias a uma das áreas mais debatidas da urologia oncológica, o tratamento do cancro localizado da próstata, começou por dizer José de Vilhena-Ayres, um dos directores do simpósio e coordenador do Departamento de Urologia do Hospital da Luz.

O primeiro palestrante, o professor Álvaro Martinez, vice-presidente sénior de Scientific and Clinical Strategy for Michigan Healthcare Professionals/21st Century Oncology, abordou as temáticas da braquiterapia de baixa dose, braquiterapia de alta dose e a radioterapia externa personalizada, e começou por referir que cada cada especialista tende a defender a sua área. Assim, ele, como radioterapeuta tenderia a defender a “sua dama”, tal como um cirurgião tenderia a defender a prostatectomia radical.

Ainda assim, apresentando um conjunto de ensaios e de estudos, não deixou de referir que todas as modalidades terapêuticas, desde a vigilância activa, à cirurgia, passando pela radioterapia, tratamento hormonal e quimioterapia deveriam ser consideradas, tendo em linha de conta o estadio do cancro localizado da próstata e discutidas em contexto de consulta multidisciplinar, antes de serem propostas e debatidas com o doente.

Rafael Ernesto Sanchez-Salas, cirurgião e investigador do Instituto Mutualiste Montsouris, em Paris, instituição pioneira no tratamento focal (“HIFU”) e na cirurgia robótica, abordou a opção terapêutica “High-Intensity Focused Ultrasound”, que considerou uma forma muito razoável de abordar os doentes com carcinoma prostático de baixo risco e, talvez, os de risco moderado. No entanto, não deixou de apontar de que se trata de uma terapêutica experimental e de ser necessário validar os resultados e ter mais evidência clínica.

Estudo defende prostatectomia

Já Peter Wiklund, urologista e cirurgião robótico, professor de urologia oncológica no Karolinska Institutet, de Estocolmo, divulgou os resultados de um estudo comparativo da eficácia da prostatectomia radical e da radioterapia no cancro da próstata, através dos resultados da mortalidade na Suécia, estudo que será publicado em breve, num artigo científico do prestigiado British Medical Journal.

O estudo de acompanhamento de doentes decorreu ao longo de 15 anos – Peter Wiklund considera 10 anos um período muito curto para um estudo do cancro da próstata, doença que progride muito lentamente, em comparação com outros tipos de cancro.

A propósito, este urologista referiu que na Suécia, existe um Registo Nacional de Cancro da Próstata, que cobre 98% dos casos de cancro da próstata, num total de 34.515 individuos e dos quais se conhece o estado da doença desde o momento em que é diagnosticada.

Peter Wiklund expôs os dados e os resultados do estudo e não teve dúvidas em afirmar que o risco de mortalidade no cancro localizado da próstata é mais elevado nos doentes que fizeram radioterapia por comparação com os que foram submetidos a prostatectomia radical, que apontou como a terapêutica de primeira linha para curar o cancro prostático.

Steven Joniau, professor do Departamento de Urologia do Hospital Universitário de Leuven e membro do painel da European Association of Urology responsável pelas “guidelines” de tratamento do cancro da próstata, reafirmou as opções de tratamento e de decisão multidisciplinar apontadas inicialmente por Álvaro Martinez, mas não deixou, à imagem de Peter Wiklund, de apontar a cirurgia como tratamento ‘gold standard’ para curar o cancro da próstata, afirmando que, se se começar pela cirurgia num estadio de baixo risco, existe ainda margem para a opção de tratar com radioterapia.

Na discussão que se seguiu, Rafael Ernesto Sanchez-Salas, socorreu-se de estudos para afirmar categoricamente que, “goste-se ou não, a cirurgia robótica é melhor que as outras formas de tratar o cancro da próstata e, pode ser cara, mas está a fazer o serviço”.

Já Steven Joniau apontou a vigilância activa como uma proposta a ter conta para muitos doentes de baixo risco, mas onde o acompanhamento tem de ser definido e seguido à risca pelo doente.