Depois de cirurgia cardíaca robótica, doentes têm alta em 72 horas

Depois de cirurgia cardíaca robótica, doentes têm alta em 72 horas

Amrtlal Bhanjé, de 67 anos, e Rosa Pinheiro, de 50, foram submetidos recentemente a uma cirurgia de revascularização do miocárdio, realizada com apoio robótico, no Hospital da Luz.

A cirurgia de revascularização do miocárdio ou bypass coronário tem como objetivo resolver problemas na circulação do sangue nos vasos do coração e é uma das opções de tratamento possíveis para a doença coronária. Nesta intervenção, é colocada uma via alternativa para a circulação do sangue, ultrapassando a zona do vaso coronário que não permite que esta seja feita normalmente. Com o restabelecimento da circulação coronária, diminuem os sintomas associados à doença coronária, bem como a probabilidade de ocorrerem outros problemas como, por exemplo, um enfarte agudo do miocárdio ou morte súbita.

As cirurgias de Amrtlal Bjanjé e Rosa Pinheiro foram ambas realizadas por Ricardo Arruda, cirurgião cardiotorácico do Hospital da Luz, em colaboração com o cirurgião belga Jean-Luc Jansens, com recurso ao sistema de cirurgia robótica Da Vinci Si HD do Hospital da Luz.

No caso de Amrtlal Bhanjé, foi usada a técnica Robotic Assisted Minimally Invasive Coronary Artery Bypass (MIDCAB) e no de Rosa Pinheiro, o Beating Heart Totally Endoscopic Coronar Bypass Graft (BETECABG), este realizado pela primeira vez no Hospital da Luz.

A principal vantagem do bypass coronário com apoio robótico é evitar a esternotomia, ou seja, a abertura do esterno para aceder ao coração. Nos doentes que realizam uma esternotomia o pós-operatório imediato é sempre doloroso e, principalmente, é incapacitante para muitas atividades diárias durante um período de tempo prolongado. Por exemplo, os doentes que realizam uma esternotomia só podem voltar a conduzir, em média, quatro a seis semanas depois da intervenção. Por outro lado, em muitos casos, alguns sintomas associados à esternotomia, como dores torácicas, osteoarticulares e musculares, só desaparecem passados dois a três meses.

Assim, comparativamente à cirurgia aberta, a cirurgia de revascularização do miocárdio com apoio robótico, como foi realizada nestes doentes, caracteriza-se por:

  • Evitar a esternotomia
  • Incisão mais pequena, o que, tal como em todos os procedimentos cirúrgicos está associado a menos problemas relacionados com a ferida operatória, nomeadamente deiscência ou infeção
  • Menos dor a médio e longo prazo
  • Menores necessidades transfusionais
  • Menor risco de infeção local ou generalizada
  • Menor período de internamento
  • Retorno mais rápido às atividades diárias
  • Cicatrizes operatórias menos visíveis

Amrtlal Bjanjé e Rosa Pinheiro tiveram alta às 72 horas de pós-operatório. Amrtlal Bhanjé disse sentir-se muito bem após a cirurgia, sem dores e com vontade de recomeçar a trabalhar: “Fui muito bem tratado por toda a gente, desde administrativos a enfermeiros e médicos. Foram todos muito atenciosos, só tenho palavras de elogio”, afirmou. Também Rosa Pinheiro, confessou sentir-se um pouco receosa antes da cirurgia: “o dr. Ricardo Arruda foi espetacular! Disse para estar tranquila, que ia correr tudo bem. E na verdade, assim foi. Depois de acordar, não tive praticamente dores, sinto-me bem e só tenho a agradecer o carinho de todos”.