Novos tratamentos do cancro apresentados no Hospital da Luz

Novos tratamento do cancro apresentados no Hospital da Luz

Como se fará, no futuro próximo, o combate ao cancro foi a pergunta que serviu de pano de fundo às apresentações feitas hoje, no Auditório 2 do Hospital da Luz.

O simpósio sobre oncologia trouxe a Lisboa alguns dos mais reputados investigadores nesta área, a maior parte portugueses a trabalhar e a fazer investigação no estrangeiro.

Como ativar o sistema imunitário para combater o cancro? Na linha da frente desta investigação, dois portugueses – um em Lisboa, Bruno Silva Santos, do Instituto de Medicina Molecular, e outro em Nova Iorque, Inês Pires da Silva, do New York Medical Center - estiveram hoje no Hospital da Luz, no simpósio sobre oncologia do congresso médico internacional Leaping Forward, explicando o que de mais inovador se está a fazer nesta área e revelando os caminhos que podem ser tomados nesta investigação.

A imunoterapia no combate ao cancro foi recentemente considerada pela revista «Science» como o mais importante avanço científico de 2013, depois de terem sido revelados os resultados muito promissores de ensaios clínicos em que foi usada imunoterapia contra cancros agressivos, como o melanoma. Inês Pires da Silva, em particular, está envolvida em alguns destes ensaios com doentes em melanoma, no New York Medical, um dos maiores hospitais e centros de investigação privados norte-americanos.

Mas neste simpósio falou-se também da biologia do cancro da mama e das novas combinações terapêuticas para esta patologia, tendo em conta as características genéticas de cada tumor. O futuro é, pois, a identificação do bilhete identidade de cada tumor e adaptar-lhe uma terapêutica específica, conforme revelaram Carlos Caldas, o português da Universidade de Cambridge e especialista em patologia da mama, e José Luis Passos Coelho, coordenador do Centro de Oncologia Médica do Hospital da Luz, diretor do serviço de oncologia do Hospital Beatriz Ângelo e diretor deste simpósio.

Rafael Roselli, oncologista espanhol, apresentou os resultados de um estudo sobre um tratamento inovador para um dos tipos de cancro do cólon e do reto, que não está ainda aprovado mas que o médico tem desenvolvido nos últimos anos no Instituto Catalão de Oncologia, Hospital Germans Trias, em Barcelona, onde trabalha.

O simpósio terminou com as previsões de João Ascensão - o português que trabalha em Washington - sobre o acesso, no futuro, aos tratamentos para o cancro. Os recursos não chegarão para tratar todos, dentro de dez anos, com as previsões epidemiológicas da doença. Por isso, é preciso que a sociedade se prepare para ter cada vez mais recursos disponíveis para tratar os doentes, até porque a variabilidade de opções terapêuticas será enorme. Mas Ascensão defendeu que é preciso detetar mais cedo para tratar melhor e sem recurso a terapêuticas pesadas e mais caras. E taxar mais o tabaco e o álcool, desviando essas receitas para o tratamento do cancro. investigadores nesta área, a maior parte portugueses a trabalhar e a fazer investigação no estrangeiro.